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as surpresas de DEUS!

Aprendemos, vivemos e partilhamos a nossa Fé.

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10
Set17

Recomeçar mais uma vez (e as vezes que forem precisas, certo?)

Helena Le Blanc

A (minha) preguiça acabou e as férias também acabaram, para muitos e por agora.

Este mês de Setembro, cá em Portugal, é o mês do recomeço das aulas escolares, das atividades, da compra dos manuais escolares, do material da escola, de pagar inscrições, de comprar roupa específica, de preencher o calendário com os novos compromissos semanais, enfim de muita coisa.

Quem estuda e/ou têm filhos sente mais toda esta azafama, e que foi o meu caso se bem que de forma mais ligeira já que só tenho um filho. Este mês foi também um mês de recomeçar e solidificar algumas coisas dentro de mim.

Mas isto carece de uma pequena introdução.

 

Há cerca de um mês atrás fui invadida por uma grande dúvida: porque é que eu estava a ser tão disciplinada na minha vida espiritual? 

Eu rezava um terço todos os dias, fazia meditação e contemplação pelo menos duas vezes por semana, rezava em família todos os dias, andava a ouvir diversos programas catequéticos, lia a bom ritmo livros interessantes, etc; até que num vídeo do Padre Sousa Lara ouvi uma coisa que me deixou preocupada. Quando as pessoas se convertem e se aproximam do nosso Criador começam a sentir desafios sérios, pois o mal não quer que nos aproximemos de Deus. Quando estamos longe de Deus o mal não nos tenta, quase que nos deixa em paz porque já fomos ganhos para o seu lado. No entanto quando, por graças especiais, começamos a aproximar-nos o mal arregaça as mangas e começa uma guerra connosco, uma guerra íntima no nosso coração, daquelas que ouvimos duas vozes. Isto é o combate espiritual.

Claro que há combates espirituais que são verdadeiras guerras nucleares. A minha, pequenina, já foi difícil!

 

Retomando, ouvi e ao refletir percebi repentinamente que alguma coisa estava errada comigo pois eu não me sentia tentada em especial, para além dos (muitos) defeitos da minha própria natureza. Mas seria presunção da minha parte? E eu continuava com a duvida (interiormente aflita).

Na minha vida, Deus começava a estar cada vez mais presente, mesmo através dos hobbys. A presença d´Ele, nos últimos 3 meses, era contínua e até crescente!

E o que é que aconteceu a seguir?

 

Passadas 2 semanas apercebo-me que (não sei muito bem como) eu tinha parado com tudo. Tudo mesmo. Eu estava a ocupar todo os meus tempos a ver uma série do Netflix que prendeu-me completamente. Incrível como é que isto aconteceu. Vi cerca de 3 temporadas, com cerca de 20 episódios cada. Foi repentinamente e sei que eu tivesse dado conta.totalmente inconsciente.

Não é que nunca me tenha acontecido nada semelhante, o ficar mais entusiasmada com alguma coisa, mas desta vez foi tão "arrebator" que me assusta (ainda hoje).

 

Mal me apercebi comecei a tentar reverter o processo refletindo e dando um passo de cada vez.  Foi lento e difícil. Fui-me disciplinando pouco a pouco diminuindo o tempo da visualização da série e recomeçando as minhas praticas.

A determinada altura fiquei muito chateada com Deus, especialmente por na missa ter ouvido isto: "Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. Assim também eles desobedecem agora, de modo que, devido à misericórdia obtida por Vós, também eles agora alcancem misericórdia. Efetivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos." (Rom 11, 30-32)

 

Porque é que nós humanos temos que ser assim fracos? Porque é que é assim? Porque é que tinha que ser assim tão difícil? Porque é que eu me tinha perdido?

