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as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

O povo está chateado com o meu filho!

09.09.15, Helena Le Blanc

Neste último domingo, chegamos de uma semana de férias. Os meus pais insistiram para que fossemos jantar lá em casa.

Chegamos cansados das férias (a precisar de umas férias das férias - acho que todos os pais percebem isto!), e a segunda coisa que ouvi da minha mãe foi o seguinte:

- O povo está muito chateado com o teu filho.

Eu não percebi à primeira, exactamente porque o meu filho tem quase três anos, e não achei possível que "o povo estivesse chateado" com um bebé! 

Ela repetiu.

Continuei a não perceber!

Ela explicou-me: as pessoas estão muito chateadas com o meu filho porque ele não toma atenção ao Padre na Missa. Aliás corre muito e faz muito barulho! Não têm respeito nenhum!

Eu nem queria crer no que estava a ouvir!

Relembro que estamos a falar de uma criança de quase 3 anos de idade!

 Uauuuuu!

 

Portanto, o povo acha que uma criança de 3 anos é capaz de prestar atenção ao Padre? - Impossível que uma criança com esta idade preste atenção do início até ao fim! Eu com 40 anos tenho dificuldades, quanto mais as crianças!

 

O povo acha que o meu filho poderia se portar melhor na missa? - Pelo recado que recebi, não é o caso, mas se fosse, eu responderia imediatamente SIM. Há crianças que se portam melhor ou pior nas Eucaristias. Têm a ver com a idade, disposições de humor quotidianos e com a natureza da própria criança.

 

No caso do meu filho é mais a natureza dele. É uma criança muito enérgica e muito teimosa! Que devo fazer?

- Dar pancada? Não me parece. Como poderei ensinar-lhe o conceito da paz se eu uso a agressividade com ele?

- Aplicar castigos? Ás vezes resulta. Outras vezes não resulta.

- Reforço positivo? Ás vezes resulta. Outras vezes não resulta.

- Não o levar à Missa?

 

Não. Recuso-me a fazer isso. Porquê?

- Se o fizesse implicava que nós, a nossa família, não poderia ir à missa enquanto família durante pelo menos uns 4 a 5 anos. Eu neste momento não me abstenho que ir a algum sítio ou a algum acontecimento por causa dele. Confesso que na maior parte das vezes é muito difícil mas não o deixo de fazer!

- Como é que eu poderei vivenciar a minha fé excluindo um membro da família? Especialmente quando me comprometi no Baptismo a não o fazer? Eu não deixo de vivenciar outra área da minha vida por causa dele. Às vezes reduzo mas não deixo de vivenciar. O tempo não dá para tudo e como tal temos que priorizar!

- Será que o Xavier irá algum dia perceber o quanto Deus é importante para nós se eu o excluir desses momentos? Por ex. se o meu filho nunca for a casa doas avós, nunca perceberá quem eles são!

 

Assim, cheguei à conclusão que as três passagens dos evangelhos Mateus, Marcos e Lucas (notem que são três) continuam a ser uma grande Surpresa de Deus para todos nós:

 

Mateus 19,13-15:

Naquele momento, foram-lhe trazidas crianças para que lhes impusesse as mãos e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreendiam. Jesus, todavia, disse: "Deixai as crianças e não as impeçais de vir a mim, pois delas é o Reino dos Céus". Em seguida impôs-lhes as mãos e partiu dali.

Marcos 10,13-16:

Traziam-lhes crianças para que as tocasse, mas os discípulos as repreendiam. Vendo isso, Jesus ficou indignado e disse: "Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele". Então, abraçando-as, abençoou-as, impondo as mãos sobre elas.

Lucas 18,15-17:

Traziam-lhe até mesmo as criancinhas para que as tocasse; vendo isso, os discípulos as reprovavam. Jesus, porém chamou-as dizendo: "deixai as criancinhas virem a mim e não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade vos digo, aquele que não receber o Reino de Deus como uma criancinha, não entrará nele".

