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as surpresas de DEUS!

Aprendemos, vivemos e partilhamos a nossa Fé.

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07
Jul15

Nós e o bébé

Helena Le Blanc

Chegamos à ultima parte da história do nosso casamento.

 

A minha segunda sogra morre em Janeiro de 2012.

Eu fico grávida. O Xavier nasce em 3 de Outubro de 2012.

De vez em quando e por outros motivos, quando íamos ao advogado, perguntávamos pelo estado do processo. 

A resposta variava pouco: burocracia; processo no fundo da gaveta; numa primeira vez ninguém quer ser responsável... 

Finalmente, em Março de 2013, chega-nos a notícia: está autorizado, aprovado, deferido... Os serviços centrais decidiram fazer a correção no processo do James. Ficamos radiantes. E de repente, percebemos que afinal ainda era possível...

Começamos, outra vez, a planear o nosso casamento mas desta vez e finalmente, seria no Santuário da nossa paróquia. Apesar de chamarmos "nossa" paróquia, não é a da nossa residência. Nós escolhemos frequentar esta paróquia, a 15 kms de distância, e que é a paróquia donde sou natural.  E à cerimónia pensamos juntar o batizado do nosso filho. Assim, dois sacramentos na mesma festa. Seria maravilhoso. Assim, marcamos uma data: 6 de Outubro de 2013.

Convidamos a família, para começarem a planear viagens, pois envolver aviões e estadias.

Passaram-se alguns meses e... percebemos que, afinal, a feliz notícia tinha um mas.... um grande MAS. O que tinha acontecido foi a  aceitação ou autorização à nossa petição, ou seja, era legítimo o nosso pedido de correcção. Mas afinal era somente uma decisão. Faltava agora alguém proceder em conformidade, e ninguém procedia.

O advogado disse-nos para escrever-mos várias cartas ao responsável do serviço, pedindo que fosse realizado a inscrição de correção na ficha do James. Escrevi, e pedi por favor, várias vezes, que procedessem para que nós, uma família católica, pudéssemos casar na mesma cerimónia do batismo do nosso filho, previamente já marcada. 

Era muito complicado desmarcar ou ficar na incerteza, pois esta festa significava para várias pessoas a a compra de passagens aéreas, aluguer de carros e o arranjo estadias ao mais baixo preço.

E para ficar ainda mais, no mínimo, interessante, surgiu outro problema. O nome da Mãe do James oferecia dúvidas, pois constava de formas diferentes em diversos documentos...

Ai, ai, ai, ai. Não tinha fim toda esta trapalhada!

Mas continuamos a ter esperança e o James continuava, com muita paciência e persistência, a fazer diferentes diligências entre a embaixada do Canada e os nossos serviços. 

Falámos novamente com a Cúria para iniciar a constituição do processo de casamento e o batizado. Esta quis rever todas as questões e aspetos de todo o processo, pois já tinha sido há dois anos quando nos tinha conhecido. Decidiu pedir pareceres a diversas "autoridades/especialistas" em direito canónico. 

Mais uns meses, e nada...

O que fazer? Desistir? Não desistir e dizer às pessoas que TALVEZ houvesse casamento e batizado?

 

Decidimos continuar a planear tudo e o convite "oficial" seria para um batizado. à família mais próxima dissemos que as coisas se tinham complicado outra vez, mas que o Batizado mantinha-se de pé. Assim, para todas as pessoas, a festa era o batizado do Xavier e o festejo do seu primeiro ano de vida.

Convidamos a família, e todos os amigos para o batizado do Xavier e para o festejo do seu primeiro ano de vida.

Muito poucas pessoas sabiam do que estava a acontecer.

Continuamos a "monitorizar" o civil e a cúria.

O civil finalmente faz a nova inscrição no registo do James dizendo que o casamento religioso não tinha sido católico. 

Apelámos para a Sr.ª Dr.ª Conservadora, que nos tinha casado civilmente, para ajudar a tratar de toda a documentação necessária para podermos casar na Igreja.

Chegou Agosto... chegou Setembro...

Agora a bola estava na Cúria/Igreja, a entidade que sempre nos tinha apoiado e ajudado precisava de algum tempo. Perfeitamente compreensível. O James teve que falar com o Padre da paróquia onde vivíamos, e que não nos conhecia de lado nenhum. O Padre da paróquia onde frequentávamos (e frequentamos) prestou todos os esclarecimentos, confirmando que nós éramos católicos. 

A festa estava prevista. Mas ainda não sabíamos se seria somente um batizado ou também um casamento.

Informam-nos que podemos organizar o processo burocrático de casamento na paróquia mas sempre com o "se", ou seja, poderia não haver autorização a tempo, tendo em conta a data já marcada.

