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Hoje de manhã no carro:

- Hoje é segunda-feira, o primeiro dia da semana. Irás ter no colégio ginástica (com mais rigor expressão motora) e inglês. No final do dia o pai irá-te buscar para o futebol. Ok?

- Ok - diz o meu filho Xavier. - E amanhã?

- Amanhã é terça-feira. Depois da escola irás para casa. - Respondi eu.

- E depois?

- Depois é quarta-feira. Normalmente é dia de escola mas esta quarta-feira é especial, é feriado. Não há escola.

 

Silêncio no carro.

 

- Mãe porque é que é um dia especial?

- Porque relembramos todos os Santos. Os Santos são todas as pessoas que fizeram coisas boas e que depois da sua  morte são assim declarados. Procuraram cumprir a vontade de Deus. A Mãe nesse dia também irá visitar o sítio onde estão os corpos das pessoas da nossa família, cujos espíritos/almas estão junto de Deus. Se tu quiseres podes vir comigo.

- Isso é numa igreja?

- Não. O local chama-se cemitério. É muito parecido com um jardim, com muitas flores.

 

Silêncio no carro.

 

- Mãe eu não quero ir. 

- Eu disse-te que só irás se tu quiseres. Se não quiseres não há problema.

- Mãe, mas se tu fores ficas lá e já não voltas. 

- Não. Eu irei visitar esse jardim, rezar um bocadinho e depois virei embora. Se tu quiseres vir podes vir. Não tens que decidir já, podes pensar durante algum tempo.

- Ok.

 

E ele ficou a pensar nisto, e eu também.

A ideia de falar com ele sobre a morte é complicado apesar de não ter sido esta a nossa primeira conversa. Tento responder com verdade, simplicidade e certeza relativo ao que acredito. Pergunto-me como será para as famílias agnósticas ou ateias.

O Xavier sabe que existe, depois da morte outra vida, outro caminho, junto de Deus. Acabando a vida corporal tal como a conhecemos, a morte é uma passagem para uma realidade muito diferente que é eterna. Não há fim. 

A morte é a coisa mais certa para todos os seres vivos. Nós humanos sabemos que aparentemente somos feitos de carne e espírito mas há mais, muito mais. A ciência ajuda-nos a compreender cada vez mais tudo isto. Quem olha para trás, a história da revelação de Deus aos homens, consegue ter uma visão geral de todo o caminho que a humanidade já percorreu e que ainda falta percorrer.

O homem é o ser privilegiado de toda a criação: tem um corpo que lhe permite fazer coisas incríveis; tem um cérebro que lhe permite descobrir e compreender o mundo que o rodeia, com capacidades ainda desconhecidas; tem um coração que lhe permite sentir tanta coisa com maior ou menor intensidade; tem uma alma que permite elevar-nos a outras dimensões... Tudo isto com plena autonomia e independência.

Faz todo o sentido para mim que o homem seja o favorito de Deus, e que criado à sua semelhança têm a mesma essência divina. Se eu tivesse estado no lugar dos Anjos (os primeiros) provavelmente teria ficado furiosa e revoltada com Deus como alguns deles ficaram... porque não havia nenhuma necessidade desta humanidade.

Foi assim que um grupo deles se afastou de Deus e criaram o inferno, onde se vive a eterna ânsia pelo amor de Deus. 

Deus concedeu-nos a liberdade. Sim, liberdade para fazermos o que quisermos. Temos a liberdade de escolher, de tomar decisões. Apesar de Pai compreensivo e misericordioso, é PAI de toda a criação amando-nos por igual. Como tal se os seus filhos matam-se uns aos outros, ofendem-se uns aos outros, apontam-se uns aos outros, então que (mais) poderá Ele fazer? 

Os profetas, durante milénios, fartaram-se de falar acompanhados de sinais da presença de Deus. Deus inspirou à redação de um enorme Livro que tem tudo o que precisamos de saber para alcançar a salvação eterna.

Jesus Cristo, o seu primogénito, reencarnou e tentou ensinar-nos através de uma linguagem simples (as parábolas) e ações (os encontros e milagres). Entregou-se nas mãos da humanidade por inteiro para demonstrar o tamanho do amor de Deus e  reabrir o caminho que leva o homem para o Céu. Tudo isto porque obedeceu ao Pai em prol da criação favorita: a humanidade. 

Deus continua a permitir que Maria continue a visitar a humanidade, e suponho com esperança que a sua doçura de mãe amoleça os corações dos homens.

Por isso, volto a perguntar, que mais poderá Ele fazer?

O homem ao morrer é confrontado com a verdade e poderá pensar: Deus, tu que me amas tanto, porque é que não me avisas-te? Mas que mais poderá Deus fazer?

 

 

Tenho pensado muito sobre a minha própria morte e no que acontecerá a seguir. 

E tu, já pensaste na tua morte e do que encontrarás depois dela? 

 

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4 comentários

De carla a 30.10.2017 às 20:55

Não Lena, não pensei nem consigo. Penso muitas vezes na morte dos meus e como será viver sem eles. Na minha, nem sequer me vem ao pensamento.
Aos meus filhos, tenho muita dificuldade em falar nesse tema. Mea culpa.... Carla

De Helena Le Blanc a 02.11.2017 às 18:17

Ola querida Carla

Que giro: eu penso muito na minha morte e como seria o meu filho viver sem mim. Acho que foi por isso que quando o Xavier era bebe eu fiz de tudo para que o James se aproximasse o máximo possível do bebé, às vezes em detrimento de eu própria. Obriguei-me a isso. No caso de eu "desaparecer" da vida dele, ele ficaria bem na mesma. Acho que isto tem a ver com a minha situação individual (de os meus pais terem-me deixado com a minha avó para emigrarem tinha eu 3 anos).

Nestes dias veio-te ao pensamento a tua morte? As tuas filhas nunca te fizeram perguntas sobre a morte?

De Aninhas a 30.10.2017 às 21:42

Não, não penso na minha morte! Penso mais na vida, no dia de amanhã, se será melhor que o de hoje! Prq perder tempo em pensar no que todos temos certo! A MORTE. Pra mim dp da morte na há mais nada, ali acaba tudo. Na há CÉU nem INFERNO! É tudo imaginário, que nos foi imposto desde que nascemos. Ali td ACABOU.

De Helena Le Blanc a 02.11.2017 às 18:26

Olá

Antes de mais as minhas desculpas por responder só agora.

A morte é a coisa mais de certo que temos, sim. Não há nada para além dela?

Para si qual é o propósito da sua vida? Da minha? Da humanidade? De onde viemos e para onde vamos?

Não consigo imaginar esse vazio.

O ser humano, desde os primórdios, que procura responder às perguntas De onde viemos e para onde vamos?
Porque será?
Se fosse mesmo um vazio que nos rodeia (no antes e no depois) porque é que me custa aceitar essa realidade? Se fosse essa a verdade não saberíamos e sentiríamos intuitivamente que assim é? Porque é que eu fico insatisfeita com esse nada?

Como será responder a uma criança que depois da morte não há nada; aquela pessoa morreu, o corpo está ali e... tudo acabou.

Eu penso muito no amanhã, na vida. Adoro a vida. Amo este planeta. Não sei como será não mais sentir a brisa, ver o azul do céu, sentir o odor do mar....
Porque gosto demais da vida é que não me contento com uma resposta de "não há mais nada".

Isto é o que eu sinto.

Obrigada Aninhas pela sua resposta e esta oportunidade de reflexão.
Um abraço

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