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as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

O jardim da comunidade

29.08.16, Helena Le Blanc

O giro de ir de férias para terras desconhecidas é encontrarmos surpresas a todos os níveis: comida, rituais, canções, vestuário, linguagem, comportamento não verbal, atividades, etc...

Desta vez encontrei um jardim memorial. 

Um jardim que têm relva e flores, árvores como todos os outros, mas é também uma homenagem a muitas pessoas que já não fazem parte do nosso mundo.

 

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Uma comunidade decidiu construir este jardim, em memória dos seus membros falecidos.

Isto relembra-me especificamente duas das obras de misericórdia: enterrar os mortos e rezar a Deus pelos defuntos. 

Cada árvore relembra uma alma, um irmão que já partiu. Apesar do enterro, do caixão, da campa, do funeral, esta comunidade relembra os seus próximos de uma forma diferente e muito bonita.BLOG AS SURPRESAS DE DEUS-001.jpg

 

O jardim é mais ou menos oval sendo é circunscrito por um caminho de via sacra. 

No dia em que visitei observei diversas pessoas a caminhar ou a fazer jogging neste jardim, pelo caminho da via sacra.

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Fiquei maravilhada com este espaço: um verdadeiro jardim da comunidade.

A  morte corporal é um dos aspetos da herança do pecado original.

Este fim (para nós natural) da vida terrestre não estava nos planos de Deus. Nós fomos criados à Sua semelhança, e sendo divinos não estaríamos destinados a morrer. Porque a humanidade pecou, escolheu outras coisas que não a Lei de Deus, "ganhou" a morte corporal.

"A morte é o fim da peregrinação terrestre que Deus nos oferece para realizar a nossa vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir o nosso destino último. Quando tivermos terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. Os homens devem morrer uma só vez (Hb 9,27). Não existe reencarnação depois da morte".*

Acho este memorial especialmente importante por dois motivos:

- Recorda-nos que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida, a nossa missão. "Livra-nos Senhor, de uma morte súbita e imprevista" - antiga ladainha de todos os santos;

- Recorda-nos que temos que rezar pelos defuntos para que sejam perdoados dos seus pecados. "A nossa oração por eles pode não somente ajuda-los, mas também tornar eficaz a sua intercessão por nós".*

 

Aqui fica esta bela ideia...

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in "Catecismo da Igreja responde de A a Z" de Prof. Felipe Aquino,

Editora Cléofas e Edições Loyola

Localização do jardim: Rogersville, New Brunswick, Moncton, Canada

 

 

A solução de Deus

27.08.16, Helena Le Blanc

Um dia, um carpinteiro decidiu criar uma coisa muito especial com a sua madeira: um menino-boneco. Um feito extraordinário nunca visto. Com corpo e alma como se fosse uma criança normal. E tal como todas as outras crianças, tinha que ser cuidado e educado. O seu pai, o carpinteiro, adorava esta sua criação.

Acontece que este menino-boneco, a determinada altura, achou que era perfeito, maravilhoso, que poderia suplementar em inteligência o seu pai. Portanto, decidiu ignorar todos os avisos e regras, lançando-se no mundo exterior. Usou toda a sua liberdade e capacidades para fazer o que bem entendia, achando que estava a ser o maior. Mas a vida é um conjunto de ações/reações, atos e consequências. Como tal, o menino-boneco começou a recolher o que tinha semeado. No meio do sofrimento tentou regressar a casa do seu querido pai mas estava perdido. Não conseguia encontrar o caminho de casa. 

O seu pai, cheio de saudades, sofria por esta sua criação. Amava-o muito. Mas como é que poderia ajudar o seu menino a voltar a casa?

Como?

 

Deus  pensou numa solução para não perder eternamente a sua criação: construir uma ponte entre Ele e a humanidade em que Ele próprio viria ao mundo, na Segunda pessoa da Santíssima Trindade: Jesus Cristo.

"Não nasceu um novo ser. O Deus preexistente é materializado no espaço e no tempo".*

O Filho de Deus "se fez carne" - a encarnação. Ele nasceu imaculadamente de Maria e do Espírito Santo, com natureza humana e natureza divina. Assim, com um corpo humano assumiu todas as qualidades e condições à excepção do pecado, pois afinal continuava a ser Deus, agora presente em Israel há cerca de (mais ou menos) 2 mil anos atrás.

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Jesus Cristo foi "um homem perfeito em toda a sua vida terrestre, tornando-se modelo e exemplo de uma vida autêntica e saudável."* Na bíblia são 4 os livros que descrevem esta passagem, com muitos ensinamentos e milagres, culminando no seu "auto sacrifício" (a expiação).

