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as surpresas de DEUS!

uma católica com sérias dificuldades no caminho da santidade!!!

as surpresas de DEUS!

uma católica com sérias dificuldades no caminho da santidade!!!

Deus, só podes estar a brincar comigo!

21.03.16, Helena Le Blanc

Há pouco tempo participei numa cerimónia de reconciliação. Foi a primeira vez. Tecnicamente é uma celebração litúrgica (Leitura de uma Carta do Novo Testamento, Salmo, Evangelho, Homilia). Mas rechearam-na com mais uns momentos simbólicos que ajudaram as pessoas a refletir sobre este Sacramento e a fazerem uma espécie de Exame de Consciência. Foi, do meu ponto de vista, muito interessante.

Mas o que achei um mimo, foi o terem-me entregado um fio de lã cinzento mal entrei na Igreja. Ouvi a seguinte história durante a cerimónia:

Em determinada localidade havia um homem que andava sempre muito alegre e bem disposto. No entanto, era do conhecimento geral, alguns dos seus pecados. 

Um dia, alguém o abordou, questionando-o porque é que estava sempre alegre e contente e se não se apercebia do mal que fazia. 

Ele respondeu que os pecados dele servem para se aproximar cada vez mais do colo de Deus.

Como?

Porque cada vez que se confessava, dava um nó no seu cordão que o ligava a Deus. Quantas mais confissões fizesse, mais curto se tornaria o cordão e mais próximo estava o amor e carinho de Deus.

Ok.

No final da cerimónia, seguiu-se o momento das confissões com 5 padres, com uma música de ambiente pacífica e original.

Decidi escolher um dos três padres mais jovens. Não iria fugir ou minimizar a minha confissão. Tive a tendência para escolher os mais velhos. Têm problemas de saúde associados à idade (principalmente a audição) e isso facilitaria e muito o meu reconhecimento das falhas.

Respirei fundo e, com muito receio, medo e coragem fui.

 

Passados uns minutos percebi que estava a acontecer alguma coisa de esquisito.

Apesar de estar perto de qualquer um dos três, não consegui vez para me confessar. Havia sempre alguém que aparecia de uma direção diferente, de trás de mim e que passava à minha frente. Aconteceu várias vezes.

 

Deus, só podes estar a brincar comigo!

 

As pessoas começaram a perceber (algumas das minhas tentativas foram muito notórias) e a enviarem-me sinais de carinho e simpatia.

A história continuou.

 

Ocorreu-me desistir e ir-me embora ou ir confessar-me ao Sr. Padre mais velhinho. Tive numa luta acérrima.

 

Olhei para um dos Santos da Igreja e pensei: tu sabes o que Deus me está a fazer. Já não lhe basta a minha coragem. Tenho que querer efetivamente e lutar para ir confessar. É isso Sr. Santo?

A partir daquele momento, o mesmo começou a acontecer com uma outra senhora, que estava em paralelo comigo à frente. Sorrimo-nos uma para a outra várias vezes e combinamos, juntas, como um acordo tácito, em que seríamos as seguintes, ela para um padre e eu para outro padre. Bastou a nossa linguagem não verbal para que tudo isto tivesse acontecido.

 

Chegou a nossa vez!

Sentei-me junto do Sr. Padre e comecei a ler as 3 minhas listas.

Encontrei um amigo, do lado de lá.

Um Sr. Padre desconhecido (nunca o tinha visto mais gordo) revelou-se um verdadeiro amigo. Nunca o esquecerei.

Eu que tenho problemas ao nível do relacionamento privado, enquanto não conheço e convivo regularmente com as pessoas, senti-me muito bem e confortável! O nosso diálogo (esta confissão) foi, do meu ponto de vista, único. 

Foi uma experiência extraordinária. Não sei quanto tempo estive nesta confissão. Chorei, emocionei-me, ri-me, soltei algumas gargalhadas, entristeci-me, alegrei-me, horrorizei-me... Tanto que se passou neste pequeno (mas grande) momento.

Meu Deus, meu querido Pai, és incrível!

Fui posta à prova, e a recompensa foi extraordinária!

 

(P.S. - o fio de lã na minha opinião poderia ter sido de uma cor mais alegre! Parabéns para quem teve esta iniciativa).

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