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as surpresas de DEUS!

uma católica com sérias dificuldades no caminho da santidade!!!

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Reflexão: quaresma e confinamento = x

26.02.21, Helena Le Blanc

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Tempos incríveis estes, não é assim? 

O confinamento é difícil de se viver, em diversos aspetos e circunstâncias que todos bem sabemos.

A quaresma, para os cristãos, é uma época de introspeção, de maior sensibilidade às nossas imperfeições, de amplificação da  intimidade com Deus...

Agora juntem uma coisa com outra e: é hoje, o atual.

Eu confesso que tenho andado em modo "ON" sem parar para refletir sobre estas duas situações sobrepostas. Mas na última Eucaristia senti-me obrigada a pensar em tudo isto com maior cuidado. Desde lá que uma série de pensamentos e ideias (à mistura com alguns podcasts que tenho andado a ouvir sobre formação e desenvolvimento pessoal) têm andado aos solavancos na minha cabeça, de lá para cá e de cá para lá!

Tradicionalmente, os cristãos falam da quaresma como um deserto, um espaço seco e árido sem nenhum conforto ou bem-estar. Esta ideia é precedida pelo episódio da vida de Jesus em que viveu 40 dias no deserto em oração e intimidade com o seu Pai para tomar decisões. 

O confinamento, de facto, é um modo de viver que eu desconhecia. Ou seja, viver fechada em casa, em apoio aos filhos, em teletrabalho ou em trabalho presencial sem poder ir para mais lado nenhum (à excepção dos locais de saúde de urgência e de compra de bens essenciais), é obra!

Não há conforto ou bem estar!

Poderão existir vozes que dizem serem férias para muitos. Eu discordo. Mesmo esses muitos que não têm "pesos" ou responsabilidades de maior neste momento na sua vida, têm outras coisas que "alimentam" as suas vidas, como os amigos, as viagens, os passeios, os hobbys exteriores, etc...

Por isso acho que, de uma maneira ou de outra, todos sentimo-nos afetados pelo confinamento. Não comparo quem poderá ter, a vida mais difícil porque tenho a certeza que todos sentimos a mesma dor, da mesma forma e na mesma intensidade.

Por exemplo, eu vi o meu peso (e o meu corpo) a crescerem e não gostei nada. Percebi que no deserto em que vivo encontrei algum bem-estar e conforto em alimentos e também diminuta atividade física. Inconscientemente compensei.

A Quaresma é uma oportunidade para eu decidir fazer alguma coisa relativamente a isso.

Eu tenho o PODER DE DECIDIR, assim quis Deus dando-nos o livre arbítrio. No mandamento que Jesus nos deixou, percebo que, depois de amar a Deus em primeiro lugar, devo amar os outros com a mesma intensidade que me amo. Para mim isto é: primeiro Deus, depois EU e os OUTROS na mesma grandeza. EU TENHO QUE ME AMAR PARA DEPOIS AMAR OS OUTROS NA MESMA PROPORÇÃO.

E amar-me quer dizer tomar boas decisões para mim própria. Por exemplo diminuir o meu peso e aumentar a minha flexibilidade (para ter uma vida mais saudável e longitudinal com qualidade); melhorar as minhas características que incomodam a minha família, amigos e colegas de trabalho; dar mais valor às coisas tão boas que tenho na vida com  gratitude e menos exigência; acolher o AMOR que Deus têm por mim (e por cada ser humano) e testemunhar essa dimensão divina; etc...

Isto (a quaresma) obrigou-me a analisar a minha vida atual e perceber que esta é uma época de encontro comigo, com os meus valores e especialmente com DEUS. Não quero perder mais uma oportunidade. Cada dia é um recomeço, é um novo dia mas é também uma oportunidade perdida para se fazer melhor.

Como? 

Sentir-mo-nos no deserto é terrível! Tudo o que antes tínhamos, mesmo o que identificamos como mau, parece ser maravilhoso! Por exemplo, para resolver o meu problema de aumento de peso considerei a solução de recomeçar a fumar tabaco. 

Há muitas anos fui uma toxicodependente de tabaco. Digamos que durante 10 anos fui fumadora de tabaco sendo que nos últimos dois/três anos já consumia 2 maços emeio por dia. 

Se recomeçar - uma coisa que até à pouco tempo fugia a sete pés pelo efeitos no meu corpo e o quão difícil foi sair dest hábito aditivo - eu perderei peso rapidamente. 

Apesar do esforço que fiz para fazer mudança na minha vida passada, cheguei a considerar uma alternativa, uma solução, para corrigir uma coisa que estou odiar em mim.

Seria uma decisão, mas boa? Não. Mas a boa decisão, neste caso, implica esforço emocional e físico. E... em confinamento mais esforço emocional e físico?

Fiquei hesitante. 

A decisão está nas minhas mãos e não nos outros ou em Deus. Só eu posso decidir e fazer. Tenho ajuda? Sim, o Espírito de Jesus que está selado em mim!

Tomei a decisão mais difícil e... surpresa das surpresas, encontrei coisas boas que compensam o esforço emocional e físico. Afinal, meu esforço é somente manter a minha solução, não me deixando tentar por motivos e desculpas para parar!

O confinamento e a quaresma é uma dupla oportunidade, uma dupla de peso em diferentes níveis! Mas quanto mais difícil, maior serão as recompensas, não é assim?

Termino este longo desabafo dizendo que a nossa frase da quaresma já foi escolhida e colocada no canto de oração:

Encontramos-a na 2ª leitura da Eucaristia do Domingo passado - 1º Domingo da Quaresma: "Cristo morreu uma só vez pelos pecados - o Justo pelo injusto - para vos conduzir a Deus" (1 Pedro 3, 18).

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O nosso caminho quaresmal vai se compondo ao longo do tempo.

Eu não tinho tudo preparado e pensado desde o início, ainda mais que Deus providencia e ajuda. Há muito que me deixei desses "stresses". À medida que os dias vão passando, vamos fazendo um pouco mais, indo mais além.

 

Que Deus nos abençoe e ajude a ultrapassarmos estes tempos pandémicos, cinzentos da história humana.