O Deus-Homem deixou-se sofrer horrores e experiênciar a morte na cruz, a mais ignóbil forma de morrer na altura. Sentiu todas as dores e mais alguma como homem mortal. No entanto ele era Deus, o todo poderoso, transcendente e eterno.

Porquê?

Seria necessário um motivo muito forte para que assim acontecesse. Jesus Cristo, na véspera da sua condenação, num momento a sós com o seu Pai, exclamou:

"Pai, se quiseres afastar de mim essa taça... No entanto, não se faça a minha vontade, mas a tua". (Lc, 22, 42-44)

Depois, São Lucas continua assim: "Tomado de angústia, ele rezava mais intensamente, e o seu suor se tornou como coágulos de sangue que caíam por terra".

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Consigo imagina-me num momento similar? Não, nem pensar.

Ele, filho de Deus, ficou em pânico antevendo toda a dor e sofrimento que iria sentir até ao fim... Então porquê tudo isto? Porquê é que era necessário este auto sacrifício?

 

Expiação - ato de auto sacrifício através do qual Deus apaga todas as ofensas da humanidade contra si e liberta a humanidade do mal e das consequências do pecado.

Auto sacrifício de Jesus Cristo - manifestação suprema de amor e perdão num mundo em decadência.

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Jesus Cristo, Filho de Deus, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, encarnado em corpo humano, vive exemplarmente ensinando e fazendo milagres. Isto não foi suficiente? Pois.... não.

Não nos podemos esquecer que a humanidade a determinada altura da sua existência ofendeu Deus, com a pretensão de ser igual ou maior que ele. Como? Ignorando a Lei de Deus e, consequentemente fazendo uso do poder que Deus lhe deu sem limites ou medidas.

Desde essa altura que a humanidade, depois da sua morte física, ficou aprisionada na "Morada dos Mortos", o Inferno, o Hades. Os bons e maus ficaram prisioneiros nesta realidade. Todos tinham a marca do pecado original, desde o nascimento até à sua morte.  "Privados da visão de Deus" estavam sob o domínio do Diabo.

Portanto parece-me que para reparar ou repor tamanha ofensa e consequências, Jesus Cristo teria que fazer uma coisa extraordinária, mais poderosa que os milagres de cura ou de transformação. E o que poderia ser? O que é que um humano têm de mais precioso? A sua saúde, a sua vida. Assim, Jesus só poderia ter feito uma coisa: doar-se inteiramente por amor.

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(Isto lembra uma parte da história do Harry Potter, em que a mãe para o salvar oferece a sua vida, ficando este sacrifício de amor marcado na sua áurea, servindo como proteção para determinados males.)

 

Jesus morreu e desceu à "Morada dos Mortos" anunciando a Boa Nova: o Filho do Homem veio salvar, libertar, todas as almas boas e justas presas naquela lugar. Jesus "foi acordar os que dormiam desde séculos."**

"Eu sou a Vida dos mortos".**

No terceiro dia ressuscita dos Mortos.

 

 

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 Pintura de Carl Heinrich-Bloch

 

Pela primeira vez, há mais ou menos dois mil anos atrás, as portas da "Casa do Pai" abriram-se por Jesus Cristo para que os justos que o haviam precedido, entrarem e finalmente descansarem em comunhão com o seu Criador.  

O Deus-Homem ressuscita em corpo e alma. Ele, que tinha "saído do Pai", regressa ao Pai. 

 

Morte - separação do corpo e da alma;

Ressurreição - união do corpo e da alma. 

 

Concluindo, o Filho de Deus não poderia ter feito por menos: Ele através da sua Morte liberta-nos do pecado, e pela Ressurreição abriu-nos as portas do Céu para uma vida de felicidade eterna.

 

 

E é assim que "com um cajado se matam dois coelhos"!

E esta heim?!

 

 

 

* in "Cristianismo - Guia ilustrado dos 2000 anos da fé cristã", de Ann Marie B. Bahr, Editora h.f.ullmann, de 2009;

** in Catecismo da Igreja Católica, de 631 a 667, Edição Típica Vaticana, Edições Loyola, 1997

 

 

Eu herdei o pecado original

25.08.16, Helena Le Blanc

"A humanidade não é má por natureza, nem uma fonte de mal"*. Foi criada à semelhança de Deus, cheia de bondade e perfeição.

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No entanto, há um pequeno (grande) pormenor que a humanidade não soube gerir: escolher. A humanidade não teve a sapiência necessária para identificar e tomar o melhor caminho.

A capacidade de viver e de tomar decisões, oferecida por Deus, foi a nossa "perdição".

