Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

as surpresas de DEUS!

O nosso diário: aprendemos, vivemos e partilhamos a nossa Fé.

as surpresas de DEUS!

O nosso diário: aprendemos, vivemos e partilhamos a nossa Fé.

30
Dez15

Jubileu da Misericórdia: o que é um Jubileu?

Helena Le Blanc

No dia 8 de Dezembro de 2015 começou o Jubileu da Misericórdia.

Terminará em 20 de Novembro de 2016.

 

É difícil alguém até agora ainda não ter ouvido falar disto. 

Mas afinal, o que é um Jubileu?

Não sei. 

Uma das minhas atividades do advento foi procurar responder ao que eu não sabia sobre este Jubileu da Misericórdia.

 

Pelo que percebi, das minhas investigações (rápidas), esta coisa do Jubileu não é nova! Vem do tempo dos hebreus (o povo onde nasceu Jesus), em que o jubileu era uma festividade onde se comemorava o perdão das dívidas, das culpas, da servidão. De 50 em 50 anos eles faziam uma festa de perdão, onde estabeleciam acordos de recomeço e reinício.

Engraçado! Perdoavam-se uns aos outros...

Também festejavam o fim da servidão. Os escravos que regressavam às suas terras, já não eram servos e escravos dos homens, mas apenas do seu unico Criador, o proprietário original.

Este ano jubilar começava com o toque de uma trombeta. A lei (escrita da Tora dos Judeus), para além de prever a libertação dos moradores do país, e a devolução das propriedades, também previa a abstenção de qualquer trabalho agrícola, declarando o ano sagrado.

Era um ano de Festa, de Perdão, de Paz, de Reconciliação, de Graça Divina!

 

Jesus, numa das suas passagens, vai a uma Sinagoga no dia de sábado e lê o seguinte trecho das Escrituras (nosso Antigo Testamento):

"O Espírito do Senhor está sobre mim, por isso ele me ungiu e me mandou anunciar aos pobres uma mensagem, para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a recuperação da vista, para colocar em liberdade os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor. "(Lc 4, 18-20)

 

A Igreja Católica decidiu celebrar Jubileus de 25 em 25 anos. No entanto, temos Jubileus que são chamados de "extraordinários" e que não obedecem a este intervalo de tempo. São decididos pelo Papa, e que é o caso do atual Jubileu da Misericórdia.

No Jubileu o Papa concede aos católicos indulgências plenárias (remissão plena das penas temporais, perdão). Também procurei saber sobre isto, mas fica para um futuro post.

 

Na nossa história tivemos já 26 Jubileus. Ficam aqui os que, no meu ponto de vista, foram os mais interessantes:

 

