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as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

Sobre o inferno...

21.06.17, Helena Le Blanc

Gostaria de partilhar convosco uma coisa que me aconteceu no ano passado.

 

No mês de Agosto de 2016 tive a experiência de ficar "presa" num engarrafamento gigante na Auto-Estrada, por causa de incêndios. Contei o episódio AQUI.

É uma experiência que dificilmente esquecerei até ao resto dos meus dias.

Passamos diversas horas sob o calor, na autoestrada, encurralados; e quando finalmente começamos a andar, passamos ao lado do fogo pois ele andava à beira dos rails.

Revi aquela "cena" vezes sem conta na minha cabeça, lembrando-me destas palavras escritas: "Jacinta, compreendendo tudo isto muito bem, nunca mais deixou de pensar na desgraça irremediável das almas condenadas ao Inferno. Mais do que tudo, causava-lhe angústia a ideia de um castigo sem fim".

 

Umas semanas mais tarde fui confessar-me (em Fátima). 

Preparei a minha confissão como habitualmente (AQUI) e guardei para o fim umas perguntas. Faço sempre isto: aproveito o momento para tirar dúvidas. É um momento privilegiado que tenho com um presbítero e como tal tento tirar partido disso. Assim perguntei:

- Parece-lhe mal eu rezar um terço pelas almas perdidas no Inferno?

O sacerdote ficou sem reação.

 

Eu senti-me na obrigação de explicar. Contei-lhe do meu episódio na autoestrada e na visão do fogo. Também lhe disse que acreditava piamente na Misericórdia de Deus mas que também sabia que as almas que ião para o inferno seriam aquelas que em plena consciência renegariam Deus e à sua existência.

Percebo que a imagem do Inferno (com labaredas de fogo) poderá não ser exatamente assim. Mas para entendermos a sensação do que é estar no Inferno, foi-nos mostrado um cenário cujas almas sofrem de maneira parecida, ou seja, estar no meio de fogo sentindo uma dor constante, para toda a eternidade!

Assim, expliquei-lhe eu, não acredito que alguém que diz firmemente "Eu não quero nada com DEUS" o faça em consciência, pois se soubesse o que o espera para toda a eternidade (e isto é muito muito tempo) arrepender-se-ia no mesmo segundo. Nós humanos somos "matéria divina" com defeito. Pensamos que sabemos tudo mas na verdade estamos longe, muito longe de saber o quer que seja, especialmente sobre assuntos divinos. Por isso disse-lhe que queria rezar um terço para que Deus, na sua infinita misericórdia, tivesse pena daquelas almas "tontinhas" e que as relevasse. 

A dor que se sente (parece-me a mim pelo que li em diversos relatos e livros) é a dor da ausência de Deus. Nós sendo de essência divina somos atraídos pela fonte: Deus. Mas se essa fonte desaparece nós ficaremos eternamente presos a essa ausência, a essa falta. Digamos que será a dor da procura eterna da felicidade.

 

Eu acho que deve ter passado pela cabeça do Sr. Padre ideias como grupos e seitas satânicos quando lhe fiz a pergunta. Eu própria só vi a vi nesse prisma naquele momento. Fiquei muito atrapalhada e desfiz-me em explicações e mais explicações.

Enquanto isto o Sr. Padre recompôs-se e percebeu a minha dúvida (graças a Deus!)

Resposta dele:

- Quer saber de uma coisa? Para mim, eu acho que não está ninguém no inferno.

Foi a minha vez de ficar sem reação.

Deus é misericordioso e amoroso!

 

Ok.

Fiquei confusa e aliviada. E instantaneamente surgiram-me outras dúvidas, relacionadas com a "justiça divina". 

Mas o Sr. Padre nessa altura encerra a nossa conversa confessional. Apesar de jovem parecia-me repentinamente muito cansado. Acho que lhe devo ter pregado um grande susto. 

Já não confessou mais ninguém.

Eu não rezei, até à data de hoje, nenhum terço pelas almas do inferno.

 

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Estas recentes tragédias no nosso país relembraram-me este episódio. Poderemos ter mil e uma teorias relativo ao que irá acontecer depois da morte, mas uma coisa é certa: todos nós vamos lá chegar e vamos passar para o lado de lá, quer queiramos ou não.