 

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Sei que apesar de ter pouca idade, e de ser um grande "rebelde", ele:

- reconhece as imagens de Jesus (seja a face, silhueta ou na cruz), a imagem ou estatuetas de Maria, a mamã de Jesus;

- sabe dizer "Ámen", no fim das orações que costuma ouvir, sem que ninguém lhe tenha que dizer;

- imita a genuflexão na Igreja (o problema é que faz virado para o fundo da igreja e não para o sacrário);

- faz o sinal da cruz (ainda não de forma perfeita, mas está quase).

Isto tudo sem que nós tenhamos insistido para ele aprender. Ele já faz mais que algumas crianças com 6 anos quando iniciam a catequese.

O meu filho não é melhor ou pior. Simplesmente como nos acompanhando vai aprendendo. Há crianças que, da mesma idade e mais novas, percebem e fazem muito mais do que o Xavier. E não é por terem sido excluídas da vida religiosa dos seus pais!

 

Meu Deus,

agradeço-te por confiares em mim e entregares-me este bebe! 

  Apesar dos protestos do povo,

continuarei a mostrar a esta criança que tu és o nosso único e verdadeiro Pai.

Ámen 

O aniversário de Nossa Senhora!

08.09.15, Helena Le Blanc

Confesso: eu não sabia que hoje se comemorava o aniversário do nascimento de Maria. Que vergonha, tal é o meu desconhecimento e desatenção relativo às questões da fé e da vida religiosa!

Foi com grande surpresa que no facebook tive essa notícia.11230672_858439260891673_2028121807388599430_n.jpg

Fui logo tentar perceber mais, depois de colocar no meu calendário, tal como faço com os aniversários da minha família e amigos!

Hoje, dia 8 de Setembro, a Igreja Católica e Anglicana celebra a natividade de Nossa Senhora, Mãe de Jesus Cristo.

Ela é o início de tudo. E para ser o início de tudo, teve que nascer perfeita, pura, sem a mácula do pecado original. 

Maria é o princípio da nova aliança, de uma nova época de relacionamento entre o nosso Deus e nós! 

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Descobri que o seu aniversário  já era celebrado no Oriente, antes de ter sido instituído no mundo Ocidental.

Provavelmente teve origem em Jerusalém, em meados do séc. V.

Nessa cidade se manteve viva a tradição que Maria teria nascido junto à Porta da Piscina Probática, num sábado, 8 de Setembro, em 20 anos a.c.

Hoje ergue-se no local a Basílica de Santa Ana.

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sítio arqueológico ao lado da igreja de santana.

 

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A tradição também diz que Maria nasceu de pais já velhinhos e estéreis, Joaquim e Ana. Este casal sofreu a esterilidade com paciência e resignação, e como tal foram premiados pelo nascimento da sua filha Maria, a futura Mãe de Jesus. 

Deram-lhe o nome de Maria, que em hebraico, significa "Senhora da Luz". 

Os seus pais ofereceram-na ao Templo de Jerusalém aos 3 anos de idade, tendo lá permanecido até aos 12 anos.

 A Igreja, hoje, convida-nos admira Nossa Senhora como sendo Ela a aurora que anuncia o Sol de justiça que dissipa as trevas do pecado. Nela, a Igreja convida a "contemplarmos uma menina como todas as outras, e que ao mesmo tempo é única, pois, Ela é a "bendita entre todas as mulheres" (Lc 1, 42), a Imaculada "filha de Sião", destinada a tornar-se a Mãe do Messias".(João Paulo II, Audiência de 8/9/2004).

A bíblia não fala da natividade de Maria. Não há nenhum relato profético, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários. Mas a Igreja tem a certeza que nesse dia somente no Céu houve uma grande festa. 