O caminho é aquele que leva diretamente a Deus. A felicidade total, a realização plena, só pode ser encontrada junto da sua essência. A obra só encontra o seu verdadeiro lugar junto do artista, do seu criador. Só em Deus é que a humanidade encontra o seu ninho para descansar.

"A humanidade não existe como uma criatura autónoma, mas para a comunhão com Deus".*

Pecado original - ato voluntário da humanidade para separação de Deus.

Todos os homens e mulheres, feitos de carne e de espírito, infelizmente, têm esse "handicap" natural. Eu, tal como os outros, herdei o pecado original. Nasci com "esta decadência física e moral, tal como a morte do corpo físico, a doença, a dor, o medo, a alienação e a solidão."*

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Pecado original - "É o estado de privação da santidade e da justiça originais. É um pecado por nós contraído e não cometido; é uma condição de nascimento e não um ato pessoal. Por causa da unidade de origem de todos os homens, este pecado transmite-se a todos os seres de natureza humana, não por imitação mas por propagação (quase que diria uma "contaminação de ADN", se é que isto se pode dizer). Esta transmissão permanece um mistério que não podemos compreender plenamente."**

 

Normalmente os textos cristãs referem-se à humanidade como os descendentes de Adão, ou seja, todos os seres vivos de natureza humana. Hoje sabemos que a história de Adão e Eva não é nada mais que uma história. No entanto é uma história muito bela e importante pois metafóricamente ensina-nos que a nossa origem e essência é divina. Também nos relembra que temos "a vocação da liderança responsável sobre toda a criação - seres vivos e não vivos - devendo evitar a sua exploração".*

Apesar desta herança, os meus pais, ao pedirem o meu batismo à Igreja, purificaram-me do pecado original e de todos os pecados pessoais até à data. Portanto a herança, o pecado original, desaparece com o batismo.

 

Aproveito para dizer que houve alguém com natureza humana que não herdou o pecado original: Nossa Senhora. 

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A humanidade, sujeita à morte física e à dor, é a causa da divisão e exploração. Os humanos, criados por Deus, são independentes de Deus, porque este assim o quis. No entanto porque achamos que poderíamos ser superiores a Deus caímos em desgraça. Somos mesquinhos, corruptos, conflituosos, egoístas, ou seja, "fragmentados e incompletos."*

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Nós não nos conseguimos entender, numa só linguagem, com os mesmos valores e objetivos.

Exemplo: a eleição presidencial para os Estados Unidas. Só existem dois candidatos, nada mais simples, certo? O país está dividido entre a Hillary Clipton e Donald Trump. Os americanos não se conseguem entender (e percebo perfeitamente)!

A humanidade é simultaneamente agressora e vítima de si própria. Não tem a capacidade de se salvar e de conseguir renovar a relação com Deus.  

Nunca irá encontrar o caminho para a comunhão com o seu criador.

Basta assistir a um noticiário televisivo para ter a certeza que nós, os humanos, não nos safamos.

 

Há solução?

O Pai ama os seus filhos (é o que nos vale).

Ele preparou uma ponte especial para a humanidade encontrar outra vez o caminho... para o seu regaço, para a santidade, para o reino divino. 

 

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Amiga/o, continua no próximo post.

 

* in "Cristianismo - Guia ilustrado dos 2000 anos da fé cristã", de Ann Marie B. Bahr, Editora h.f.ullmann, de 2009;

** in "Viver em Cristo, Manual de Catequese e Oração", Paulus Editora, 2014. 

 

 

O Pai ama os seus filhos!

23.08.16, Helena Le Blanc

Deus criou-nos com bondade e perfeição.

Depois decidiu dar-nos toda a liberdade, para todos podermos vivermos plenamente neste mundo físico, neste planeta (o livre-arbítrio).A criação de Miguel Angelo.jpg

Ora aqui está: este foi o grande problema. Por causa desta liberdade tudo o resto aconteceu!

Deus deixou o homem tomar as suas próprias decisões. Poderia não o ter feito.

Deus, suponho, deve ter pensado que não era justo para nenhuma das partes, pois de contrário teria uma humanidade amestrada.

Quem é a pessoa que gosta de saber que o outro o ama por obrigação?

Deus criou-nos à sua semelhança. E de igual forma também nos deu a possibilidade de optar e decidir.

Acontece que Deus sempre nos amou, desde o princípio: o Pai ama os seus filhos.

E os filhos? Amam o Pai? De forma gratuita e voluntária?