Jesus, na sua passagem pela terra, falou muitas vezes sobre estas questões através de diversas parábolas. Se ele insistiu muito é porque é muito importante.

Recomendo a leitura deste texto da Teresa Power:  E se eu morrer esta noite? AQUI

Vale a pena pensar um pouco mais sobre isso e nos prepararmos porque, como dizia, a ETERNIDADE é muito muito tempo!

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Meditação e Contemplação

17.06.17, Helena Le Blanc

Hoje é sábado.

Há quantos sábados não ficávamos em casa?! Soube tão bem este sábado! 

 

O que faz (tipicamente) uma mulher em casa num fim de semana? Arrumações e limpezas.

Tenho um quarto cheio de coisas - o quarto dos convidados - para arrumar. Sorte a nossa não termos tido visitantes nos últimos meses.

Comecei logo de manhã a dar uma volta à "tralha", pois de tarde sabia já de antemão que seria passada no jardim a brincar na piscina e a conviver com os meus pais.

Atirei-me à arrumação, mas não acabei e não me importei muito.

Às 11h00 o meu marido saio de casa com o Xavier. 

E eu não tive mais nada do que aproveitar esse tempo sozinha em casa para fazer uma coisa que queria há muito fazer, e do qual tinha saudades: o meu tempo com Deus! 

 

Não é a primeira vez que falo dos Exercícios Espirituais (AQUI e AQUI). Praticar os Exercícios Espirituais é estar com Deus, ouvi-lo e responder. Ajudaram-me muito num episódio recente da minha vida (AQUI, AQUI e AQUI).

Sentia muitas saudades, muitas saudades mesmo destes momentos diários. 

Portanto, vi-os a sair pela janela e olhei para o quarto vendo o quanto ainda faltava mas tomei uma decisão: vou ter o meu momento com Deus.

Fui buscar o telemóvel (onde tem a liturgia diária), a bíblia, o meu diário espiritual, o meu estojo, a minha cruz. Estava pronta para ir para a varanda do meu quarto.

Revi a metodologia a utilizar: a oração preparatória, o pedido de graça, a leitura bíblica, meditação ou contemplação, tempo íntimo com Deus, oração do Pai Nosso, registo deste momento.

...

Foi maravilhoso. Uma hora e meia. O tempo passou em eu dar conta. Aliás a sensação é que tinha passado muito pouco tempo.

Tive companhia. Ora vejam:

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 Depois de terminar, fiz o registo no meu diário espiritual:

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Recordo-me de muitas pessoas (antigamente) usarem a bíblia assim: tinham um problema, abriam a bíblia ao calhas e o que atraísse os olhos dessa pessoa seria a sua resposta de Deus.

Pois bem, digamos que é isso mas organizado em oração, disciplinado, sem dar espaço ao inimigo para nos enganar. Queremos ter a certeza que a mensagem que recebemos é de Deus, e de mais ninguém.

Isto é dar uma oportunidade a nós próprios de Deus se fazer ouvir junto do nosso ouvido (ou olhar, ou coração, ou intuição....)

Pratica-se a meditação e a contemplação. São essenciais para estarmos abertos à Vida, ao Sim, ao Amor, ao Perdão...

Estas praticas são essenciais para desenvolvermos e amadurecermos a nossa Fé. Engraçado como tantas teorias falam da meditação e da contemplação quando estas são o instrumento privilegiado para estar com Deus dos cristãos desde o surgimento da Igreja primitiva do século I d.c.!

 

Já experimentaram os Exercícios Espirituais de Santo Inácio ou a Lectio Divina? 

Uma peregrinação com crianças?! Estão malucos???

13.06.17, Helena Le Blanc

Pois, sim!

No início deste ano letivo um pequeno grupo de catequistas meteu na cabeça que a Paróquia de Mogofores, à semelhança de muitas outras, também deveria levar as suas crianças da catequese à PEREGRINAÇÃO NACIONAL DAS CRIANÇAS A FÁTIMA. 