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Engraçado: no mesmo artigo (referido anteriormente) realçam, na visitação de Maria a sua prima Isabel, como o bebe - João - salta de alegria ao ouvir a voz de Maria! 

"(Maria) Entrou em casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando esta ouviu a saudação de Maria, a criança mexeu-se dentro dela. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e disse em voz alta: Abençoada és tu, mais do que todas as mulheres, e abençoado é o filho que de ti há-de nascer! Que grande honra para mim ser visitada pela mãe do meu Senhor!" Lc 1, 40-3

Sempre ouvi este relato (apressadamente) e pensei que o bebe "rejubila de alegria" porque pressente a presença de Deus encarnado no ventre de Maria, e a saudação a Maria é por ela ser a mãe de Jesus. Mas hoje percebi que não é tão simples! Ela, filha de Ana, é um ser perfeito, sem mácula, e por isso João Batista (concebido no pecado original) ao ouvir a voz de Maria estremece de alegria. Maria nasceu para, através da sua maternidade, ser instrumento da derrota todo o mal no género humano.

A cor de hoje, na paramentação das celebrações, naturalmente é branco.

Hoje à noite, no nosso momento de oração, antes do Xavier ir para a cama, vamos cantar os parabéns a Nossa Senhora!

 

Obrigada Meu Deus,

por não teres desistido dos teus filhos, e mais uma vez teres feito uma nova aliança,

através da tua encarnação e nascimento de Jesus Cristo,

que ofereceu a sua vida humana pela remissão dos pecados de toda a humanidade,

desde o  princípio e até ao fim!

Ámen.

 

Uma pulseira no tornozelo!

07.09.15, Helena Le Blanc

Eu gosto muito de viajar (para "mal dos pecados" do meu marido! Ele é do tipo caseiro!)

Numa das viagens que fiz, comprei uma recordação: uma pulseira para colocar no tornozelo!

Não consegui comprar uma porque só vendiam aos pares! Aos pares?! Na Índia, em viagem de lua de mel, percebi que as mulheres usavam pulseiras nos dois tornozelos, ou não usavam de todo! Desta forma, identificavam-se como mulheres casadas.

A sério?!

 

Na altura não liguei muito. Usei-as durante algum tempo ate que uma partiu. Foi arranjada, e voltei a usar ate que outra partiu. Desisti.

 

Neste verão parei numa loja, prestei mais atenção a essas pulseiras, e todas as imagens dessa viagem tornaram-se mais lúcidas. Comprei, não uma, mas duas pulseiras iguais para os meus tornozelos e decidi que merecia uma investigação da minha parte! 

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Essas pulseiras chamam-se tornozeleiras (que nome esquisito!). E na maior parte das culturas do mundo aparecem no quotidiano das mulheres, por razões diferentes! Podem ser feitas de diversos materiais: ouro, prata, bronze, ferro, vidro, marfim, missangas, couro, plástico, fio, amuletos, sinos, guizos, etc...

Uma jóia, como estas pulseiras, em qualquer cultura do mundo, representam o desejo de um vínculo permanente, a alguém, a alguma coisa ou a um objetivo. A palavra "jóia" (bijou em francês) deriva do vocábulo francês arcaico joie (alegria). Significa o que realmente está a sentir. Cada vez que se coloca um adorno no corpo, para além de proporcionarmos beleza, queremos assinalar um acontecimento (do foro espiritual) e assim viver um novo ciclo.

 

EUA - Em 1970 surge um costume exclusivo: quando um menino pedia a uma menina um relacionamento sério, dava-lhe uma tornozeleira que tinha dois corações e duas folhas sobre eles. Na história original, curiosamente a menina não usou a pulseira no tornozelo mas, em vez disso, acrescentou um pedaço de arame e usou-a à volta do pescoço.

China - o tornozelo representa uma das partes íntimas do corpo feminino;

Antiga Grécia e Romanos - o tornozelo era um dos pontos de fixação das asas do Deus Mercúrio, que simbolizava comunicação, sublimação e elevação. Ao oferecer estas pulseiras, estarei a dizer "seguirei-te para todo o lado!"