A cúria pede-nos duas pessoas que tenham conhecido e acompanhado o crescimento e a vida do James no Canada e que testemunhem que ele não contraiu nenhum outro casamento, para além daquele que já estava mais do que analisado e estudado.

Quem é que, em Portugal, poderia dar esse testemunho?

O Sr. Padre explica-nos que estavam a surgir muitas situações de anulações de casamentos por causa de estrangeiros/emigrantes omitirem terem sido já casados pela Igreja. Neste caso, já não se colocava a questão do anterior casamento do James, mas sim de outro possível casamento que ele pudesse ter contraído.

Surgiu só uma e única possibilidade: a família da ex-esposa do James. São portugueses que estão a residir em Portugal, e que estiveram no Canada durante muitos anos. Acompanharam e conheciam a rede social de amigos da filha, e por consequência, o James.

Ele pediu à sua ex-sogra para vir prestar este testemunho à paróquia. Outra situação mais ou menos estranha. Estiveram presentes e prestaram-nos toda a ajuda possível. 

Tenho uma imagem, uma recordação muito forte desta altura, melhor, a uma semana do acontecimento: o domingo anterior. Estávamos na nossa casa, e tínhamos acabado de jantar, no nosso pátio.

Todos os dias desse mês, a nossa conversa era sempre a mesma e andava à volta disto tudo, e que mais poderíamos fazer.

O James, a determinada altura olha para o céu, e diz:

- Deus, eu tenho fé. Não faço mais nada. Acabou. Mas eu confio em si e sei que daqui a uma semana vamos casar.

 

Na terça-feira o nosso padre deu-nos a boa notícia. Ficamos muito felizes!

Mas fiquei preocupada, pois no domingo iria haver outro batizado e essa família poderia não gostar muito que, na mesma cerimónia, para além dos dois batizados, acontecesse um casamento. Um casamento absorve uma parte da Eucaristia. 

Na quarta-feira fomos à paróquia para uma reunião e encontrámos a outra família, os pais da Margarida. Falamos com eles e pedimos muitas desculpas. Eles foram muito simpáticos connosco, e aceitaram esta novidade em cima da hora.

E agora? 

Eu ía casar... Tinha que ter vestido branco? Um ramos de flores? Estávamos a 3 dias. Tanta coisa para pensar e fazer. A família a chegar. Eram tantos os detalhes e pormenores que aqueles dias tornaram-se mirabolantes! E com toda a confusão, não conseguimos avisar a família e os amigos mais próximos da grande novidade. Ninguém estava a contar. Foi uma grande surpresa, à medida que a Eucaristia se desenrolava.

Falei com a Teresa Powel sobre todos estes pormenores de ultima hora. Ela fez-nos uma sugestão: consagrarmo-nos a Nossa Senhora. Nós consagramo-nos, e oferecemos o meu ramo a Maria.

Foi, depois de várias "espécies" de casamento que tive, o casamento menos "planeado" mas o mais bonito, o mais completo, o mais intenso e o mais importante.

Mas para mim também foi uma grande lição e uma grande prova de fé do meu marido. Um homem que, tal como os outros homens, tem dificuldades na expressão dessa mesma fé, mas que, apesar disso, não significa que não não tenha uma relação íntima com Deus.

Meu Deus, como tenho de ajoelhar-me e louvar-te, pois és grande na tua compaixão e no teu amor!

 

Aqui ficam as fotos...

 

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25
Jun15

O meu marido perguntou: ... e os gays?

Helena Le Blanc

Um destes dias...

Cheguei a casa e comecei a preparar o jantar. Coloquei, através do telemóvel, um programa audio.

Ouvi cerca de 20 minutos o Greg Willits (para ouvir - em inglês - clicar na frase "Free Talk...", preencher os dados e escolher fazer download ou guardar o link) sobre as 10 lições ou os 10 erros que ele cometeu na sua atividade, o seu testemunho de fé através das novas tecnologias.

Pausa.

 

Ainda só estava na primeira lição e já tinha a cabeça cheia de pensamentos e dúvidas. Decidi, em imediato interpelar o meu marido. Ele estava ali, à mão, e poderia-me ajudar.

E assim começou a conversa... 

 

O meu propósito, com o blog, é claramente dizer às pessoas que, se derem um bocadinho de atenção a Deus, ele fará maravilhas nas suas vidas. Expliquei isto ao meu marido. Nós somos felizes, e gostaria que os outros fossem felizes, tal como nós. Não quero guardar "a galinha dos ovos de ouro" só para mim (para nós). Não perco nenhum desses "ovos de ouro" se disser, a todos os ventos, qual é o nosso segredo.