Quando ouvi a ideia pensei em imediato nas crianças mais pequenas e cheguei à conclusão (natural) que certamente seria para as idades mais velhas. Qual quê?! Nada disso. A dita Peregrinação é exatamente para os mais pequenos, dos 6 anos 12 anos.

......

 

Bem... aí está uma coisa muito difícil de fazer! 

Como é que se leva um grupo de crianças pequenas numa peregrinação? Isto parece ser uma carga de trabalhos!

Mas felizmente o que parece muitas vezes não é de facto.

E foi assim que percorremos um enorme caminho até ao dia 10 de Junho, o dia da dita Peregrinação. Isto só foi possível por causa do entusiasmo e teimosia de alguns! A teimosia tornou-se uma graça! Uma graça para os restantes evangelizadores que se sentiram contagiados, uma graça para as crianças que participaram nesta atividade e uma graça para os pais que sentiram-se desafiados a algo mais!

O entusiasmo foi tanto que chegou à minha família e a uma nossa família amiga. Isto quer dizer que o Xavier de 4 anos também foi e andou lá no meio das outras crianças.

Fomos todos juntos no autocarro. As crianças pagaram 6,50 e os adultos 10, valores muito pequenos tendo em conta o custo do aluguer do autocarro, as portagens, uma t-shirt e um boné para cada um.

 

Para saberem mais pormenores poderão ver AQUI (no site das Famílias de Caná).

 

Quanto à nossa família, gostamos muito de:

- Ver o nosso Xavier de 4 anos no meio dos outros, com a mesma energia e interesse;

- Podermos caminhar (e namorar) os dois sem termos a preocupação de vigiar o filhote;

- Conhecer melhor outras crianças da nossa catequese;

- Observar a multidão que se concentrou nesse dia no Santuário: que beleza!

- Estar sentados no chão do Santuário, na Cova de Iria, e observar a Basílica;

- Reparar no sol que foi construído e colocado ao lado do altar para ilustrar a temática da Peregrinação (e restantes elementos que serviram de cenário);

- Observar os outros grupos de catequese que estavam junto de nós;

- Ouvir o D. António Marto (Bispo de Leiria-Fátima), especialmente quando ele (com sotaque) dizia "amiguitos, amiguinhos";

- Cantar os parabéns a Nossa Senhora e ver o lançamento dos balões. O James sussurrou-me nesta altura: estava a ver se conseguia ver uma imagem formada pelos balões!

- Receber uma azinheira para plantarmos lá em casa;

- Almoçar sentados no chão de terra com relva (fofinha) debaixo de uma árvore, na companhia de muito boa gente!

- Colocar a conversa em dia com algumas catequistas que já são grandes amigas;

- Conhecer um pouco melhor outros catequistas;

- Cantar e rezar o terço no autocarro.

 

Eu não vi o espetáculo que foi feito na Santíssima Trindade.

O James também não conseguiu ver quase nada porque o Xavier nessa altura estava muito irrequieto. Disseram-me que foi uma apresentação "muito à frente", bem ao gosto das nossas crianças e jovens!

 

Do que é que não gostamos? Não me lembro!

Chegamos cansados e felizes!

 

Ah.... e também gostamos muito de jogar POKEMON GO no Santuário enquanto esperávamos pela Missa e depois da Missa. Eu não fazia ideia que o santuário tinha tantas pop stations! 

Depois de terminar a Eucaristia, e tendo nós começado a andar, o James apanhou pelo menos 25 pokemons. Fixe!

 

Só me resta dizer: que belíssima ideia! 

 

 Aqui ficam algumas fotografias:

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Senti-me uma peixeira!

09.06.17, Helena Le Blanc

Nos últimos dias fiz uma pequena viagem até Itália.

O James já tinha ido para lá, por causa do seu trabalho, e eu aproveitando o feriado municipal com um dos dias do fim de semana, viajei até ao encontro dele.

O nosso filho ficou duas noites com os avós e outras duas noites com um casal amigo.

Assim, lá apanhei dois comboios, um táxi para chegar ao aeroporto de Lisboa. 

 

Fiz tudo o que era suposto eu fazer e depois de passar a segurança, andei a passear entre as salas de espera/de embarque, zona comercial e a zona de alimentação. Chegou uma altura que decidi sentar-me e pedir uma bebida. Escolhi um lugar num balcão de uma pastelaria/restaurante muito bonita. 