Deus poderia não nos ter dado essa liberdade e todos amaríamos o Pai. Porquê? Simplesmente porque sim. Deus tem esse poder para obrigar e impor qualquer sentimento ou atividade.

Seriamos por exemplo como os cães totalmente fieis e submissos, que mesmo quando são mal tratados adoram os seus donos.

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Deus não quis esse amor, e como tal permitiu que os homens tivessem essa liberdade de escolher quem amar... e o que fazer, onde residir, quando comer, o que vestir, para onde ir, fazer o quê, etc...

Qual Pai não fica embriagado de alegria ao perceber que o seu filho o ama verdadeiramente? Não por causa do seu dinheiro, do seu poder, do seu carro, da sua casa... mas simplesmente porque é seu Pai.

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Amar verdadeiramente.

Acontece que a humanidade, porque pode tomar decisões, escolheu outras coisas que não Deus. E foi assim que apareceu a ação do mal, ou seja, a desobediência à Lei de Deus. Num comportamento consciente o homem afasta e rejeita Deus. E cada vez que isto acontece movimenta-se forças cósmicas no Universo responsáveis pela desordem, corrupção, destruição de tudo o que Deus criou e considerou ser "muito bom". 

"O mal não é uma realidade em si próprio, mas a ausência de Deus (...)" consequência do nosso "abuso voluntário do livre-arbítrio".*

 

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Portanto:

Pecado - é um movimento consciente, que nos afasta de Deus e o rejeita;

Tentação - violação da vontade divina.

 

E o pecado original? Eu nasci com essa "herança". Porquê?

Será o tema do próximo post.

 

 

 

Nota: estes últimos dois posts surgem porque tenho andado a ler o seguinte livro:

* in "Cristianismo - Guia ilustrado dos 2000 anos da fé cristã", de Ann Marie B. Bahr, Editora h.f.ullmann, de 2009.

Tenho aprendido muito sobre a nossa história com Deus, clarificando conceitos e organizando ideias.

 

O homem é BOM

18.08.16, Helena Le Blanc

No ultimo fim de semana nós aceitamos o convite do Club Aveiro TT

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O James gosta muito de TT e do seu Vitara. Portanto, nada mais divertido do que ir no jipe do papá para um grande passeio.

Fomos bem recebidos pelos membros do Club: muito simpáticos e acolhedores!

Saímos às 9h00 de Aveiro e fizemos um trilho para os lados de Albergaria-a-Velha e Águeda. Qualquer viatura 4x4 poderia ter participado. O passeio terminaria numa praia fluvial para almoço e banhos refrescantes.

 

A atividade era gratuita, sendo o almoço da responsabilidade de cada família.

Eu e o Xavier, um pouco novatos nestas andanças (com pessoal de Clubs) estavamos entusiasmados, ambos com as nossas cameras na mão.

O meu filho tinha tido a sorte do avó lhe ter dado uma camera vintage de rolo que já não funcionava.

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Eu observei paisagens e caminhos. Tirei muitas fotos.

A determinada altura, porque a paisagem mudou, recordei uma história importante: a história da  salvação da humanidade.

 

Um belo dia Deus, o Todo Poderoso, decidiu criar o universo.

Não havia qualquer material.

Nada existia.

Deus não podia alterar ou manipular o quer que seja porque não existia o mundo material. 

Ele, de livre vontade, decidiu criar. Não foi fruto de mero acaso, de "automatização cósmica acidental ou descontrolada".

Deus entusiasmou-se na sua criação e verificou que tudo era muito bom.

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Consequentemente Deus "despejou baldes" da sua própria bondade nessa nova realidade. Quer dizer que o homem foi banhado pela bondade natural. O homem foi criado à semelhança de Deus nas suas capacidades, possuindo o potencial da vida.

A origem do homem é Deus, como tal a sua realização plena só poderá ser em comunhão com a sua origem e essência, ou seja, o seu criador. 

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Ele incute no homem um papel especial: liderança responsável sobre tudo e todos.

Mas Deus não fica por aqui. Porque ele nos amou desde o primeiro segundo, liberta-nos para podermos decidir se retribuíamos o seu amor sem pressões, obrigações ou deveres.

Para um pai ou mãe este é o aspeto mais sensível da relação entre pais e filhos, certo? Nunca poderemos obrigar filhos a gostarem dos pais, mas se isso acontece é profunda a alegria porque sabemos que é um sentimento genuíno. 

Conclusão: a humanidade não é má por natureza! Não somos uma fonte do mal!

 

Não somos?

 

Não. Mas... 

Neste passeio vi sinais da maldade dos homens. O homem não tem um lado bom e um lado mau?

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Não, não tem.

O homem é naturalmente bom.

