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as surpresas de DEUS!

uma católica com sérias dificuldades no caminho da santidade!!!

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O BOM SAMARITANO do século XXI

19.02.21, Helena Le Blanc

A história de ontem à noite foi a do "Bom Samaritano". 

Como é habitual, depois da cozinha arrumada e alguma brincadeira com as crianças na sala, subimos ao nosso primeiro andar.

As crianças vestiram o pijama e todos estávamos prontos na salinha para a oração da noite: a história e pequenas orações individuais com os nossos cartões.

Abri o livro e ao calhas apareceu esta história. Procedi à sua leitura.

Ao terminar, olhei para os meus espetadores e senti que era preciso fazer mais alguma coisa. Senti-me inspirada a contar a história imaginando-a nos tempos de hoje.

Apesar do risco abusivo ou exagero, decidi avançar em parcos segundos.

 

Na estrada à frente da nossa casa passa um senhor com uma maleta brilhante.

Uma mota, que fazia muito barulho, abrandou junto do senhor. Este vira-se para ver quem era e sentiu uma cacetada muito forte na sua cabeça. Sentiu arrancarem-lhe a sua mala brilhante. Caiu para a valeta do passeio e desmaiou. 

Passado um bocado, passa uma senhora muito bem composta. Ela é uma pessoa muito alegre e participante na maior parte das atividades da comunidade. Todas as pessoas gostam muito dela. 

Acontece que ela, ao notar o senhor junto da valeta, com um grande corte na cabeça, a deitar sangue, os braços e pernas esmurradas e com uma respiração muito estranha, automaticamente recua, colocando-se à distância. O dito senhor não estava a usar máscara naquele momento e não parecia estar muito bem.

Não se percebia se estava acordado ou desmaiado mas não lhe deixou dúvidas que a sua respiração denotava estar infetado com o COVID-19. Refletiu por uns momentos e decidiu continuar o seu caminho. Já estava atrasada para uma reunião e como o seu telemóvel estava com muitos problemas concluiu que não conseguia ajudar, por muito que quisesse. Convenceu-se que a ajuda não deveria tarde. Seguiu caminho.

Depois de algum tempo, passa um carro. Abranda naquele sítio. Era um médico com muito boa reputação. Dizem que ele preocupa-se muito com os seus doentes sendo muito certeiro nos diagnósticos e respetivos tratamentos.

Saiu do carro e à distância observou o senhor. Tentou falar com ele mas não obteve nenhuma resposta. 

Refletiu durante vários minutos. Ocorreu-lhe que poderia ser um emigrante. Se calhar ainda sem papeis! Seria uma trabalheira se assim fosse! Não queria arranjar para si mais problemas dos que já tinha na sua própria vida! Em vias de divórcio, a lutar pela custódia dos filhos, não tinha mais forças para mais nada. A pandemia em que vivemos mal o deixa respirar no seu local de trabalho. Assim, pensou que de certeza alguém o haveria de socorrer. Avaliou de longe as feridas e pareceram-lhe não serem muito graves. Iria sobreviver. Entrou no carro e seguiu caminho.

Mais tarde passa um jovem cigano. Apesar de jovem já tem uma família constituída. Estava a caminho da escola para buscar os seus filhos.

Reparou no senhor caído e maltratado e não pensou duas vezes. Aproximou-se tentando perceber se o senhor estava acordado ou desmaiado. Falou com ele várias vezes. Pegou no seu telemóvel para falar com o seu irmão pedindo-lhe para ir buscar as crianças à escola. Também lhe conta rapidamente o sucedido.

O jovem levanta o senhor e carrega-o nos seus ombros, arrastando-o ao longo da estada. Levou-o para o acampamento, espaço onde vive com a sua família. Não tem água quente mas a esposa aquece alguma num tacho na fogueira que arde no centro. Pega em alguns farrapos lavados e trata do senhor.

Arranjaram-lhe um “ninho”, uma cama. Tentam que ele coma caldos.

E assim se passam alguns dias até que o senhor, apesar de ter estado em ambiente de pobreza, recupera muitíssimo bem.

Ele agradece imenso aos Sr.s Ciganos, uma etnia que não é bem vista nos tempos de hoje, por diversos motivos tal como os Samaritanos da altura de Jesus.

 

E assim acabei a história.

 

O meu filho mais velho, ao terminar, disse-me: o jovem olhou para o senhor maltratado com o seu coração!

E não poderia ser melhor dito: OLHAR COM O CORAÇÃO, independentemente da identidade ou condições da pessoa que está à nossa frente!

 

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