Estava um casal ao meu lado que almoçavam. Eu esperei a minha vez para ser atendida. Estava muitas pessoas àquela hora no aeroporto. 

Continuei à espera. Outra senhora tem a mesma ideia e vêm sentar-se ao meu lado, num banco vazio no mesmo balcão.

Estávamos ambas à espera.

Continuamos à espera. 

As duas empregadas olhavam de vez em quando para nós. E isso deu-me a certeza que notaram a nossa presença e por isso só teríamos que esperar. 

Continuámos à espera.

A senhora ao meu lado, cansada, chama a atenção a uma delas.Esta diz-lhe que tinha que ir para a caixa para ser atendida. Eu olho para todos os lados à procura do aviso para este procedimento. Não encontro. sinto-me perdida com esta nova informação, pois também não observei comportamentos que me dessem essa pista.

Fomos ambas para a caixa. Já estava lá uma pessoa. 

Refiro que a dita pastelaria tinha outra caixa com uma fila enorme para as pessoas comprarem coisas e irem se sentar na zona comum de alimentação. O nosso caso era diferente, pois queríamos ocupar lugar dentro do espaço particular da dita pastelaria.

Chegou a minha vez. Pedi a minha bebida. A empregada perguntou-me para onde é que eu pretendia sentar-me. Respondi-lhe no balcão, na pontinha do balcão. Ela disse-me que eu não podia ir para lá.

 

 

O quê? 

Perguntei porquê. Ela respondeu-me que o balcão era para consumo. Eu fiquei a olhar para ela. Devo ter feito uma GRANDE CARA DE PARVA

Perguntei-lhe se tomar uma bebida não era consumo? Pelos vistos não, pois não iria comer. COMER UM PRATO DE COMIDA ERA CONSUMO. Depois apontou-me para as mesas VAZIAS (no espaço da pastelaria), mas especificou-me que só poderia ir para uma em particular. A mesa era mais baixa (tipo de sala de estar) com 4 cadeirões. Eu olhei, e também vi nesse momento alguém se sentar num dos cadeirões. Olhei para a senhora com uma GRANDE CARA DE PARVA.

Refilei, refilei e refilei.

Refilei com aquelas decisões, refilei por não haver num sinal escrito que dissesse aquilo tudo.

Refilei muito!

SENTI-ME UMA PEIXEIRA! 

Peço desculpas a todas as mulheres que têm esta profissão mas refiro-me ao modo de ser que está associado ao termo "peixeirada".

IMG_3143 (2).JPGEu só queria beber em paz e sossego uma bebida no balcão, porque estando naquele sítio poderia observar a sala toda (gosto muito de observar pessoas de tal maneira que sei que às vezes incomodo deixando-as sem jeito). Tinha 15 minutos antes de me dirigir para a porta de embarque. 

A empregada acabou-me por dizer que concordava com tudo o que eu estava a dizer e que eu poderia ir para o sítio onde pretendia. Avisou as colegas que eu tinha a autorização dela.

E.... senti-me muito muito muito mal por ter sido peixeira, por ter reclamado, por ter refilado!Eu sabia que tinha razão mas não consegui controlar a minha boca, a minha reação! 

 

Não gritei, não fui mal educada, mas discuti e refilei muito.

Pedi-lhe imensas desculpas, muitas desculpas. Senti-me tão culpada por não ter aceitado a situação, ter dado tanta importância a um pequeno momento de prazer meu!

Terminei a peixeirada a pedir desculpas! Fiquei surpresa comigo própria: como eu mudei!

Passei a hora seguinte a pedir desculpas em pensamento à Sr.ª Empregada e a DEUS.

 

 

O nosso compromisso!

07.06.17, Helena Le Blanc

O ultimo sábado foi um dia muito especial para as famílias de Caná e para Mogofores.

Poderão perceber isso  AQUI, no site oficial do Movimento Famílias de Caná do qual já fazemos parte.

É oficial! Nós (a minha família) fazemos parte do Movimento Famílias de Caná.