 

A verdade é que nós, obra do criador, éramos a sua melhor criação até ao dia em que o homem arrogantemente achou que não precisava de Deus e que ele próprio poderia ser Deus. O anjo preferido de Deus, melindrado por esta nova criação, aplaudiu de camarote. Caímos em desgraça. Fruto dessa queda ficámos "imperfeitos" tal como o telemóvel que depois de uma valente queda continua a funcionar mas com imperfeições. No entanto ao contrário deste cujo final é um desmantelamento de peças, o homem pode descansar eternamente nas mãos do seu Criador se, pela intercessão dos seus irmãos, disser SIM com confiança e alegria (tradução: um sorriso, um ligeiro aceno de aceitação- assim treina-se a confiança com os gestos físicos - e não ficar a matutar nas consequências, sejam elas quais forem).

Concluindo, Setembro tem sido para mim também um mês de recomeço e de avaliação. Ainda não retomei tudo mas têm surgido novidades e é por isso que, apesar da paragem, considero positivo já que que surgiram coisas muito boas neste caminho de regresso. Um regresso pode ser um saco de imensas boas surpresas.

Assim, recomecei mais uma vez das tantas que este blog já testemunha!

Um bom resto de fim de semana para todos vocês.

 

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25
Ago16

Eu herdei o pecado original

Helena Le Blanc

"A humanidade não é má por natureza, nem uma fonte de mal"*. Foi criada à semelhança de Deus, cheia de bondade e perfeição.

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No entanto, há um pequeno (grande) pormenor que a humanidade não soube gerir: escolher. A humanidade não teve a sapiência necessária para identificar e tomar o melhor caminho.

A capacidade de viver e de tomar decisões, oferecida por Deus, foi a nossa "perdição".

O caminho é aquele que leva diretamente a Deus. A felicidade total, a realização plena, só pode ser encontrada junto da sua essência. A obra só encontra o seu verdadeiro lugar junto do artista, do seu criador. Só em Deus é que a humanidade encontra o seu ninho para descansar.

"A humanidade não existe como uma criatura autónoma, mas para a comunhão com Deus".*

Pecado original - ato voluntário da humanidade para separação de Deus.

Todos os homens e mulheres, feitos de carne e de espírito, infelizmente, têm esse "handicap" natural. Eu, tal como os outros, herdei o pecado original. Nasci com "esta decadência física e moral, tal como a morte do corpo físico, a doença, a dor, o medo, a alienação e a solidão."*

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Pecado original - "É o estado de privação da santidade e da justiça originais. É um pecado por nós contraído e não cometido; é uma condição de nascimento e não um ato pessoal. Por causa da unidade de origem de todos os homens, este pecado transmite-se a todos os seres de natureza humana, não por imitação mas por propagação (quase que diria uma "contaminação de ADN", se é que isto se pode dizer). Esta transmissão permanece um mistério que não podemos compreender plenamente."**

 

Normalmente os textos cristãs referem-se à humanidade como os descendentes de Adão, ou seja, todos os seres vivos de natureza humana. Hoje sabemos que a história de Adão e Eva não é nada mais que uma história. No entanto é uma história muito bela e importante pois metafóricamente ensina-nos que a nossa origem e essência é divina. Também nos relembra que temos "a vocação da liderança responsável sobre toda a criação - seres vivos e não vivos - devendo evitar a sua exploração".*

Apesar desta herança, os meus pais, ao pedirem o meu batismo à Igreja, purificaram-me do pecado original e de todos os pecados pessoais até à data. Portanto a herança, o pecado original, desaparece com o batismo.

 

Aproveito para dizer que houve alguém com natureza humana que não herdou o pecado original: Nossa Senhora. 

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A humanidade, sujeita à morte física e à dor, é a causa da divisão e exploração. Os humanos, criados por Deus, são independentes de Deus, porque este assim o quis. No entanto porque achamos que poderíamos ser superiores a Deus caímos em desgraça. Somos mesquinhos, corruptos, conflituosos, egoístas, ou seja, "fragmentados e incompletos."*

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Nós não nos conseguimos entender, numa só linguagem, com os mesmos valores e objetivos.

