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as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

Uma Santa Casa que não é Santa Casa!

29.09.15, Helena Le Blanc

Eu trabalho na Misericórdia da Freguesia de Sangalhos.

E apesar de ser uma Santa Casa, a sua denominação não têm Santa Casa: "Misericórdia da Freguesia de Sangalhos".

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Como?

É possível?

Esta Misericórdia, como as outras 385 existentes no nosso país, nasceram inspiradas pela Santa Casa de Misericórdia de Lisboa, e esta, como todos nós hoje sabemos, é fruto da ação da rainha D. Leonor, em conjunto com o seu confessor Frei Miguel Contreiras.

04_DLeonor.jpgEsta nossa rainha, viúva, dedicou-se intensamente a todos os desprotegidos (aos "expostos" - termo da época), nomeadamente os doentes, os pobres, os órfãos, os recem-nascidos abandonados, os prisioneiros e os artistas. Patrocinou a fundação da Santa Casa da Misericórdia, e, em 1498 foi a primeira Organização Não governamental (ONG) legítima em todo o mundo. Uma grande novidade para a época: a existência de uma instituição social que se declara leiga e não governamental.

 

Esta instituição tornou-se o instrumento de ação social da coroa portuguesa, e é o início da história de assistência em Portugal, ou seja, das práticas ligadas aos costumes e ensinamentos cristãos, realizadas por amor a Deus.

Como tal, nascendo com uma natureza cristã, a fé instituída em todo o reino, D. Leonor, inspirada pela iniciativa de  S. Pedro Mártir em Florença em 1244, apoiou esta obra nas 14 obras da misericórdia:

 

Obras Corporais:

1ª Dar de comer a quem tem fome;

2ª Dar de beber a quem tem sede;

3ª Vestir os nus;

4ª Dar pousada aos peregrinos;

5ª Assistir aos enfermos;

6ª Visitar os presos;

7ª Enterrar os mortos.

Obras Espirituais:

1ª Dar bons conselhos;

2ª Ensinar os ignorantes

3ª Corrigir os que erram;

4ª Consolar os tristes;

5ª Perdoar as injúrias;

6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;

7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

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A partir deste exemplo, com o apoio do Rei D. Manuel I, surgiram muitas Santas Casas por todo o reino, e para além do reino. Hoje em dia, para além das 386 existentes em território nacional, existem 631 Santas Casa no estrangeiro:

 

Prestam apoio á comunidade essencialmente em duas áreas: apoio social e cuidados de saúde. Por dia, as 386 Misericórdias nacionais acompanham mais de 150 mil portugueses em todo o território nacional. São 462 estruturas residenciais para pessoa idosa, 420 serviços de apoio domiciliário, 315 creches, 262 pré-escolares, 23 hospitais, 112 unidades de cuidados continuados, entre muitos outros equipamentos.

Também são responsáveis por iniciativas de inovação social e valorização da cultura local. Produção de artesanato e de bens alimentares, edição de livros e recuperação de tradições, como o cortejo de oferendas, são apenas alguns exemplos para valorizar a nossa identidade.

Aproveito para esclarecer aqui algo muito importante: as Misericórdias são independentes umas das outras. Simplesmente, têm as mesma fonte de inspiração: a obra de D. Leonor. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ou do Porto não têm nada a ver com a Misericórdia de Aveiro ou Sangalhos!

Assim, e retomando a história inicial, a Misericórdia de Sangalhos, em 1937, pretendeu constituir-se mas encontrou um obstáculo: já existia uma Santa Casa de Misericórdia no concelho em questão: a Santa Casa da Misericórdia de Anadia. E para quem não sabe só pode existir uma "Santa Casa" por concelho! Assim, impedida de se registar como tal, mas querendo, e muito, ser ser semelhante à Santa Casa da D. Leonor, e, neste caso específico, dar resposta às necessidades de saúde existentes na freguesia, registou-se como "Misericórdia da Freguesia de Sangalhos".

Existe mais uma ou duas no país com a mesma particularidade. E como alguém que eu conheço, respeito e admiro, costuma a dizer: não somos Santa Casa, mas se calhar somos mais "Santas" que muitas Santas Casas!

Independentemente da minha crença pessoal, eu não devo esquecer da responsabilidade do que é ser trabalhadora de uma Misercórdia:

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"Cada um, dentro de suas possibilidades e dons, deve em diversos momentos da vida fazer obras de misericórdia.

Para uns é mais fácil visitar enfermos, para outros é mais fácil ensinar os ignorantes. Mas para todos, em alguma fase da vida, surgirão os momentos de "perdoar as injúrias" e "sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo".

Diário de Santa Faustina: "O Amor é a flor e a Misericórdia é o fruto".

Todo ato de amor resulta em misericórdia, não há como fugir desta verdade!

O mais pequeno ato de amor que eu praticar, terá como resultado a misericórdia!

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 Meu Deus, como foi para mim uma grande surpresa toda esta história!

E, para além disso, o tomar consciência, ao longo da minha caminhada,

da vantagem que tenho por trabalhar numa instituição, 

uma obra que foi inspirada no Amor e moldada para distribuir Misericórdia! 

Um privilégio e uma grande responsabilidade!

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