Pensando bem, de facto só poderia ser assim. Se nós somos fruto da criação de Deus e se Deus é o verdadeiro Deus, então nós somos uma criação perfeita. Um verdadeiro Deus não faz asneiras!

 

Então porque é que criamos e espalhamos o mal?

 

Cara/o Amiga/o desculpa-me!

A história continua no próximo post.

 

 

Entretanto, poderás ler estes posts:

Post sobre a teoria do Big Ban

Post: Eu acredito em Deus

Post: Adão e Eva, qual a verdade?

 

 

 

A terra num inferno

18.08.16, Helena Le Blanc

Na ultima semana a zona de Mealhada, Anadia e Oliveira do Bairro tem estado sob ataque.... terrorista? 

Se considerarmos o significado da palavra "terrorismo" -  o uso de violência, física ou psicológica, através de ataques localizados a elementos ou instalações de um governo ou da população governada, de modo a incutir medo, pânico e, assim, obter efeitos psicológicos que ultrapassem largamente o círculo das vítimas, incluindo, antes, o resto da população do território. É utilizado por uma grande gama de instituições como forma de alcançar seus objetivos, como organizações políticas, grupos separatistas e até por governos no poder - então, na minha opinião, acho que se aplica ao que têm vindo a acontecer nos últimos dias em Portugal.

Instalei a app "Fogos PT" para poder ir acompanhando, enquanto trabalho. Houve alturas que o fiz através do facebook, partilhando a informação. Mas há momentos que não o posso fazer, e por isso tenho a app para ir sabendo... e... bem, nem querem lá saber! Ativei as notificações para a zona de Aveiro e Coimbra e apareceram tantos avisos de fogos durante os últimos dias que eu pensei que a terra tinha-se transformado num inferno.

O mundo está louco?! Anda tudo louco?!

No facebook encontramos o mesmo desabafo em muitos comentários.

Depois de viver a angústia desta tragédia (à distância de 15 kms), cheguei à conclusão que estamos sob um ataque terrorista. Já se percebeu que tantos fogos não podem ser "naturais". Foram encontrados sinais de fogo posto e até já apanharam algumas pessoas. Mas não me lembro de nunca ter sido assim ou seja, repetirem esta "atividade" tantas vezes em curtos espaços de tempo em quase todo território português.

Eu não sou ninguém para analisar estas coisas, mas... fico a pensar. E como eu muitas outras pessoas: estes fogos são no interesse das empresas madeireiras, no interesse de empresas de consumíveis necessários ao combate dos fogos, empresas das vestes dos bombeiros, ou como li recentemente no interesse de empresas de aviões e jatos particulares, etc.

Também já ouvi quanto à responsabilidade do estado em que investe mais em meios de combate do que em estratégias de prevenção. Muito se fala e diz, mas o facto é que os fogos têm sido postos com uma regularidade extraordinária na época do ano mais "interessante".

Não será isto um ataque terrorista?

Outra coisa que tenho ouvido é a reação relativo à "mão-de-obra" desta atividade: os piromaníacos.

Qual deverá ser o seu castigo? 25 anos de prisão? Serem colocados no meio do fogo? 

Eu, depois de ter visto um fogo de perto (AQUI), não posso imaginar quem quer que seja (mesmo tendo cometido os piores crimes ) a ser queimado vivo.

Na minha pequena e humilde opinião, proponho por exemplo, para além da prisão e apoio terapêutico intenso, serem colocados junto dos bombeiros na 1ª fila de combate às chamas, com mangueiras nas mãos, a sentirem e a verem o inferno durante horas e horas até ficarem completamente exaustos. Claro que em termos práticos poderá ser uma ideia sem consistência, mas é uma ideia. Também sugiro o trabalho de prevenção: limpeza aos pinhais e terrenos em épocas mais frias (para não haver perigo de fugas ou início de fogo mesmo sob vigilância). Uma boa medida também seria, depois de cumprida a pena, terem um chip de localização para serem sinalizados quando necessário para as devidas entidades.

Opiniões, ideias é o que nós precisamos: conversar sobre as coisas que de facto têm importância, ouvir-mo-nos uns aos outros, votar com responsabilidade relativo a quem terá que tomar decisões por todos nós e penalizar quem de direito, sejam políticos, gestores, particulares, funcionários... Rezar, e muito. 

 

Que Deus nos proteja deste inferno na terra, porque ele contínua... 

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 Bairrada ferida de chamas, de João Paulo Teles

 

 

O inferno na terra

08.08.16, Helena Le Blanc

Nem todas as surpresas são boas!

