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as surpresas de DEUS!

Aprendemos, vivemos e partilhamos a nossa Fé.

as surpresas de DEUS!

Aprendemos, vivemos e partilhamos a nossa Fé.

01
Mar19

Família: não há tempo!

Helena Le Blanc

Facilmente, com amigos, colegas de trabalho ou desconhecidos, a conversa bate no problema do tempo e no problema das crianças e/ou adolescentes de hoje em dia:

- o tempo passa a correr;

- não há tempo para nada;

- os pais não têm tempo para as crianças;

- as crianças não têm atenção dos pais;

- os pais não dão atenção aos adolescentes;

etc...

Tempo, crianças, adolescentes, atenção. 

ATENÇÃO.

É uma palavra que representa todo um universo de dificuldades! Muitas dificuldades.

O dia é curto para o tanto que tempos de fazer: trabalho, lidas domésticas, obrigações financeiras, tempo pessoal para relaxar (ver televisão, um filme, ler um livro, estar no computador, no facebook, etc)...

Se sou mãe ou pai, que é o caso, então a coisa complica-se: jantar e ou almoço obrigatórios (não dá para resolver a coisa com umas sandes ou uma salada), trabalhos de casa, banhos, etc.... E para não falar das atividades extra-curriculares e a correria para os levar aqui ou acolá...

E ainda se pode complicar mais quando um dos progenitores não está todos os dias em casa ou há alguém doente na família... e... e... pois!

É muito complicada a vida! Muito!

Facilmente o tempo passa a correr e não sei como arranjar tempo para o filho, para o marido quando eu preciso de tempo para mim pois estou cansada, nervosa, estoirada, sem paciência!

Dar atenção ao meu filho! Como? Quando? Onde? É difícil. 

 

Graças às Famílias de Caná, fomos aprendendo a fazer um pouquinho melhor, se bem que temos altos e baixos. Ora corre bem ora corre mal. Mas não desistimos. Voltamos a tentar e a recomeçar.

Partilho convosco duas aprendizagens:

 

- rotinas, são de ouro! Estabelecem limites, servem para responder às necessidades básicas obrigatórias e ainda são um alívio para o nosso cérebro porque podemos ligar o piloto automático;

- regras, são de ouro! Acordadas pela família aplicam-se para os momentos que sobram.

 

Exemplo de duas das nossas regras:

- Fazer os trabalhos de casa quando chega da escola: português é com a mãe, matemática com o pai.

- Depois de jantar é o momento da família.

Se a rotina correr bem, às 20h00 estamos a terminar de jantar. Das 20h00 às 20h45 temos todos os dias um momento familiar, ou seja, estamos juntos a fazer alguma coisa, sem ecrans. São 45 minutos diários a família dá atenção à família.

Às 21h00 é hora de deitar para o mais novo.

Mas fazer o quê nesse momento de família? Temos interesses tão diferentes (adultos, crianças)! Uma das coisas que nos ajudou, especialmente no início, foi fazer um puzzle. 

Um puzzle pode ser uma atividade divertida, relaxante, animada, concentrada, viciante, interessante e que vai ao encontro das diferentes idades.

Eu comprei um puzzle que nos manteve ocupados durante dias e dias... meses... O primeiro foi um de 2 mil peças.  Apesar do Xavier ser muito novo  ele esteve à altura mas aprendemos a lição: continuamos nos puzzles mas de 500 peças. Comprando pela internet, conseguimos puzzles na ordem dos 10 euros cada já com o transporte.

Há uns dias acabámos de fazer este:

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Depois do puzzle concluído, desmanchamos e guardamos. Daqui a um ano ou ano e meio voltamos a repetir. Esta é uma das atividades favoritas cá em casa.

Outra coisa que também funciona connosco é jogar. Adoramos jogar à volta da nossa mesa de jantar. Temos vários jogos que nos divertem muito. 

