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as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

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O pedido de casamento

01.07.15, Helena Le Blanc

A história contínua.

O Sr. Padre procurou saber, com mais detalhe, as circunstancias do casamento do James, e achou muito estranho a rapidez com que foi realizado.

Pediu-nos para verificar se o casamento teria sido mesmo com a administração do sacramento do casamento. 

À partida, o James confirmou ter sido pela Igreja, pois era uma condição dos pais da ex-esposa.

Mas, mesmo assim, o Sr. Padre insistiu para ser verificado se não teria sido na Igreja anglicana. Como sabem, o Canada é um país com igrejas a cada esquina, e com uma variedade de religiões. A mãe do James, de origem inglesa, é anglicana. Seria uma possibilidade.

Pedimos à minha sogra para "investigar".100_5359.JPG

Depois de algumas diligências, e de diversos meses, percebemos que o Padre que administrou o casamento pertencia à Igreja Católica, mas não tinha autorização para o fazer. Tinha alterado a sua vida de consagrado, para uma vida de casado e com filhos. A sua profissão era casar civilmente e, se fosse oportuno, em troca de um dinheiro extra, fazia uma cerimónia religiosa.

Aparentemente havia um grande problema. O dito padre, entretanto, tinha falecido.

O James foi à Cúria da Igreja. Precisávamos de perceber toda a situação. Anulação? Falou com diversos Padres.

 

Cúria - conjunto de pessoas que, no campo administrativo e judicial, auxiliam o bispo no governo da diocese.

 

Passados mais alguns meses, chegou outra notícia. O caso não era de anulação, já que nem sequer tinha havido registo do casamento na Igreja e o Padre que o administrou, apesar de ter recebido o sacramento da Ordem, não tinha a autorização do Bispo para isso. Precisávamos de uma declaração do Bispo a dizer que o James nunca tinha sido casado pela Igreja Católica. O James e a sua ex-esposa tinham sido vítimas de uma fraude.

P1070258-2.jpg

Passaram-se mais alguns meses para tentar obter diversa documentação, no Canada.

 

Como toda a situação tinha mudado, o James surpreende-me e pede-me em casamento. 

Outra história engraçada, pois não tinha percebido nem desconfiado. Num belo dia, ao darmos um passeio depois do jantar, no frio e na neve (que eu não queria nada ir), ele tenta ajoelhar-se à minha frente; eu acho que ele caio e ajudo-o a levantar-se. Imaginem: ele a fazer força para ficar de joelhos, e eu a tentar puxa-lo para cima e preocupada por se ele se ter aleijado! 

Hilariante. Ele lá consegue tirar a caixinha do bolso e "espeta-me" na cara para eu parar e ele conseguir falar.

P1070258-2.jpg

Marcamos uma data: 09/09/2010.

Da parte da Cúria, o processo vai caminhando, mas chega-nos outra notícia. O James, canadiano, tinha pedido a nacionalidade portuguesa com base no casamento que teve e que o fez vir para Portugal. E nesse processo, o casamento, facto importantíssimo para a obtenção da nacionalidade, foi considerado casamento católico. 

Os Canadianos, porque convivem com muitas religiões e fés no seu quotidiano, lidam com este aspeto de forma diferente. Assim, na licença civil desse casamento, ficou registado que tinha sido n798380320_2045779_9303[1].jpgum casamento religioso, e estava assinado pelo Padre D.

Casamento religioso não quer necessariamente dizer, para eles, casamento católico, mas para nós portugueses é isso que nós percebemos, ainda mais que estava assinado por um Padre. 

Portanto, da parte da Cúria estava tudo ok, mas o James teria que corrigir este registo civil português.

Com a sua ex-esposa (uma situação mais ou menos estranha) e munidos de toda a documentação (alguns com tradução certificada para não haver dúvidas), foram aos serviços centrais de Lisboa.

Resposta: processo de grande complexidade. Seria uma primeira vez e não sabiam muito bem como proceder. 

Conselho: colocar um advogado no processo.

Reunimos com o advogado, explicamos e entregamos todas a documentação.

Passaram mais uns meses.100_5255.JPG

Quanto à Igreja, não havia problema nenhum. Poderia-nos casar pois já estava provado que o James nunca tinha sido casado pela Igreja. No entanto, por causa do acordo que existe entre o estado português e a Igreja Católica, esta não poderia-nos casar sem o consentimento do primeiro. O Estado Português não permitia a constituição de processo de casamento com uma pessoa que já tivesse sido casada pela Igreja. Só no caso de viuvez é que é possível.

Portanto, nós tínhamos um caso ao contrário. Nunca me tinha passado pela cabeça acontecer-me tal coisa!

 

E a história continua no próximo post...

 

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