Exemplo: a eleição presidencial para os Estados Unidas. Só existem dois candidatos, nada mais simples, certo? O país está dividido entre a Hillary Clipton e Donald Trump. Os americanos não se conseguem entender (e percebo perfeitamente)!

A humanidade é simultaneamente agressora e vítima de si própria. Não tem a capacidade de se salvar e de conseguir renovar a relação com Deus.  

Nunca irá encontrar o caminho para a comunhão com o seu criador.

Basta assistir a um noticiário televisivo para ter a certeza que nós, os humanos, não nos safamos.

 

Há solução?

O Pai ama os seus filhos (é o que nos vale).

Ele preparou uma ponte especial para a humanidade encontrar outra vez o caminho... para o seu regaço, para a santidade, para o reino divino. 

 

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Amiga/o, continua no próximo post.

 

* in "Cristianismo - Guia ilustrado dos 2000 anos da fé cristã", de Ann Marie B. Bahr, Editora h.f.ullmann, de 2009;

** in "Viver em Cristo, Manual de Catequese e Oração", Paulus Editora, 2014. 

 

 

15
Abr16

o nosso vizinho

Helena Le Blanc

Não é a primeira vez que falo dele!

Temos um vizinho muito especial!

Ele, desde o primeiro momento em que nos mudamos, mostrou-se muito curioso à cerca da nossa família. 

Aparecia e desaparecia.

O meu marido batizou-o: "wiglees".

E assim começou o nosso relacionamento.

Eu observava-o mas nunca lhe passei muita confiança.

O meu marido de imediato percebeu as suas necessidades.

Durante estes dois anos muita coisa de passou entre ele e nós. Houve aproximação (contacto), desconfiança (afastamento), curiosidade (interesse), ataque (territorial), coragem desmedida (entrada em nossa casa sem autorização), etc...

 

Ele é um gato.

Anteriormente já falei dos animais que temos na família, e não temos espaço para mais.

Mas este post é sobre pequenas coisas. A nossa missão passa por pequenas coisas, porque somos todos amados por Deus. Não é preciso gestos extraordinários para cumprir as expetativas do nosso criador, mas sim gestos de amor.5DBEB7E6-2F75-4374-92AE-78531858F9B0.JPG

O meu marido poderá não ter muitos conhecimentos doutrinários, mas o seu coração é o mais puro de nós os dois! E disso não tenho nenhuma dúvida. 

O James, apesar de saber que não há espaço para mais ninguém em nossa casa, não deixou de não assistir a este nosso vizinho, um ser vivo que merece respeito como qualquer outro ser vivo, criado por Deus.

Para além de lhe dar comida (mais baratucha do mercado mas seca, indicada para gatos), preparou-lhe um cantinho, no exterior da nossa casa, para que pudesse estar resguardado às intempérias. Ora vejam as fotos:

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Ele comprou na loja dos chineses uma caixa de transporte de cerveja, em esferovite. Depois, pegou numa velha t-shirt, cortou-a e usou-a como proteção da caixa de transporte.

Colocou uma pedra em cima para a caixa não estar suscetível ao vento.

O nosso vizinho gostou muito, e como tal passa muito tempo neste seu novo "nicho".

 

Pergunto eu:

Teria eu sido tão preocupada e generosa? Não.

Custou muito preparar este nicho? Não.

Foi muito dispendioso? Não. 

 

Não é preciso ser cristão para ser generoso.

Não é preciso ser rico para ser generoso.

Não é preciso ter especial estatuto para ser generoso.

Não é preciso ser heróico para ser generoso.

Não é preciso ser conhecido para ser generoso.

Não é preciso ser santo para ser generoso.

 

Quantas pequenas coisas poderei eu fazer e não faço? Muitas.

Quantas PEQUENAS coisas poderão fazer uma GRANDE diferença na vida de outros? Muitas.

Deus oferece muitas oportunidades para fazermos pequenas coisas, e nos encher de graças. 

 

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