Egipto - Muitas das estatuas, homens e mulheres, são representadas por pulseiras em ambos tornozelos e pulsos que combinavam;

Índia: crença hindu - os tornozelos das mulheres hindus recebiam o "payal", cadeias de tornozelos pesadas, quando casavam, para fazerem barulho e serem ouvidas em qualquer lugar da casa, para que os maridos, quando ouvissem os pés a tremer, fossem em seu socorro. Em domínio  muçulmano tudo poderia acontecer!

Índia: região do Rajastão - os tornozelos das mulheres usam pulseiras de prata e significam adesão tribal, adesão a uma nova família. Usam para mostrar a sua bravura como fazendo parte da sua tribo relativo às rivais.

 

Neste país, a palavra "jhangheer" quer dizer tornozeleira e significa correntes. Assim, a tornozeleira é a corrente que uma mulher usa em seu casamento.

 

Curioso que encontrei o significado das pulseiras "escravas" na mesma pesquisa. A origem, numa lenda índia, significa que a mulher ao casar-se com um índio recebia uma pulseira que significava fidelidade. Os índios, como tinham muitos confrontamentos com os conquistadores europeus, muitos perderam as suas vidas nessas lutas. Então, a mulher índia, ao morrer o seu marido, poderia casar-se com outro, que lhe poria outra pulseira (escrava).

 

Encontrei diversos disparates (do foro sexual) relativo ao uso destas pulseiras nos tornozelos.

Também percebi que popularmente esta pulseira, na Europa, é só usada num tornozelo.

 

Um outro objetivo para o uso destas correntes (pulseiras), nos tempos antigos orientais, era o treinar a caminhar dando passinhos para um andar gracioso e delicadamente feminino. 

Na bíblia, especialmente no Antigo Testamento, encontramos algumas referências a estas correntes nos tornozelos femininos (Num 31, 50; Is 3, 20; Je 10, 5; Pr 7,8).

Como há objetos e comportamentos que identificam os homens como casados, também acho bonito as mulheres casadas usarem estas pulseiras como símbolo de uma relação única e especial com um homem, o seu melhor amigo e companheiro de vida.

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Concluindo, nas principais culturas do mundo, as mulheres usaram (e usam) estas pulseiras. São pulseiras bonitas, e com um significado especial: uma nova etapa nas suas vidas.

Na medida certa e com o significado certo, nós poderemos usar adornos para assim transmitirmos a alegria de sermos seres amados por um homem, mas mais importante do que isso, seres amados por Deus!

 

Agradeço-te, Meu Deus, pela criativiade do homem,

em conceber coisas tão belas

para marcarem e lembrarem como nos sentimos felizes e alegres nos momentos importantes e significativos da nossa vida ! 

Uma peregrinação com 417 anos!

05.09.15, Helena Le Blanc

Amanhã, em Mogofores, realizar-se-á, pela 417ª vez a peregrinacao ao beco.

 

O que é isto?

 

A população de Mogofores (concelho de Anadia, destrito de Aveiro) faz todos os anos uma peregrinação, no primeiro sábado do mês de Setembro a Macinhata do Vouga (concelho de Agueda). Vão de autocarro e de carro. Há dois anos um grupo decidiu ir a pé, e no ano passado juntou-se-lhes o grupo de acólitos. Eu era um deles. Não consegui fazer todo o caminho a pé (30 Kms! Sou mesmo fraquinha!)! Mas a grande maioria decidiu e venceu!

 

É uma tradição muito acarinhada pelos habitantes.

Apesar do nome "Mogofores" ser um topónimo de origem árabe, existe uma lenda por detrás. Diz que todos os anos (supostamente na Idade Média) desaparecia uma pessoa da localidade e nunca mais era encontrada. Ora nesses velhos tempos vivia nessas bandas uma bruxa que dava pelo nome de MOGA. O povo começou a atribuir-lhe o anual desaparecimento de pessoas e, exasperado, grita:

MOGA FORA!    MOGA FORA!    MOGA FORA!

