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as surpresas de DEUS!

uma católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

as surpresas de DEUS!

uma católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

Avaliação de 2020!

27.12.20, Helena Le Blanc

Quase a terminar o ano de 2020, não poderia deixar de escrever algumas palavras. Se até ao momento não consegui decidir o que fazer relativo ao blog, então, no mínimo, tenho que assumir a responsabilidade da sua existência e partilhar os meus pensamentos.

Foi um ano para não esquecer, como todos os meus anteriores, mas desta vez particular na medida que qualquer ser humano, meu igual, viveu o imaginável.

Imaginável, inesperado, surreal!

Todos sabem do que falo: uma pandemia derivada de um vírus que dizem ter vindo de alguém chinês que se alimentou de carne de morcego ou também dizem ter sido desenvolvido propositadamente como uma arma biológica de grande poder económico e político!

Não sei. E confesso, não quero saber. Não quero mesmo saber! Peço muitas desculpas a quem, preocupado, procura saber, denunciar e divulgar as causas do fenómeno e os verdadeiros autores da culpa. Mas eu, sinceramente, não quero ouvir discursos ou homilias: basta-me saber que a culpa é minha, é tua, é nossa.

Quero ouvir conselhos, soluções, dicas, soluções, mensagens de amor de Jesus para a minha vida. Preciso muito disso. Estes tempos tão únicos e diferentes são desafiantes em todos os níveis. Sr. Padre, Sr. Político, aconselhe-me e defenda-me.

Mas retomando a minha própria vida em 2020, confesso que foi terrivelmente desafiante. Eu sou uma mulher com muitas coisas: muito boas e menos boas. Quem, priva ou privou comigo de forma mais próxima, percebe o tão bom e o tão menos bom. Portanto, fui colocada à prova em tantas formas e maneiras diferentes mas que me obrigaram a desenvolver, evoluir, a tomar consciência e FAZER MELHOR por mim, pela minha família e pelos outros!

Digamos que foi um corajosamente assumir as minhas limitações e FAZER MELHOR todos os dias ou ENTERRAR-ME NAS NÉVOAS E TREVAS DO MEU IMAGINÁRIO (tecnicamente entrar em depressão).

Em Janeiro tudo corria de forma normal. A vida era muito bela. Eu estava encantada com o meu segundo filho e, porque ainda tínhamos um quarto disponível (com relativa energia parental) falava com o meu marido sobre a possibilidade de inscrever-mo-nos em família de acolhimento!

No meu trabalho também estavam a decorrer mudanças: uma nova Mesa Administrativa numa Misericórdia cujos quatro Mesários (de seis) eram estreantes nesta nova missão; uma missão que, da noite para o dia, se transformou no peso de muitas vidas em cima dos ombros...

Em Fevereiro, de forma repentina e brutal, a nossa vida familiar transformou-se recebendo mais um elemento da família cá em casa: a avó. Inicialmente era temporário, para descanso de todos os envolvidos. No entanto, o Estado de Emergência (Março de 2020) obrigou-nos a permanecer juntos.

O pai tinha muitas preocupações e dificuldades na sua área de negócios, especialmente com os apoios que o Estado Português lançou como tábua de salvação para todos excepto os empresários que são parceiros dos seus trabalhadores e fazem uma economia social preventiva.

A Avó acabou por ser uma mais valia para mim em teletrabalho com uma criança de ano e meio e uma criança de 7 anos. Ela fazia longos passeios com a bebé enquanto a criança brincava ou fazia os trabalhos e eu trabalhava (mais ou menos).

A Páscoa foi única. Pela primeira vez, por força das circunstâncias, planeei momentos espirituais familiares, simples e alegres (por exemplo a via sacra no nosso quintal). E assim começou a liturgia na nossa família... O que eu achava que estava muito além da minha família, tornou-se, sem eu me aperceber, uma realidade cá em casa....

No terceiro semestre, percebi que eu não iria conseguir continuar em teletrabalho. Fiquei em casa em apoio total ao meu filho no 2º ano de escolaridade. A minha mãe continuou a ajudar-me com a bebé e eu acompanhei integralmente o outro em aulas síncronas e assíncronas.

