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as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

James, nós não podemos comungar! #1

13.07.15, Helena Le Blanc

Eu, catequista e católica praticante (quer dizer que ia à missa todas as semanas, e isso e tal....), quando conheci o James - supostamente divorciado de uma casamento católico - fiquei dividida! 

Eu tinha regressado à minha igreja de infância, fazia 4 anos na altura, e azar dos azares estava a apaixonar-me (outra vez) por um homem divorciado! Como é que eu ia fazer? Como é que eu ia contar ao Pároco? O que é que iria acontecer? Pois, desapaixonar-me não me pareceu (de longe) ser a solução! Aliás, como é que isso de faz?

Como poderão perceber em posts anteriores, já estando eu a viver com o James, um ano depois de o ter conhecido (e em pleno processo de desabituação tabagismo), tomei coragem e contei ao Pároco. Estava à espera do pior. Surpreendentemente o Sr. Padre decidiu aproximar-se de "nós".

Apesar das nossas boas intenções ( e ter percebido o que se passou para que a ex-mulher do James decidisse sair de casa e pedir o divórcio), o facto é que existia uma regra na igreja que dizia que eu - mulher solteira - ao viver com uma pessoa divorciada de um casamento ratificado e consumado, passava a ser adúltera, porque tinha atraído para mim o marido de outra mulher, MESMO SEM EU TER NADA A VER COM O FATO DE ELES SE TEREM DIVORCIADO. Estava a pecar contra a Lei de Deus!

 

Deus também tem leis. Todos nós sabemos disso (mais ou menos). Tantos anos na catequese deram-me uma ideia. Mas raras vezes na minha vida as levei a sério. Aquelas dos mandamentos (não roubar, não matar, não cobiçar, etc..) e que acabam por fazer parte da lei moral e comum a todas as sociedades, são perfeitamente aceites e razoáveis. Mas, e o resto? 

Lei de Deus. Porque raio é que temos que ter leis e regras?

 

Lei - (do verbo latino ligare, que significa "aquilo que liga", ou legere, que significa "aquilo que se lê") é uma norma ou conjunto de normas jurídicas criadas através dos processos próprios do ato normativo e estabelecidas pelas autoridades competentes para o efeito.

Regra -.f. Princípio, norma, preceito; Ordem, disciplina. Determinação legal; Moderação,Prudência, cautela. A uma lei lógica que é uma implicação pode corresponder a uma regra de demonstração.

 

"...A Lei é uma instrução paterna de Deus que prescreve ao homem os caminhos que levam à felicidade prometida e proscreve os caminhos do mal" - n.º 1975 do Catecismo da Igreja.

 

A Lei existe para nos proteger. As regras existem para nos proteger. Como por exemplo a lei jurídica ou as regras de trânsito.

Aqui em nossa casa existem diversas regras, regras de segurança. Eu, enquanto mãe, imponho diversas regras domésticas. Eu sinto-me obrigada a defini-las exatamente porque amo o meu filho e não quero que nada de mal lhe aconteça.

Assim sendo, percebo que DEUS, o nosso pai, porque nos ama tanto e nos quer proteger do mal, também tenha colocado diversas regras, regras de segurança (a Lei de Deus).

Mas e perceber isto na pratica? Porque raio é que eu obedeço solicitamente às regras dos homens e custa-me (custou-me) muito obedecer às regras de Deus e considerá-las com a seriedade necessária?

 

Falemos das regras das finanças.

Todos os anos, como qualquer cidadão ativo, tenho que submeter o meu IRS de acordo com as instruções que me são dadas. Se não o fizer ou cometer erros no seu preenchimento, corro o sério risco de coimas, que interferem diretamente com o meu bolso.

Porque é que estas regras protegem-me? Porque quero ter parques infantis em boas condições para o meu filho e outras crianças brincarem; porque quero ter um médico de família que assista a minha família quando necessário; porque quero ter uma rede de esgotos e saneamento na minha casa; porque quero ter passeios e estradas limpas para poder passear com o meu filho e não apanhar doenças; etc...