Daí tanto gritaram que surgiu o nome de MOGOFORES. 

O destino da bruxa ninguém sabe, mas os habitantes fizeram uma PROMESSA. E a promessa consistia em ir todos os anos em peregrinação à Senhora do Beco.

Nunca mais nenhuma pessoa desapareceu da povoação.

Nos primeiro anos a peregrinação era feita a pé, e depois com carros dos bois.

Amanhã, mais uma vez, as pessoas fiéis à promessa, irão até Macinhata do Vouga, à Capela da Nossa Senhora da Paz.

Na mesma capela poderá ser observado um círio que há muito anos foi oferecido pelo povo de Mogofores.

Resta uma pergunta para a qual não encontrei resposta: porquê o nome "beco"? Alguém sabe?

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Este ano haverá uma grande novidade. As Famílias de Caná, irão de BICICLETA, pela primeira vez.

A Aldeia de Mogofores (das Famílias de Caná) lançou este desafio:

"... no próximo sábado, dia 5, Mogofores terá a sua peregrinação anual a Nossa Senhora a Paz, no Beco, pequena aldeia perto de Águeda. Assim, lembrámo-nos de (...) fazer a peregrinação de bicicleta. São cerca de trinta quilómetros. (...) À partida, começaremos no santuário às sete da manhã, com a oração do Shemá e a Consagração. O Niall e o João Teles estão na organização desta bicicletada, pelo que não tenham receio de enviar os vossos jovens, mesmo que os adultos sigam de carro.(...) A missa no Beco é às dez da manhã, seguida de almoço partilhado e convívio. Alinham?
Iremos oferecer a nossa peregrinação pelos milhares de migrantes que chegam todos os dias à Europa. E este é o desafio que queria também lançar a todas as Aldeias de Caná já existentes e a todas as Famílias de Caná: durante os próximos quinze dias, encontrem um tempo de oração em conjunto - algo simples, como o terço ou uma hora de adoração - para rezarmos todos por esta grande intenção. São milhares de famílias a precisar de tanto! Vamos, Famílias de Caná, rezar intensamente, e juntas, por eles. Alinham?" - Teresa Power

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 Amanhã não poderei juntar-me à atividade proposta, mas iremos rezar, tal como outras famílias de outras aldeias, pela mesma intenção: emigrantes, refugiados, pela paz e pelo fim das perseguições.

Uma tatuagem...

03.09.15, Helena Le Blanc

Com o Verão, comecei a reparar que as pessoas, cada vez mais, fazem tatuagens.

Quando era mais nova, pensei sobre a questão, mas por falta de coragem ou por indecisão (relativo ao desenho) nunca fiz uma tatuagem.

Da igreja e das pessoas ligadas à igreja sempre ouvi, direta ou indiretamente, a mensagem que era errada tatuarmos o nosso corpo porque sendo ele imagem de Deus, temos o dever de o cuidar e de o preservar nas melhores condições, já que é o sustentáculo do nosso coração, da nossa alma, do nosso Pai. Afinal, nós somos seres divinos, certo? Assim, entendo que temos de ter cuidado com a nossa saúde por causa de nós e da nossa família.

Mas neste Verão comecei a ficar incomodada com a quantidade de tatuagens a minha volta. E, discretamente, comecei a tirar fotos para escrever sobre o assunto.

Procurei a temática no Catecismo da Igreja e descobri... nada. Nada de nada. Não encontrei nenhuma referencia expressa ao assunto. Fiquei um bocadito perdida.

Pesquisei na INTERNET e encontrei um artigo do Padre Paulo Ricardo em que diz que a tatuagem (e o piercing), "de maneira isolada não podem ser intrinsecamente maus".