Apesar de muitas vezes estar de rastos eu esforço-me por participar e cumprir (a regra do tempo familiar). Acabo o tempo familiar sempre bem disposta e alegre. 

Experimentem. Pode ser que também resulte convosco.

 

PS - Cá em casa depois das 21h00 é TEMPO LIVRE para os adultos! Yupi! 

16
Set17

A Fé traumatiza a criança?

Helena Le Blanc

De vez em quando assaltam-me algumas duvidas quando vejo pequenos sinais da nossa Fé no meu filho.

Por exemplo, neste verão ele esteve com uma jovem amiga durante uma semana cá em casa. Brincou muito com ele e fizeram diversas atividades. Em alguns dias, quando chegava a casa, tinha surpresas à minha espera:

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Bem, neste caso foi uma surpresa para o Pai, a sua prenda de anos.

Mas tive mais, por exemplo esta:

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Entre outras, o que chamou mais atenção foi isto:

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Nessa noite o nosso canto de oração ficou assim:

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Como é que um menino de 4 anos tem estas iniciativas? Porque a sua família tem muito presente a sua Fé no seu quotidiano e na sua casa.

Mas é normal este tipo de iniciativa? Será saudável que a criança seja rodeada assim de tantos sinais e vivências?

São as tais dúvidas que de vez em quando me assaltam. Não irá ele um dia ficar "enjoado", "farto", "traumatizado"?

Quando as crianças têm este tipo de iniciativas normalmente foi porque o Catequista, o Padre ou outro adulto pediu. Mas o meu filho lembrou-se de escrever também o nome de Jesus numa pedrinha, tal como tinha feito já com os nossos nomes, e colocar no nosso canto de oração porque na nossa família o Pai, a Mãe, a televisão, os brinquedos, a patrulha pata, etc.. têm a mesma importância que têm Jesus, a nossa Fé, a nossa Oração, o nosso Deus. Tudo é importante, um bocadinho de cada, sendo certo que os valores que Deus nos pede para vivenciar, ensinados por Jesus Cristo, terão que ser o mais importante de tudo. Isto chega-nos através de desenhos animados adequados, brincadeiras, jogos, histórias... por ex. as histórias da bíblia que são tão boas como as histórias "tradicionais".

Isto é o que eu acredito apesar das minhas dúvidas (típicas de mãe).

A nossa casa têm coisas que nós gostamos. Um exemplo disso é a cor verde com que pintamos o interior da nossa casa. E se eu amo Deus tenho que necessariamente expressar isso nas coisas que me rodeiam, seja em minha casa, no meu carro, na minha carteira, nos meus livros, no meu facebook...

O meu filho vai absorvendo inconscientemente todos estes sinais, e como tal vai fazendo sentido para ele a nossa Fé, já que vamos à Missa todos os domingos, benze-mo-nos todos os dias com água benta, agradecemos as coisas boas do dia, rezamos Avé-Marias e Pai- Nossos (neste caso ele é o encarregue de contar), lemos histórias da bíblia, temos a Cruz da nossa salvação cá em casa, etc...

Outro exemplo que me ocorre: os clubes de futebol. Cedo as crianças sabem qual o club favorito dos pais e aprendem a "torcer" por esse club. Para os rapazes faz sentido particarem futebol porque esse desporto, esse gosto, está presente (de diversas formas) na família. As crianças ficam traumatizadas por causa do futebol? 

Num dia destes, e junto de um casal amigo com quem ele passou o fim de semana, ao ver uma cruz alta na estrada fez o seguinte comentário:

 

- A minha mãe iria gostar muito desta cruz!

 

E isto é um comentário saudável, não de uma criança "traumatizada" pelos pais e pela sua vivência na Igreja Católica.

Por isso é que, em tempos de reinício de catequese, sinto-me muito triste quando percebo junto das crianças que a catequese não faz sentido para elas. Percebem o que se diz e ensina, mas não têm nenhum resultado pratico nas suas vidas porque a família não vive a sua Fé. 