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Somos católicos apostólicos romanos e seguimos uma espiritualidade específica, especial, como outros movimentos da igreja seguem outras espiritualidades especiais e específicas.

Mas tenho que confessar várias coisas, e por isso só hoje escrever este post, depois de 4 dias do acontecido:

 

- Confesso que fiquei indecisa quando chegou efetivamente a hora H para dizer SIM ou NÃO. O meu marido, ao contrário das minhas expectativas, disse de imediato que SIM (demasiadamente rápido na minha opinião). Pedi-lhe, pelo menos, para ler a Carta fundacional (AQUI) do movimento, que esclarece qual o sentido deste percurso que aceitamos tomarmos como nosso; 

 

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- Confesso que ao dizer SIM não sabia (e não sei) muito bem o que fazia (e o que faço). Li (várias vezes a carta fundacional) e percebi o quanto a minha família têm altos e baixos. Por exemplo neste momento estamos numa época em que ainda não conseguimos retomar a oração diária que fazíamos há cerca de um mês durante os últimos 9 meses. Já não me lembro porque é que paramos e ainda não descobrimos a "tecla" certa para retomar;

 

- Confesso que estava com grandes expectativas relativo ao dia do Compromisso e não fiquei desapontada: senti-me super bem e super contente. Porquê? Por causa da beleza do novo santuário, por estar com pessoas que conheço bem e que são verdadeiros amigos, por ter tido a oportunidade de ouvir o nosso Bispo, por ter acolitado com tantos Padres na Eucaristia, por ter observado o meu filho completamente integrado com outras crianças a brincar em locais fora do radar do meu marido...

 

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- Confesso que não senti nada especial ao fazer o compromisso...

 

- Confesso que não me sinto à altura das outras famílias e do caminho que me propus percorrer...

 

- Confesso que me sinto uma aberração, uma fraude...

 

Exatamente. 

No entanto, apesar destes sentimentos e olhando para trás (por exemplo lendo os meus posts desde o início até agora), vejo a evolução, o desenvolvimento, o caminho, a melhoria, a proximidade com Deus...

Eu (e a minha família) fomos mudando ao longo do tempo sem nos apercebermos! 

 

Exatamente.

No outro dia falava com uma colega exatamente isto. Ela dizia-me que não têm fé nenhuma e que se calhar tinha que pedir a Deus para ter Fé. Pois, nós precisamos de ajuda para ter FÉ, sim! É exatamente isso. Ela sem saber já está a caminhar para o seu encontro maravilhoso  com Deus!

Não senti pressão, peso ou obrigação no caminho que já percorremos. Leva tempo sim, mas fomos caminhando gradualmente, sem nos apercebermos realmente o que foi acontecendo connosco e com a nossa família!

No início dos inícios o James não ia à missa todos os domingos e eu... bem, eu não sabia nada de nada!

 

Exatamente.

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 Este dia do compromisso, na véspera do Pentecostes, não me fez sentir "mágica", "especial", "calores", "frios", etc... Não.

Mas para mim o que foi significante foi ouvir o Sr. Bispo (o nosso pastor) a falar sobre o Espírito Santo! E que grande catequese que ele me deu! Ele conseguiu traduzir uma realidade complicada numa linguagem muito acessível! Fiquei maravilhada e a pensar porque é que todos os pastores não têm este dom... o dom da palavra e o dom da proximidade.

 

Sei que a Teresa Power irá falar sobre o assunto em breve, mas não consigo deixar de dividir o que de facto eu senti e que marcou este dia!

O Espírito Santo sempre foi para mim uma charada, um coisa difícil de perceber, de tal maneira que o ignorei durante muito muito tempo. Tenho falado e escrito sobre ele sim (por exemplo AQUI). Mas fui, pouco a pouco, aprendendo sobre Ele.

Só recentemente (coincidência ou não) é que comecei a reconhecer (por inteiro) a sua presença na minha vida. Realmente percebi que nos momentos de mérito e de sucesso, nada se deve a mim mas a Deus, pela ação do seu espírito em mim. 

 

No dia do compromisso não fui muito social e acolhedora com as famílias de Caná que não conheço, porque tenho dificuldades nessa área! Mas gostei muito de estar com a minha família naquele espaço maravilhoso (sentada no chão), e também com as famílias de Caná amigas; pensar em tudo o que aconteceu comigo para que naquele dia e naquela hora eu estivesse ali.