O quê?! Sério?

Depois explica: a resposta está no motivo. Qual é a razão que leva a pessoa a submeter-se à dor para uma tatuagem ou colocar um piercing?

 

Tradicionalmente na cultura ocidental a tatuagem significava revolta, desejo de romper com as regras estabelecidas e uma expressividade diferente do sentimento de amor.

 

O Catecismo, quanto aos deveres que temos em relação ao nosso corpo diz o seguinte:

 

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Portanto, tal como tudo o resto, se tiver um motivo nobre, que não prejudique ninguém nem a mim própria, poderei fazer uma tatuagem.

  - Não prejudique ninguém: o desenho ou as palavras que possa colocar no meu corpo, para toda a vida, não ofenda ou nunca venha ofender os outros, seja a minha família ou desconhecidos;

  - Não me prejudique: que não se torne um problema de saúde ou que se torne um obstaculo nos meus relacionamentos, sejam familiares, sociais ou laborais.

O mesmo se aplica aos piercings, evidentemente.

Assim, completamente surpresa e esclarecida, passo a observar as tatuagens que fui encontrando neste verão:

 

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 O que será que significa? O motivo? Devera ser muito especial e único! 

 

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Uma palavra num código linguístico oriental. Não é original. Houve uma época que todos o faziam, especialmente os seus nomes próprios. Motivo? Porque era "cool" e "fashion"? Especialmente por causa da onda das artes marciais e filmes de karaté? Talvez... E o desenho mais pequeno, o que será?

Desisto.

 

 

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Um Sol?

Acho que quando pensamos em fazer uma tatuagem temos que nos preocupar necessariamente com a sua beleza e o seu desgaste, especialmente as coloridas.

Já repararam no estado das tatuagens depois de 10 ou 20 anos?

Se fizer uma tatuagem, que ficara para todo o sempre no meu corpo, eu quero que seja sempre bonita!

(Parece-me que já há técnicas de eliminação das tatuagens,mas parece-me que ainda não são financeiramente acessíveis!)

 

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O que será? Uma espécie de rosa dos ventos? Porque? Encontrou o NORTE ou o SUL?

Não faço a mínima ideia!

 

 

 

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Reparei que existem muitas destas! Qual o significado? Porque motivo?

Uma que encontrei e que fiquei espantada (não consegui tirar fotografia) eram numa das pernas, de alto a baixo, as patas de um cão. 

Sei que existe forma de tatuar sem que fique para sempre. Desejei que fosse o caso!

 

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O que será isto?

 

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Esta tatuagem intrigou-me bastante: um lobisomem?! Serio? Uma tatuagem de lobisomem?!

UAU! Nem me atrevo, sequer, a imaginar o motivo!

 

 

 

 

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Um Lobo? Um cão-lobo? Penas? Índios Americanos?

 

 

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Um laço, símbolo da luta contra o cancro. Esta tatuagem poderá fazer sentido para mim!

Se assim for, é um motivo nobre e digno!

 

E por coincidência, tropeço nesta fotografia:

 

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O Pai faz uma tatuagem para que a filha não se sinta diferente. 

 

Sem duvida, aqui esta outra tatuagem que tem um motivo nobre e digno!

 

Algum dia farei uma tatuagem? Talvez sim. Talvez não.

Mas agora percebo a posição da igreja, e que não é nada tão dramática e drástica como eu pensava. 

 

Quase que me atrevo a fazer uma comparação: o sacrifício e esforço que as pessoas fazem para ir a Fátima a pé. Chegam com feridas e muitas dores, mas por um grande motivo.

 

Algum dia farei um piercing? Definitivamente NÃO. Não há nenhum motivo valido, no meu ponto de vista, suficientemente nobre e digno para colocar uma coisa daquelas! Perdoem-me se ofendo ou magoo alguém, mas trata-se somente de gosto (e coragem!) 

 

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