A missa, a catequese, os ensaios para a Primeira Comunhão e Crisma, etc... tudo isso é difícil para as crianças e jovens porque quando olham para os seus pais, verificam que o que andam a fazer são formalidades e festas, e é assim que vão aprendendendo o que quer dizer "hipocrasia", "mentira", "estar no social", "beleza"... Por sua vez os adultos vão se queixando como são os jovens de hoje!

 

Confio em Deus completamente. Sei que o seu amor por nós é inamaginável (para os nossos sentidos humanos), e que vai estar sempre ao lado do meu filho, nos bons e maus momentos eternamente. Porquê?

Porque Deus pensou-o, criou-o e entregou-me no meu seio. Ele era seu filho antes de ser meu. Eu faço o meu papel de mãe, de guardiã do tesouro mais precioso ao cimo da terra. Mas tenho que fazer mais para além disso: tenho que lhe dar a conhecer o seu verdadeiro Pai, a verdade da sua existência!

 

"Sim! Pois Tu formaste os meus rins,

Tu me tecestes no seio materno.

Eu te agradeço por tão grande prodígio,

e maravilho-me com as tuas maravilhas!"

 

(Salmo 139/138 - É Deus quem revela quem somos)

16
Jan16

As palavras mágicas!

Helena Le Blanc

Numa destas manhãs, o Xavier saiu de casa com uma colher de pau.

Quando era bebe, ele engraçou tanto com as colheres de pau que era frequente vê-lo com uma.

Perdeu várias. Compramos muitas.

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À medida que foi crescendo os objetos iam mudando, mas sempre com o mesmo hábito: na maior parte dos dias sair sempre de casa comum objeto de casa, normalmente da mamã (tacho, testo, sertã, etc..). Só depois dos 2 anos é que começou a levar brinquedos seus.

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Eu permitia. Como nunca quis chupeta, percebi que esse seria o seu objeto de "compensação".

No entanto, e depois de feitos 3 anos, calculo que, mais dia ou menos dia, a Educadora irá (necessariamente) falar comigo sobre isto. E percebo perfeitamente porquê. Comecei a tentar desincentiva-lo a levar o brinquedo para a escolinha. Havia dias que a minha "manha" ou metodologia funcionava e ele aceitava bem, outros dias fazia birra e outros simplesmente eu deixava.

Mas, num destes dias decidi que não poderia mais facilitar. Preparei-me para birras durante vários dias.

Coincidiu ser o dia que ele novamente "se lembrou" da colher de pau.

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Durante a viagem, até à escolinha, iniciei o meu diálogo. Informei-o que teria que deixar a colher no carro, e expliquei-lhe o porquê: poderia aleijar os ouros meninos, poderia estragar acidentalmente a colher de pau, ou com ela partir um vidro ou outra coisa, etc... 

Ele, em contrapartida ouvia e resistia, preparando-se para fazer birra!

Respirei diversas vezes fundo, estacionei, tirei-o do carro e... de repente eu (sem saber) disse as palavras mágicas: Xavier, os meninos ficam tristes porque tu tens uma coisinha e eles não!

Ele olhou para mim muito sério e... guardou a colher de pau num sítio do carro. Depois dispôs-se a ir para a escolinha sem birra ou desagrado.

Eu fiquei, no mínimo, surpresa.

Nos dias seguintes, aconteceu a mesma coisa, com a diferença de ter demonstrado mais resistência num deles, mas depois ele acabou por ceder e sem birra, mas sempre com este "argumento mágico": os meninos ficam tristes!

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Como uma amiga me dizia no outro dia, no facebook, afinal nós (adultos) é que temos a mania de complicar tudo!

Porque raio é que não foi esse o meu argumento desde o início? Tão óbvio, tão simples e tão "certíssimo"!

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