A minha família passou este fim de semana numa povoação junto do Rio Douro. Notamos sinais de fogo na região. Infelizmente, não é novidade existirem fogos em Portugal, especialmente no verão.

Ao regressarmos, repentinamente o transito parou na auto-estrada A1, na direção de Porto-Aveiro. O meu marido disse-me que provavelmente seria por causa dos fogos. Estávamos numa zona antes de Albergaria.

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Pela primeira vez, vi a auto-estrada com carros parados nas três vias.

Todos começaram, pouco a pouco, a sair dos carros. Haviam autocarros e carros com adeptos de futebol do Club Braga do Sporting. Percebemos que a fila já se estendia, pelo menos, por 2 Kms. 

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A determinada altura, e observando a passagem de carros de polícia e 2 furgões da Unidade de Intervenção, consideramos que poderia ser um grande acidente, ou conflitos futebolísticos.

Vi todos o tipo de pessoas, todos o tipo de carros, todos o tipo de atividades durante esta espera...IMG_5918.JPG

Estávamos todos presos estar na auto-estrada, sem poder sair, durante 2h30 minutos.

Falamos de muitas coisas, tivemos muitos pensamentos. Eu aproveitei o tempo para ver uns vídeos do Padre Paulo Ricardo, para ler o ensinamento das Famílias de Caná, para ler a Mensagem do Papa no Angelus, e para pensar... em especial no ultimo parágrafo do evangelho deste domingo.

Um grupo de pessoas apareceram junto à vedação, com garrafões de água para o pessoal. Que bela lembrança. Fiquei muito agradecida.

-"Deram água a quem tinha sede" - umas das obras de Misericórdia. 

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Finalmente, começamos a andar. Aparece-nos uma placa de aviso: Perigo: Fogo 12 Kms de transito lento.

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Estava a anoitecer. 

Eu, atrás no carro, comecei a notar muito fumo à nossa frente. 

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E... sentimos o cheiro... 

Pouco a pouco a paisagem ia mudando rapidamente: muito fumo, manchas em laranja...

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Como já tinha escurecido, percebia-se melhor as cores... alaranjadas, até que se tornaram vivas: o fogo.

O carro ficou silencioso. 

 

 

Fiquei impressionada, chocada, assustada. Pensei no inferno: as chamas do inferno. Nunca tinha estado tão próxima de um fogo desta dimensão. Foi horrível! Veio-me à mente a descrição de Jacinta, das aparições de Fátima, sobre o inferno. Entendi um pouco melhor a aflição de Jacinta.

Perguntei-me: não há nada que possamos fazer para tirar as almas do fogo do inferno, desse sofrimento eterno? Que destino horrível...

 

"Jacinta, compreendendo tudo isto muito bem, nunca mais deixou de pensar na desgraça irremediável das almas condenadas ao Inferno. Mais do que tudo, causava-lhe angústia a ideia de um castigo sem fim. Às vezes, sentada numa pedra, punha-se a pensar, e dali a pouco perguntava a Lúcia:

- Aquela Senhora disse que muitas almas vão para o Inferno! E nunca mais vão sair de lá?

- Não!

- E mesmo depois de muitos, muitos anos?

- Não! O Inferno não acaba nunca!

- Mas, olha: então, depois de muitos e muitos anos, o Inferno ainda não acaba? E aquela gente que está ardendo lá não morre? E não vira cinza?! E, se a gente rezar muito pelos pecadores, Nosso Senhor os livra de lá?! E com os sacrifícios também? Coitadinhos! Temos de rezar e fazer muitos sacrifícios por eles!

Depois, lembrando-se das misericordiosas palavras de Maria, acrescentava:

- Que boa é aquela Senhora! Já nos prometeu levar para o Céu!

Outras vezes, meditando nos sofrimentos reservados aos pecadores que morrem sem arrependimento, Jacinta

estremecia de pena, ajoelhava-se e, de mãos postas, recitava a oração que Nossa Senhora lhes tinha ensinado:

- Ó meu Jesus! Perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.embers-142515_1280 (1).jpg

E permanecia assim, muito tempo, de joelhos, repetindo a mesma oração. De vez em quando, chamava pela prima ou pelo irmão, como que acordando de um sonho:

- Francisco! Francisco! Vocês estão rezando comigo? É preciso rezar muito para livrar as almas do Inferno! Para lá vão tantas, tantas!