Ao longo do dia fui fazendo uma grande retrospetiva da minha vida. images (2).jpg

Consegui ver-me na infância: eu era apaixonada por Jesus Cristo. Ele era o meu amigo especial, o meu amigo invisível. Recordei essa sensação de o ter como amigo invisível. Eu falava com ele na minha cabeça. Eu sentia-o a observar-me. Parece loucura, mas é verdade. Eu tinha um quadro muito grande da imagem de Jesus sobre a minha cama e correspondia exatamente à presença que Ele tinha na minha vida (Imagem deste post AQUI). Eu adormecia com o terço na mão. Os meus pais, para me fazerem melhorar as notas, castigavam-me proibindo-me em ir à catequese e à missa (diária em que eu acolitava)!

Depois, chegaram os meus 19 anos e... eu perdi-O e/ou Ele perdeu-me! 

Quando consegui novamente pegar no fio à meada (AQUI) e retomar o meu caminho para a felicidade (por causa disto AQUI) percebo (agora) que encontrei o Pai, o Senhor, o meu Deus! Mas este encontro foi conduzido claramente por Maria, a minha mãe querida! Como eu vi isto tudo tão claramente no ultimo sábado, como se de um filme se tratasse.

Deus-Pai teve presença central nesta 2ª parte da minha vida espiritual. Ainda não sabendo precisar quando, o Espírito Santo tornou-se efetivo. E foi isto que eu pensei exatamente no dia do Compromisso: primeira fase da minha vida foi centrada em Jesus, a 2ª (o regresso) foi para o Pai, e agora estou na 3ª fase, a fase do Espírito Santo. 

Ainda não sei totalmente o que quer isto tudo dizer e para onde me levará esta sequência de acontecimentos, mas... mais do que nunca EU CONFIO EM DEUS-PAI, em DEUS-FILHO e no ESPÍRITO DE AMOR!

Sei também que não faz mal não sentir em nada de especial no compromisso, ou noutros ritos do culto, porque sou humana com muitas limitações. 

Tenho confiança no Senhor...


Curioso:

- Confesso que mudei tanto de tal maneira que já não me interesso por livros de romance histórico (que adorava) e por musicas comerciais, mas somente por livros religiosos, musicas inspiradoras à meditação e orações (especialmente repetitivas como o rosário).

 

Concluindo, não percebo mas inclino a minha cabeça e o meu corpo inteiramente à Santíssima Trindade.

Resta-me confessar uma ultima coisa: desejei montar uma tenda neste novo Santuário e passar um fim de semana aqui... Acreditem que estar sentado naquele chão dá vontade de ficar e dormir ali!

(Olívia e Isabel, não sei o que é que falaram mas percebi que vocês sentiram o mesmo! Contem connosco, ok? - AQUI).

 

Aqui ficam mais algumas fotografias do dia do Compromisso:

 

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 Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná, rogai por nós!

 

 

Catequese: os salmos #2

06.06.17, Helena Le Blanc

Portanto, nas duas ultimas catequeses o grupo de 12 anos andou à volta dos salmos. Tinha corrido maravilhosamente bem, excedendo as minhas expetativas (post Catequese: Salmos #1, ver AQUI).

Acontece que, e surpresa das surpresas, a evangelização seguinte é exatamente sobre a oração dos salmos!

Eu ri-me quando descobri isto (sem achar graça nenhuma)!

 

Sessão "A Visitação - Dos Salmos ao Magnificat", pag. 17 do Livro 2 dos Mistérios da Fé de Teresa Power.

OK Helena. Muito bem.

 

O que é que eu faço? 

Tinha 5 dias para descobrir.

 

Decidi deixar vir ao de cima o meu lado (natural) mais técnico e estruturado. 

