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as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

Poderei eu, um dia, emigrar?

15.09.15, Helena Le Blanc

Eu sou filha de ex-emigrantes. Os meus pais estiveram na Suíça durante 23 anos. Eu vivi em Portugal e cresci com a minha avó materna mas estava com os meus pais nas férias.

Só a partir dos meus 8 anos (quando eles se legalizaram no país em questão) é que eu comecei a ir ter com eles nas férias do Natal e eles, por sua vez, vinham a Portugal nas férias do Verão. Mais tarde, comecei a ir também no Verão e, a metade das féria vinha com eles de carros até Portugal.

Tinha eu 26 anos quando os meus pais regressaram definitivamente e eu comecei a viver, a tempo inteiro, com eles.

Por causa desta experiência, tenho uma opinião e uma visão muito próprias relativo à emigração. Não poderei dizer que é positiva ou negativa. É (simplesmente) complexa, em especial quando há uma separação entre crianças e pais, pois daí poderá resultar um grande trauma afetivo e social. É de uma violência extrema esta separação.

 

O meu marido é Canadiano. Tenho, nos últimos anos, tido a oportunidade, nas visitas que fazemos à família, de conhecer melhor o CANADA. E é habitual perguntarem-me se "lá não é melhor?"

E a minha resposta é sempre a mesma: tem coisas boas mas também tem coisas menos boas. É uma realidade diferente, nem melhor nem pior. Simplesmente diferente.

 

Por ex.:

- Eles têm temperaturas menos ZERO (mau) e a neve (bom). Não têm a costa marítima "à mão de semear" (mau) mas o frio deles não é húmido (bom);

 

- Eles têm casas e espaços públicos aquecidos (bom) mas são todos muito parecidos e do mesmo estilo, construídos em grelhas certinhas e direitinhas que faz impressão (mau);

 

- Eles têm excelentes estradas (bom), mas com cruzamentos e sinais luminosos de 500 em 500 metros (mau). As multas de infrações rodoviárias são pesadíssimos e por isso toda a gente conduz calmamente (bom). Isto faz com que se demore imenso a chegar a algum lado (mau) e por isso os carros de alta cilindrada são mais baratos e mais confortáveis (bom) exatamente pelo tempo que se passa dentro deles;

 

- Eles têm meia hora de descanso para almoço e que o têm que compensar (mau), mas são muito rigorosos com os horários do início e de fim (bom). Têm duas a três semanas de férias por ano conforme os casos (mau) mas os impostos são menos pesados (bom);

 

- O dia útil é casa-carro-trabalho-carro-casa sem pararem em nenhum café ou na vizinha, porque não há mais tempo (mau). Não há ambientes públicos de convívio social, e por isso convivem em casa uns dos outros ou em almoços ou jantares nos restaurantes. Os cafés têm poucas mesas para sentar. Servem em copo transportável, para se beber no carro ou no autocarro (eu gosto por isso é um bom para mim). O álcool é muito caro (bom). Socializam também muito no trabalho e pelas redes sociais. Ao contrário do que se diz dos países desenvolvidos, são muito próximos da família nuclear e alargada (bom);

 

- As casas, com construções diferentes das nossas - usam muito a madeira - que eu gosto muito (bom), são mais pequenas e caríssimas! Por exemplo 3 quartos, sala de estar, cozinha, quarto de banho, arrumos e garagem custa, conforme a localização, por ex na periferia de uma cidade, meio milhão de euros (muito mau);

 

- Têm excelentes incentivos à maternidade, por ex. a licença de maternidade é 1 ano (bom) mas as creches (a partir dos 12 meses) é caríssimo (mau). A uma mãe com 2 filhos compensa desempregar-se e ficar em casa, pois o custo da creche corresponderia ao seu vencimento;

 

- Aplicam muito bem o dinheiro dos impostos nas estruturas comunitárias, em especial parques infantis e espaços de desporto. Em cada "bairro" existe pelo menos um parque infantil e 2 campos de jogos uma escola e pelo menos uma Igreja (muito bom). No entanto, para proporcionarem atividades de lazer em ambientes (fechados ou abertos) diferentes, têm que se deslocar durante bastante tempo (mau);

 

- As pessoas são muito bem formadas para o atendimento ao público. Em qualquer sítio só há um atendimento de excelência. Sentimos-nos únicos cada vez que somos clientes, seja do que for (muito bom). Também notei que são complicados burocraticamente como nós! (mau).

 

 

E tenho a certeza que há muito mais exemplos. Esta é a minha visão de visitante, em que nunca estive mais do que 2 semanas seguidas. Se estou errada em algum detalhe, ou se ofendo alguém, peço, desde já, que me corrijam, para além das minhas desculpas.

Poderia também fazer este simples exercício relativo à Suíça. Mas a minha conclusão seria a mesma: há coisas boas e maus. Não é melhor ou pior, mas diferente. E a diferença está no que é mais importante aos nossos olhos.

 

 

Concluindo, eu costumo a dizer isto a todos os pais que me dizem que estão a pensar em emigrar:

- As crianças são exímias na adaptação em ambiente diferentes. Nós, adultos, é que temos muitos problemas de adaptação. Mas se a família considerou essa hipótese, porque não encontra trabalho, ou apareceu uma proposta de trabalho muito melhor, ou por outra razão, pois existem mil e uma razões (a guerra - os refugiados), deverão amadurecer, ponderar muito bem e decidir. Mas deixo este alerta: as crianças adaptam-se mas não podem andar constantemente a mudar, tipo ping-pong. No entanto, o lugar delas é sempre junto dos seus pais. E com a ajuda de Deus, já encontrarão o seu caminho.

 

 

Poderei eu um dia emigrar?

Já disse ao meu marido que não conheço o país dele mas, se um dia ele me disser que é necessário e muito importante fazermos essa mudança, mesmo que eu não perceba ou veja todo o contexto, só terei que confiar nele, pois ele quer o melhor para a nossa família. E eu, antes de ser "Eu - pessoa", sou Eu - família". A família vem em primeiro lugar.

E esta é uma das duas grandes surpresas de Deus deste post: eu, que senti tanto os efeitos da emigração na pele, hoje consigo dar aquela resposta ao meu marido, para a pergunta "Poderei eu um dia emigrar?".

A segunda surpresa de Deus é para os meus pais. Eles, à exceção do ultimato quando entrei na Universidade, fizeram de tudo para eu não ir viver com eles para a Suíça porque tinham o receio de eu construir lá a minha vida e mais tarde, quando quisessem vir embora eu escolher não os acompanhar. Eu acabei por me casar com uma pessoa de nacionalidade estrangeira e, apesar dos esforços deles, continuam a correr o risco de um dia eu poder emigrar!

 

Deus tem ou não tem sentido de humor, hem?!

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 Meus Deus, agradeço-te tanto por, com a tua ajuda, ter aprendido a superar tanta coisa!

Como do sofrimento e da angústia nos poderão vir coisas e capacidades maravilhosas!

Louvado sejas Meu Senhor!  

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