Por esse motivo, também a impressionava muito o que Nossa Senhora anunciara a respeito da Segunda Guerra Mundial. Jacinta parecia compreender com muita clareza todas as desgraças que essa guerra traria para a humanidade e, sobretudo, para as almas dos pecadores. Quando Lúcia, vendo-a pensativa, procurava saber com que se preocupava, por vezes respondia:

- Nessa guerra que virá, muitas pessoas vão morrer e irão para o Inferno! Que pena! Se deixassem de ofender a Deus, nem viria a guerra, nem iriam para o Inferno!

Em outras ocasiões perguntava-se:

- Por que Nossa Senhora não mostra o Inferno aos pecadores?! Se eles o vissem, não mais pecariam, para não irem para lá!

Essa preocupação com as almas dos pobres pecadores tornava-se ainda mais viva quando a cristalina virtude de Jacinta chocava-se com alguma má ação ou dito ofensivo a Nosso Senhor. Então encobria a face com as mãos, e dizia:

- Ó meu Deus! Esta gente não sabe que, por dizer estas coisas, pode ir para o Inferno?! Perdoai-lhes, meu Jesus, e convertei-os. Com certeza não sabem que com isso ofendem a Deus! Que pena, meu Jesus! Eu rezo por eles. - E logo repetia: - Ó meu Jesus, perdoai-nos... etc."4007048302_a7947f8132.jpg

(Livro Jacinta e Francisco  Prediletos de Maria - Monsenhor João Clá)

Ler mais: AQUI

Porquê sofrer?

06.08.16, Helena Le Blanc

No ultimo post, a determinada altura, escrevi o seguinte:

"O que pode ajudar? A cruz. Faz parte deste processo a renúncia e o combate espiritual."

Ou seja, no meu caminho para a santidade, a cruz ajuda.

Cruz quer dizer sofrimento. 

 

Eu já conheci, na minha vida, várias dores mas nada comparado com o perder um filho, ver o meu marido a ser assassinado, perder o trabalho, sair do meu país sem nada, ver a minha casa a arder, ser violada, ser mal tratada com agressões físicas, ver um filho a ser espancado ou a ser afogado, ter uma doença grave, ter um familiar incapacitado, etc...

Tento não pensar muito em algumas destas coisas porque... fico sem folgo só de imaginar. Há muitas pessoas que infelizmente o vivem, e têm a minha profunda admiração.

Retomando, no meu trabalho eu tenho a oportunidade de conhecer pessoas.

Assim, telefonei a um Sr. por causa de um assunto desagradável: uma dívida. Este Sr. sempre mostrou ser um excelente comercial sem conteúdo e valores. Tinha prometido pagar a dívida através de uma outra negociata "meia maluca". Esta dívida passa por uma terceira pessoa que avançou com o seu nome, sem ter responsabilidade alguma.

Durante, mais ou menos, 3 anos eu sempre o conheci assim (seja presencialmente seja por telefone). Portanto, mais uma vez, eu estava à espera do que ele já me habitou: a mesma conversa de sempre cheia de promessas e de negociatas.

 

Encontrei uma grande surpresa. Contou-me pormenores da sua situação financeira e o que aconteceu na sua vida no ultimo ano: muito sofrimento à volta do nascimento do seu primeiro filho. Parecia outro homem, um homem maduro, adulto, a assumir as suas responsabilidades e a pedir desculpas. 

Dividi esta situação com a terceira pessoa. Esta confirmou que soube de uns pormenores vagos sobre a situação (na zona onde vivem), e que batem certo com o que ele me transmitiu. Ficou, tal como eu, sensibilizado, e concordamos em ter um pouco mais de paciência relativo à cobrança da dívida.

Nem queria acreditar: a transformação deste homem! Pareceu-me que estava a ver um filme a desenrolar-se à minha frente.

O sofrimento provoca mudanças, mas nem sempre são positivas. Está nas nossas mãos escolher um dos dois caminhos.

 

Precisei de uns minutos para me recompor. Foi um momento extraordinário para mim.

 

Aproveito para pedir, Cara(o) Amiga(o) uma oração por esta família,

 em especial por este bebe que, mal nasceu,

já tem que lutar pela sua vida.

 

Finalmente percebi a expressão "abraçar a sua cruz"! O sofrimento faz parte da vida, e é muito importante pois tem um papel e um objetivo. Poderemos não perceber nada, mas devemos ACEITAR e lidar com a cruz da melhor maneira. 

 

Muitas vezes surge a questão: porque é que Deus deixa acontecer isto ou aquilo?

A resposta é um mistério para a humanidade, no entanto podemos ACEITAR.

 

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Para concluir, deixo um pequeno episódio do meu filho:

- Xavier, a mamã vai comprar um chapéu da escolinha.

- Mas eu tenho este boné, não quero outro.