Esquematizei da seguinte forma:

 

1  - Introdução: falar outra vez, sobre os salmos em si (fazendo perguntas);

 

2 - Falar em particular sobre o tipo de salmos e que podem ser usados para diversas ocasiões. A esta altura iria distribuir um marcador (a ser colocado na bíblia) que identifica os salmos e as ocasiões para seu uso;

Aqui faríamos um pequeno jogo. Explicando as ocasiões, ia escolhendo os salmos que eles deveriam procurar. Quem encontrasse primeiro deveria ler algumas linhas para confirmar se a dita ocasião se aplica;

 

3 - Depois falar-se-ia do cantar ou recitar salmos. Abordaria a ausência de tecnologias há 2 mil anos atrás e como todos acabavam por saber de memória os 150 salmos. Mostraria alguns vídeos onde poderiam ver os salmos a serem cantados em igreja, num mosteiro, em hebraico, etc... (cada visualização seria só de 5 minutos máximo através do meu telemóvel pessoal). Como o grupo é pequeno dá para fazer isto.

 

4 - Mais um jogo - escolher outro salmo ao calha e quem encontrasse primeiro teria que recitar/ler o salmo muito muito depressa. Aqui falaria da oração recitada repetidamente quase que num mesmo tom (por exemplo quanto rezamos o terço). A importância este tipo de oração para "santificar o nosso cérebro e boca" e assim não saírem (automaticamente) palavras feias dos nossos lábios;

 

5 - Ponto alto da catequese: falar-lhes de um salmo muito especial que está no Novo testamento, o Magnificat, e como Maria, habituadíssima aos salmos e habitada pelo Espírito Santo, faz um belíssimo salmo no momento que abraça a sua prima Isabel. É a primeira pessoa com quem fala à cerca do que lhe tinha acontecido. Este salmo tornou-se viral para a humanidade: cantou-se, compôs-se musicas, fez-se powerpoints...

Mostraria um pequeno exemplo no meu telemóvel;

 

6 - ???

 

E agora?

............. e desafiar estes jovens de 12 anos a comporem um salmo?

Com frases que mais gostarem ao desfolharem os 150 salmos poderiam criar um salmo com (mais ou menos) algum sentido.

 

Será?

 

Pois bem, a catequese correu muito bem. Todos envolveram-se completamente na temática. Divertiram-se muito com os salmos nas suas bíblias. 

 

Temos salmo? Temos sim senhor!

Afinal houve mesmo uma mãozinha do Espírito Santo nesta catequese!

 

Aqui está:

 

Durante o dia o Senhor manda seus favores, porque me estou afundando no abismo profundo, que me fixou os pés numa rocha e firmou os meus passos;

Cantai ao Senhor um cântico novo, louvai o Senhor porque é bom cantar;

Não atendeis Senhor os desejos dos ímpios porque os cães numerosos me rodeiam e um bando de malfeitores me envolve;

As próprias trevas não são escuras para Vós, tenho os meus olhos levantados para ti que moras no céu.

Palavra do Senhor ao meu Senhor!

Senhor eu Vos invoco, vinde logo em meu socorro.

Escutai a minha voz quando Vos invoco.

O meu coração,Senhor, está contente. Tudo o quanto vivo louvo ao Senhor!

 

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Catequese: um lugar especial!

02.06.17, Helena Le Blanc

Desde que apareceu o sol, recuso-me a dar catequese numa sala de aula!

E para que não haja mal entendidos, não é pelos jovens mas sim por minha causa. 

Descobri o local ideal: a quintinha que o Colégio Salesiano de Mogofores têm por detrás do Santuário.

Como cresci em Mogofores, tinha a noção da existência de um campo de futebol (onde as ervas selvagens começaram a dominar a área) mas a quinta sempre foi uma zona restrita até à pouco tempo (pelo menos para mim)!

Desde que a visitei não houve mais nenhum sábado de bom tempo que eu não fosse para lá, especialmente para o poço... um poço grande, devidamente tapado e protegido mas com uma beleza especial que não consigo descrever.

 

Pois bem, recentemente a evangelização foi sobre a Rainha Ester. Já ouviram falar?

É a Evangelização "Da Rainha Ester a Maria de Nazaré", na pag. 151, Livro 2 dos Mistérios da Fé de Teresa Power.

 

Eu já tinha ouvido falar desta rainha, como de outras mulheres que fazem parte do Antigo Testamento, mas confesso que desconhecia esta história em particular.