  • Ano de 1300: O primeiro Jubileu da História pelo Papa Bonifácio VII. Trouxe a Roma um número excecional de peregrinos, para veneração aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo e à relíquia romana, a da Verónica que representa o rosto sofredor de Jesus na sua Paixão. O Papa decidiu que os Jubileus realizar-se-iam de 100 em 100 anos.
  • Ano de 1350: Um Jubileu sem Papa em Roma. O Papa Clemente VI  encontrava-se em exílio. Foi pedido um Jubileu extraordinário para 135 com uma periodicidade mais breve, isto é, de 50 anos por causa do antigo costume dos hebreus dos 50 anos. Este acontecimento jubilar seria uma ocasião oportuna para o regresso do Papa ao Vaticano. Mas mesmo assim o Papa não regressou.
  • 1400: A peregrinação penitencialO Papa Bonifácio IX decidiu celebrar o Jubileu nesta data, depois de 50 anos do último. A Igreja estava dividida. Existia um Papa e um antiPapa. Neste Jubileu teve início um novo tipo de peregrinação penitencial, sob o lema de "Paz e Misericórdia".
  • 1450: O Jubileu dos Santos. O Papa Nicolau V, considerado o primeiro papa humanista, convocou este Jubileu que teve uma adesão excecional do mundo católico. Neste estiveram presentes, além de outros, Santa Rita de Cássia e Santo Antônio de Firenze. Este último definiu o Jubileu como o "Ano de Ouro", para indicar a restabelecida unidade da Igreja do Ocidente.
  • 1475: O Jubileu também chamado Ano Santo. A periodicidade dos jubileus passa a ser de 25 anos. O Papa Sisto IV suspendeu as  indulgências fora de Roma. As Bulas, as intenções e as orações a recitar nos lugares sagrados foram pela primeira vez escritas pela imprensa. 
  • 1500: Em São Pedro abre-se a Porta Santa. Este jubileu representa uma passagem não só para um novo século mas também a abertura para um mundo mais vasto (a América tinha sido descoberta há 8 anos). O Papa Alexandre VI  usa um novo rito: a abertura da Porta Santa, na Basílica de São Pedro. A passagem através da Porta Santa tornou-se um dos acontecimentos mais importantes do Ano Santopapa-inicio-ano-santo.jpg
  • 1525: O Jubileu da crise religiosa na Europa. Foi um Jubileu num tempo de conflitos religiosos (Martinho Lutero) e políticos. Pedia-se uma Reforma da Igreja. Roma foi  invadida e saqueada pelas tropas imperiais de Carlos V.
  • 1575: O acolhimento dos peregrinos. O Papa Gregório VII preparou este Jubileu com particular cuidado e austeridade. Na vigília do Ano Santo pediu aos cardeais um novo estilo de vida para edificar os fiéis.
  • 1625: O Jubileu é também para os doentes e presos. Em 1618 explodiu a guerra dos Trinta Anos. O Papa Urbano VIII proibiu as pessoas de trazerem armas e de usarem de violência. Uma epidemia de peste deflagrou no sul de Itália. Pela primeira vez os efeitos espirituais do Jubileu foram estendidos àqueles que, por motivo de saúde ou de prisão, não pudessem chegar até Roma.
  • 1675: A colunata de Bernini acolhe pela primeira vez os peregrinos. O Papa Clemente X canoniza a primeira santa da América do Sul, Santa Rosa de Lima. Na  5ª feira Santa o papa  lava os pés a 12 pobres, servindo um jantar a dez mil pessoas.
  • 1700: O Jubileu no século das luzes. O Jubileu foi aberto por Inocêncio XII que  morreu antes do fim daquele ano. Sucedeu-lhe o Papa Clemente XI. Muitos peregrinos chegaram a Roma para o Jubileu. Entre eles a rainha polaca Maria Cristina, que entra na Basílica descalça e com traje de penitente. "A multidão continua a passar de joelhos pela Porta Santa de São Pedro com tal afluência que ainda não consegui abrir caminho para entrar".
  • 1725: O Ano Santo do resgate dos escravos. O Jubileu foi fortemente marcado pela figura do Papa Bento XIII, que promoveu um sínodo e estabeleceu uma série de normas. Ele percorre as estradas em humildes carroças, falando com devoção durante o percurso e passando dias inteiros em oração. O Papa quis que a pregação fosse cuidada nas várias Igrejas de Roma e para esse fim chamou os mais famosos pregadores do tempo. Um fato significativo foi o acolhimento fa 370 escravos resgatados no Ano Santo.
  • 1825: O único Jubileu dos oitocentos, celebrado entre dificuldades. O Jubileu não foi celebrado por causa das profundas perturbações que a Europa atravessava depois da Revolução Francesa.  O Papa que deveria convocar o Jubileu morreu em exílio. O ano Jubilar passou sem a sua abertura. Num tempo de Revoluções liberais e de conspirações, cada viajante é olhado com suspeita. Contudo o Papa Leão XII o quis e o realizou. Faz referência às dificuldades mas, ao mesmo tempo, estimula a celebração do jubileu com alegria. Concede indulgência àqueles que veneram um dos Ícones mais antigos do mundo (Nª Sª da Clemência, do século VII).
  • 1925: O Ano Santo da Pacificação e da Paz. É a definição do Jubileu proclamado pelo Papa Pio XI num clima de renovada reconciliação.  O Papa dá um cunho missionário, visto que as missões constituíam um dos grandes temas do seu pontificado. 
  • 1950: O Jubileu " do grande retorno e do grande perdão". O Papa Pio XII abre o Ano Santo num ambiente carregado de tensões e com feridas da Segunda Guerra Mundial ainda não saradas. Uma mensagem de Paz foi incluída no Jubileu. Era o ano do "grande regresso e do grande perdão" de todos os homens, também dos mais afastados da fé cristã. 
  • 1975: O Jubileu da Reconciliação e da alegria Tem ainda sentido a celebração do Jubileu? Todos faziam esta pergunta no pós-Concílio. O Papa Paulo VI sentia estes problemas, mas decidiu não interromper a tradição dos Jubileus
  • 2000: O Grande Jubileu. Celebrou os 2000 anos da Encarnação. O Papa João Paulo II encomendou a construção do Sino Jubilar 2000 para os jardins do Vaticano.abertura_da_porta_santa_francisco.jpg
  • 2015: Jubileu Extraordinário da Misericórdia. No dia 08 de Dezembro de 2015, foi aberta a Porta Santa no Vaticano com a presença de dois Papas na Cerimónia (um fato inédito na História da Igreja). 

images (1).jpg

A tradição do Jubileu é longa, e a abertura da Porta Santa também. A novidade deste Jubileu foi não somente a abertura das Portas Santas das Basílicas de Roma mas pelo mundo inteiro. Mas isto fica para um futuro post.

Jubileu, ano de Alegria, de Paz, de Perdão, de Recomeço...

Um Ano Santo... 

Sigam-me

Comentários recentes

  • Anónimo

    Regular updates to the countdown to the Day of the...

  • Helena Le Blanc

    Ola!Obrigada Sr./Sr.ª Desconhecido(a).Vou dar notí...

  • Anónimo

    Mudou-se para o sapo e nunca mais escreveu?Dê notí...

  • Bruxa Mimi

    Boas leituras, Lena!Bjs,Mimi

  • Anónimo

    Bela ideia! Acho que o senhor padre este ano quer ...

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Mais sobre mim

foto do autor