- Sim eu sei, mas tens que levar para o passeio um chapéu igual aos outros meninos. - respondi eu.

- Não.

Foi ter com a Educadora e contou-lhe o que estava a acontecer. Ela confirmou a minha versão e mostrou o saco dos chapéus todos iguais dos outros meninos.

Depois de pensar algum tempo, disse que sim.

Eu tinha dois tamanhos para ele experimentar. Ele deixou que eu experimentasse um e depois o outro na sua cabeça.

Surpresa: nenhum deles serviu e não havia mais nenhum tamanho disponível.

- Afinal terás mesmo que levar o teu boné - afirmei eu, à frente da Educadora. Ela sorriu. 

 

Eu também sorri, pensei e disse:

- Só tenho que aceitar os acontecimentos, pois Deus providencia! 

 

O que é ser católico praticante?

05.08.16, Helena Le Blanc

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Costumo dizer:

- "Eu sou católica praticante".

Ultimamente tenho afirmado muitas vezes isto, sem vergonha e receios.

Mas...

O que é que realmente quer dizer "praticante"? Eu sei que sou católica. Mas, e o "praticante" ou "não praticante"?

Parece-me ser de senso comum que praticante significa: ir às missas dominicais (na maior parte dos domingos), comungar, ser casado pela igreja.

Não praticante será dizer que se é batizado, que se terá frequentado a catequese e feito a Primeira Comunhão, e eventualmente o Crisma. Com sorte também terá casado pela igreja.

 

Ser praticante...

Ser católico praticante não se resume somente à participação nas Eucaristias dominicais (na maior parte dos domingos), comungar e ser casado pela igreja. Viver a nossa fé é muito mais do que isso, e como tal é fundamental - retomando o penúltimo post - fazermos parte de um Movimento Religioso Católico. São uma espécie de orientadores que nos ajudam, centímetro a centímetro, a "conhecer a nossa Fé para viver a nossa Fé e mais tarde partilhar a nossa Fé". 

Quando eu subscrevi as Famílias de Caná "estava a pedir" que me ensinassem, com modelos e palavras sábias, a ser uma "Católica praticante". Não estamos a falar de "escola/aluno". Basta estarmos presentes para... o caminho se iniciar, de forma natural e à medida de cada um, sem julgamentos ou competições.

Claro que na altura não tinha este discernimento. Simplesmente decidi dar o primeiro passo e deixar-me levar...

 

Hoje ser católica praticante quer dizer ir quase todas Eucaristias Dominicais, de vez em quando também às missas da semana, participar em momentos de Adoração ao Santíssimo, confessar-me com regularidade, rezar todos os dias uma oração familiar noturna, rezar o terço cada vez que tenho que conduzir pelo menos durante meia-hora, rezar o terço cada vez que faço caminhadas, ser generosa e caridosa para com os outros, ser muito mais compreensiva com os outros (especialmente com a minha família), ter começado a ler a bíblia (e não somente consultar), ler livros católicos, escrever este blog com uma periodicidade relativa, ... 

Tudo isto está enraizado na minha vida (umas coisas mais e outras ainda menos). Pouco a pouco começaram a fazer parte da rotina.

 

O Catecismo da Igreja Católica (um livro a consultar para qualquer dúvida sobre a nossa religião) diz o seguinte:

- Cada um de nós, no batismo, fomos lavados e santificados, em nome de Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus. Ele já nos conhecia antes de nascermos, tendo-nos predestinado a sermos como Jesus, o primogénito dos irmãos. Ele chama-nos à santidade.

 

... a santidade.

O que é? Cumprir a vontade do Pai, dedicando-me inteiramente à glória de Deus e ao serviço do próximo. 

Como chegar? Fazendo uso das minhas forças e capacidades que recebi de Deus. 

Como posso medir? Pela força da minha união com Jesus Cristo. O progresso espiritual tende à união cada vez mais íntima com Jesus. 

O que pode ajudar? A cruz. Faz parte deste processo a renúncia e o combate espiritual.

O que tenho que fazer? Seguir os ensinamentos da "lei de Cristo" que estão na Bíblia, receber a graça dos sacramentos, beber do exemplo da santidade de Maria, distinguir os irmãos que são testemunhos vivos de fé, aprender com as histórias dos santos. Encontro tudoisto na igreja, em comunhão com todos os batizados. 

(Nr.ºs 2013, 2014 e 2030 do Catecismo)

 

 

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"Eu sou o Senhor, Vosso Deus.

Deveis santificar-Vos e permanecer santos,

porque Eu sou santo;

(...)

sede santos,

porque Eu sou santo"

(Lv, 11, 44, 45) 

 

 

 

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