Como falar com crianças de 11 anos?
Hoje, a catequese foi a seguinte: "De Isaac e Rebeca ao sacramento do Matrimónio" - 2º Mistério - As bodas de Caná, pag. 43 do 1º volume dos Mistérios da Fé de Teresa Power (Evangelização Familiar, Edições Salesianas).
No início de cada semana leio a "catequese" prevista para "digeri-la". Analiso, aprendo e amadureço. Este exercício para mim é fundamental. Eu, enquanto catequista, tenho que, em primeiro lugar, aprender, absorver e vivenciar.
Qualquer docente, antes de transmitir e ensinar, tem que saber do que fala, certo? O mesmo se passa com os vendedores, ou com os políticos (aaaahhhhhhh.... pois!). Mas avançando...
Depois passo para a planificação da catequese. Há alturas em que é mais fácil, outras vezes nem tanto.
Como é que eu iria transmitir a história de amor de Isaac e Rebeca a crianças de 11 anos, sem parecer demasiado lamechas (eles ainda são um bocado crianças e de certeza que rapidamente "cortariam-me as bases") ou demasiado infantil (eles já falam de namoradas e namorados, e de gostarem desta ou daquele)?
Uma das coisas que tenho atenção, na preparação da catequese é:
- a "tradução" da mensagem essencial, de forma que eles a entendam e fiquem a pensar nela (para, rezo eu, a irem absorvendo);
- utilização de métodos diferentes (powerpoint, leitura de conto, teatralização, fotografias, etc...)
- uma atividade que utilize as mãos, e que ande à volta do tema (que pode ter a introdução do tema, a conclusão ou o TPC);
- um jogo lúdico.
Portanto, como é que eu iria contar esta (difícil) história de amor a crianças de 11 anos?
Apesar de não fazer ideia do como, coloquei mãos à obra e, o final surpreendeu-me: um livrinho com a história, dividida por diversas personagens.

História de Amor Rebeca e Isac.pdf
As crianças gostam muito de ler. Então, com diversas personagens, poderíamos fazer uma leitura, diretamente do papel (e não de ecrãs!)
A linguagem foi ligeiramente arranjada por mim mas tentei manter o mesmo género de linguagem que usa a bíblia (para eles se irem habituando a ela).
Trabalhei as imagens do papel, para ser atrativo, já que o texto (com a tal linguagem) já seria "pesadote".
Para as personagens, em vez de colocar o "nome próprio", usei imagens, com algum humor.
Por ex:
- o criado de Abraão;
- a Rebeca;
- dois narradores;
- a mãe de Rebeca;
etc....
Eu fiquei muito surpresa com o produto final!
Também preparei a atividade e o jogo.
As crianças ficaram algo surpresas quando comecei a distribuir o livrinho, e curiosas começaram logo a desfolhar!
Depois da primeira leitura, tivemos um diálogo para além de resumir a história. Relembramos quem era Abraão, e comecei por colocar perguntas muito concretas:
- é normal um pai, que quer casar o seu filho, pedir ao seu empregado para ir buscar uma noiva para ele?
- é normal escolher-se uma rapariga daquela forma?
- é normal os pais de uma rapariga acreditarem em tal história e deixarem-na ir?
- é normal uma rapariga aceitar ir com um desconhecido, para se casar com outro desconhecido?
- é normal um rapaz aceitar casar com um desconhecida, que foi escolhida não sei como pelo pai?
Não.
No entanto, o facto é que, contra todas as espetativas e possibilidades, Rebeca e Isaac apaixonaram-se! Como é que é possível? Foi um acaso? Não me parece! A história é demasiada rebuscada para ser um conjunto de circunstâncias e coincidências!
Qual é a grande lição? Temos que confiar (cegamente) em Deus! Deus ama-nos tanto! Ele quer a nossa felicidade. Por isso, devemos confiar!
- Mas e se o rapaz depois deixa de gostar dela? - pergunta-me um rapaz.
- Continuamos a confiar em Deus. Se o amarmos, e mostrar-lhe que ele é o mais importante das nossas vidas, Deus já nos mostrará o caminho para a felicidade.
E, nesta altura, pensei eu: se eu soubesse (há 20 anos atrás) que iria encontrar o James, casar com ele e ter a família que tenho hoje, voltaria a viver tudo outra vez, cada segundo e cada minuto. Mas talvez com uma diferença: viveria tudo outra vez com um sorriso na cara, especialmente nos momentos menos bons que vivi!
Atividade (desta vez para TPC) e que deverão trazer para a próxima catequese:
O grupo quis repetir a leitura, pela segunda vez! Já não houve tempo do jogo lúdico. Fica para uma próxima oportunidade!
Fiz um pequeno vídeo de alguns momentos da leitura. Afinal, a bíblia também tem bonitas histórias de amor!
Meu Deus, obrigada por mais esta aprendizagem: confiar em Ti!
Não conhecia (com profundidade) esta história de amor entre Rebeca e Isaac!
Ó Meu Deus, como tenho tanto para aprender sobre Ti!