Como é que eu posso saber se estou a atingir o meu objetivo? E se não estiver e for tudo tempo perdido? Porque se for, terei que parar e repensar, e perceber qual é o (meu) caminho.

Conversa puxa conversa....

 

Acontece tantas vezes as pessoas terem ideias erradíssimas da Igreja. Ideias preconcebidas e completamente descabidas. Aceitam-nas como verdades, e não procuram saber porquê. Bastaria pelo menos perguntar se assim é (ou não)!

Eu sou católica e tenho imensas dúvidas. Todas as semanas faço descobertas. No entanto, apesar dessas incertezas, o meu coração sabe qual é a única verdade: Deus é o meu Pai.

É como a velha questão de que o preto é preto, e o branco é o branco. Isto para mim não há duvidas. Mas não invalida que eu tenha perguntas sobre a pigmentação, a concentração, ou o ser mais claro ou mais escuro, ou com que tipo de matéria se faz o preto e o branco, etc... 

E a conversa desembocou em....

 

-" .... e os gays? a história da homossexualidade?" -  O meu marido lança para cima da mesa esta questão.

Já estávamos a jantar.

Ele diz-me que a Bíblia fala claramente desta questão.

Eu fiquei a olhar para ele. Ele explica que, apesar de ser uma temática destes últimos séculos, na época também existia esta realidade. Sabemos que no tempo dos Romanos, era uma pratica as relações homossexuais. Até aí tudo bem, sim! E...

Procurou a passagem da bíblia e leu:

"De facto há homens castrados (eunucos), porque nasceram assim; outros, porque os homens os fizeram assim; outros ainda castraram-se por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, que entenda!" (MT, 19, 12)

 

Depois continua dizendo que lhe parece que a igreja descrimina e não aceita os homossexuais.

Eu retorqui negando. Essa é uma daquelas ideias erradas generalizadas. Ele diz que há cristãos que pensam e acreditam ser assim.

A Igreja não descrimina ninguém. Aceita os homossexuais. São pessoas iguais ás outras e bem vindas, como são as mulheres, os homens, as crianças, os solteiros, os casados, as pessoas de cor, as pessoas sem cor, os divorciados, os viúvos, os morenos, os louros, os ruivos, os barbudos, os carecas, etc...

A questão está nas nossas acções. Nós, aos olhos de Deus, valemo-nos pelas nossas ações.

Essas ações, para cumprir com a nossa missão, deverão ser pautadas por regras presentes na mensagem de amor de Jesus, na Bíblia, nos mandamentos da Igreja, etc... Essas regras existem para nos proteger e ajudar. As leis (regras da justiça) existem para nos proteger e ajudar. O código da estrada (regras rodoviárias) existem para nos proteger e ajudar.

A Igreja não permite sacramentar um casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.

No entanto...

Se um homossexual mantiver-se casto, como é pedido às pessoas casadas, às pessoas solteiras, às pessoas consagradas, às pessoas divorciadas, e oferecer esse controlo e sacrifício a DEUS, está a cumprir a sua missão e a caminhar em direção à santidade (outro conceito habitualmente mal entendido).

Se uma criança diabética mantiver-se longe dos doces, como é pedido a todos os diabéticos, a todas as pessoas com problemas de obesidade, a todas as pessoas com problemas de "n" de doenças, está a cumprir a sua missão e a caminhar em direção à santidade.

  

Definição de alguns conceitos:

 

Castrado (eunuco) - é um homem que teve os testículos e/ou o pénis removidos. No sentido figurado o termo é usado com o significado de “estéril”, “impotente”, “fraco” ou “inútil”. 

 

Homossexualidade -  relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominantemente, por pessoas do mesmo sexo. "Os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados", contrários á lei natural (2357 do Catecismo da Igreja Católica).

 

Castidade - É ser fiel à nossa natureza biológica, independentemente das atrações que se sente, e para com as nossas escolhas, tenham sido sacramentadas ou não. Para isto pressupõe uma aprendizagem do domínio de si mesmo. Às pessoas casadas pede-se a vivência da castidade conjugal, de maneira como a lei moral determina; às pessoas celibatas pede-se a vivência na continência. O celibato consagrado, ou seja os religiosos ou leigos consagrados, é a dedicação exclusiva a Deus. Não quer dizer ser um solitário ou eremita. Aliás a castidade expressa-se na amizade ao próximo, desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou sexo diferentes (2337 a 2363 do Catecismo da Igreja Católica).

 

Foi uma surpresa, para mim, na hora de jantar estarmos a falar das coisas de Deus.

Nós aprendemos mais alguma coisa naquela noite...

 

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