Tivemos momentos muito maus! O meu filho não sabia como expressar as emoções que enchiam o seu coração (longe dos amigos) e eu não sabia como chegar a ele - e expressar as minhas! Aparentemente ele foi ao limite, mas mais tarde percebi que EU É QUE TINHA CHEGADO MEU LIMITE! Precisei de ajuda. Em skype com um Psicólogo, fomos, eu e ele, tendo pequenas sessões de apoio e de amizade.

Obrigada Sr. Psicólogo. Não foi somente apoio profissional, foi ajuda e amizade! 

A minha mãe, depois de doze anos de inatividade, inércia, sedentarismo (cama-sofá e sofá-cama), estava a perder peso e a “recomeçar” a viver e a sentir a VIDA! Sentiu-se envolvida em duas relações especiais que lhe deram forças para ascender ao nosso mundo e à nossa realidade.

A bebé facilmente se adaptou à nova rotina mas, percebemos, mais tarde, que o alegre sorriso para pessoas desconhecidas desapareceu.... tornando-se numa menina mais cautelosa e tímida (como o seu pai).

Terminou o ano escolar e a minha família estava transformada! Quase que não a reconhecia! Em tanta coisa boa e diferente! As férias de verão tiveram que ser planeadas para 5 e não mais para 4 (numero que mal ainda nos tínhamos habituado)!

Fomos todos juntos. Regressamos todos juntos. Continuamos todos juntos.

Desafios atrás de desafios!

Um novo ano escolar recomeçou e continuávamos todos juntos. Foi a altura de tomar decisões mais sérias e menos temporárias. O quarto da avó teria que ser remodelado deixando de ser uma situação temporária. E com isso vieram, em catapulta, outras decisões e mudanças na família alargada, especialmente para o meu pai e o meu “irmão” que ficaram a viver os dois juntos.

Eu acho que cresci emocionalmente 20 anos em 10 meses! Sinceramente. Foi brutal! Foi intenso! Foi surpreendente!

Com o confinamento - decretado pelo Estado de emergência, na Misericórdia onde trabalho, deu-se continuidade às decisões e atividades quotidianas mas a nova Mesa Administrativa (que tomou posse em Janeiro) foi obrigada a suspender as reuniões mensais não tendo o espaço e a oportunidade de delinear e construir a sua própria gestão. Claro que isso não os impediu de cumprirem (e bem) com a missão que acarinharam e aceitaram, com novos desafios, para eles e para os trabalhadores da instituição!

Para além das mudanças na minha família e no trabalho, também tive mudanças na paróquia, o outro espaço no qual estou presente e me envolvo.

Tudo mudou na Paróquia. O Sr. Pároco mudou. Mas notem o seguinte: o novo Pároco não é novo... é “antigo”, já carinhosamente conhecido, em regresso à Paróquia. Tinha recomeçado em Setembro de 2019 mas preparou mudanças para Setembro de 2020.... Mais mudanças! E não eram mudanças simples!

O mês de Agosto foi... longe da igreja! Tivemos que parar e voltar ao "zero" para perceber por onde Jesus gostaria que "caminhassemos"!

Mudanças e mais mudanças....

Que ano, o de 2020!

Chegamos a dezembro e percebo o seguinte:

  • A minha família é de 5 elementos (a logística para 3 é muito diferente para 5);
  • Acrescenta-se à família 2 cadelas, um velho gato e 6 peixes;
  • Adoro a minha família (na maior parte dos dias!);
  • Neste natal vivemos muito mais o Memorial do Nascimento de Jesus .. Esteve mais presente a adoração familiar a Deus (Liturgia Familiar);
  • Não há decisões certas ou erradas! A diferença é como nós todos reagimos, unidos, decidindo e caminhando na mesma estrada!
  • Uma moeda tem dois lados, um bom e um menos bom. Qualquer acontecimento também é assim: está nas nossas mãos como lidamos com o bom e o menos bom!
  • Cada dia que nasce é uma nova oportunidade que Deus, o Nosso Senhor, o Grande D, nos oferece, num recomeço e nova oportunidade, do tentar (mais uma vez) FAZER muito MELHOR, centímetro a centímetro, grão a grão, passo a passo!
  • “Eu e a minha Família serviremos o Senhor!” (Josué 24, 15).

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