Para isto tudo (obras e manutenção) eu tenho que contribuir, de forma justa. Assim, se eu obedecer às instruções e fazê-lo de forma honesta e transparente, quem de direito poderá analisar corretamente a minha disponibilidade financeira, sem correr o risco de falsas interpretações, e decidir qual é a minha contribuição (imposto). 

 

Falemos das regras de Deus. 

Eu tinha tomado para mim um homem divorciado (casado com outra) e vivia junta com ele. Isto queria dizer que estava a ter intimidade com um homem que já tinha tido intimidade com outra pessoa. Quando um homem e uma mulher se casam tornam-se íntimos, e não falo somente da questão sexual. Falo de tudo. Nós ficamos a conhecer tudo do outro, ou sejam, as manias, os tiques, os gestos menos elegantes, as perspectivas todas do corpo físico, os pêlos, os sorrisos, as resmunguices, as brincadeiras, o hobby da sanita, etc... Com o tempo e o convívio diário e tão próximo, aprendemos tudo sobre a outra pessoa. Passamos-a a conhecer muito bem, tão bem como a nós próprios. "Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne" (Livro Génesis 2,18)

Eu, adúltera, aceitei um homem que se tinha tornado "uma só carne" com outra mulher. Deus, como me ama profundamente, gostaria que eu tivesse um homem só para mim, e que construísse uma relação de intimidade, em plena igualdade comigo. E por isso ter colocado essa regra, para me proteger e eu poder ter acesso ao melhor dos melhores, tal como eu, enquanto mãe, desejo para o meu filho.

 

Faço aqui um pequeno intervalo. Imaginemos que não seria assim. Todos nós poderiamos ter "n" de relações de intimidade com todos os que quisessemos e que nos apetecesse. Não sei se eu acharia piada a construir uma relação de intimidade (que implica tempo) com um homem que, por exemplo, em 5 anos tivesse tido 25, 50 ou 100 relações de intimidade! Será que a minha relação com ele seria suficientemente especial depois de ter tido tantas? Será que eu não mereço ter uma relação de intimidade especial?

 

 

Retomando, como eu escolhi desobedecer fiquei em pecado. E estar em pecado significa "uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo" (n.º 1849 do Catecismo). Este pecado poderá não ter consequências diretas no meu bolso, mas terá na vida eterna, em que poderei não ter um lugar (eterno) no regaço de Deus. Agora não vejo nem sinto isso, mas um dia serei confrontada com todos os atos da minha vida terrena.

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Desde que eu e o James começamos a viver juntos, eu deixei de comungar. Como poderia receber a hóstia consagrada se vivia com um homem divorciado, e relativo ao qual eu não tinha nenhum arrependimento e nem planos para deixar de ser adúltera? Apesar de estar (mais ou menos) consciente de toda a questão, tinha que, no mínimo, reconhecer a minha situação de pecado e obedecer a Deus na privação do pão mais precioso deste mundo. Assumimos a existência da relação e as devidas consequências. Eu não deixei de ser filha de Deus, e de praticar o culto. Continuei a louvar o Senhor, e a igreja continuou a receber-me e a cuidar de mim.

 

No catecismo da igreja encontrei mais detalhes para uma grande diversidade de situações. Por exemplo, a existência de atenuantes para o conjugue que se esforçou por ser fiel ao matrimónio e que se vê injustamente abandonado. Se não se relacionar intimamente com mais ninguém, não desobedece a Deus, e como tal poderá comungar.

 

Mas, infelizmente, não era o nosso caso.

"- James, nós não podemos comungar!" - disse-lhe eu.

O James começou a acompanhar-me à Eucaristia dominical e, tal como cristão que frequentou (mais ou menos) a catequese, tinha a noção disto e aceitou bem, até ao dia em que descobrimos que ele não tinha sido casado pela Igreja Católica, já relatado num dos posts anteriores. Mas, eu voltei a repetir:

"- James, nós não podemos comungar!"

" - Porquê?" - retorquiu ele.

E desta vez foi mais difícil aceitar. Mas isso fica para o próximo post. 

 

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