Li com atenção e muita curiosidade. Gostei. Surpreendeu-me ser desconhecida, já que é uma belíssima história de amor e de confiança!

Fiquei indecisa: como é que eu iria transmitir esta história sem cair na lamechice e ao mesmo tempo prendendo a atenção dos jovens (que estão fartos de histórias de amor e coisas do género)? Como?

Para complicar mais um bocadinho eu iria ficar com o grupo dos 12 anos e dos 13 anos.

Foi quando pensei com os meus botões o seguinte:

 

 

"Helena, estás tontinha! Afinal como é que se conta uma história? Quase todos os dias contas histórias ao teu filho e agora está com dúvidas? Não há-de ser muito mais difícil! Contas e pronto, à bela maneira tradicional. NÃO COMPLIQUES.

Podes sim tornar as coisas mais interessantes se apresentares a "coisa" como um jogo. Com um grande disfarce (o jogo) poderás obter a concentração e (com ajuda de Deus) a atenção deles. Quem é que não gosta de um pequeno jogo?"

 

Comprei umas gomas estranhas. São uma espécie de fitas enormes que representam o arco-íris.

 

No dia da catequese convidei os dois grupos para irem para o poço da quintinha. O Sr. Padre Gabriel (o nosso S. Pedro das chaves) foi abrir a porta e avisou-nos que iríamos ter uma grande surpresa.

E que surpresa!

O novo Santuário da futura Mãe de Caná já estava de pé! Que lindo! Claro que todos quiseram entrar, e eu à cabeça.

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Sugeri ficarmos ali todos sentados no chão em roda. Proposta aceite.

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Em seguida mostrei-lhes o meu saco de gomas. Todos (quase todos) ficaram com os olhos em bico! 

Passei à ação. 

"Vamos fazer um jogo, melhor, um teste à vossa memória. Eu conto-Vos uma história e no fim farei perguntas. Quem acertar recebe uma goma".

Recebi reações positivas e instantaneamente todos se calaram prontos para ouvir.

Eu tinha re-escrito a história da Rainha Ester, com as minhas palavras (palavras mais atuais, perceptíveis) no meu caderno. Assim fui contando a dita apoiando-me no meu texto escrito. Apareceram nomes esquisitos que eu dava realce repetindo duas / três vezes. Eles repetiam também tentando decorar os nomes.

Não fui interrompida nem foi preciso eu interromper.

No fim todos estavam prontos para a segunda parte.

Começaram as perguntas.

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E foi muito giro.

Esqueci-me dos jovens que não gostam de gomas ou que não podem comer por causa dos aparelhos nos dentes. Mas eles próprios rapidamente me descansaram dizendo que não havia problema nenhum.

Reparei em imensas coisas: generosidade, atenção, partilha, respeito, interesse, sabedoria, amizade, inteligência, humildade, simpatia, compreensão, brincadeiras saudáveis...

As ultimas perguntas já não foram sobre a história em si, ou factos da história, mas sobre "a lição de moral", a mensagem especial de Deus para cada um de nós.

Todos responderam espontaneamente e com significado. Não houveram "frases feitas".

 

Foi desta forma que este lugar especial - o novo Santuário de Mogofores, onde irá ser colocada e benzida a imagem da Mãe de Caná - foi "inaugurado".

Senti-me abençoada por ter tido esta experiência.

 

Este é um local que estará à espera de todos, de cada um de nós, para se poder rezar, para se poder brincar, para se poder jogar, para se poder conversar, para se poder rir, para se poder chorar, para se poder encontrar a Santíssima Trindade e Maria.

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Senti-me também privilegiada porque vi... vi uma coisa extraordinária!

Um grupo de jovens, oriundos de famílias com realidades diferentes, da zona de Anadia e arredores, mostraram-me o que poderá ser o futuro da humanidade se simplesmente nos entregarmos e abandonarmo-nos no colo de Maria. Deixarmo-nos levar na onda... na onda certa, a onda do amor de Deus.

Amanhã será um dia de festa neste lugar especial: um grande dia para Mogofores, para a Família Power fundadora do Movimento das Famílias de Caná, para as nossas famílias, para cada um de nós.

Que Deus nos abençoe a todos!