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as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

as surpresas de DEUS!

uma cristã católica com sérias dificuldades no caminho da Santidade!!!

O meu avô Roger!

24.07.15, Helena Le Blanc

O Xavier foi visitar o avô Roger, aquele avô que só vê uma vez ou duas por ano.

Apesar de o Xavier ter dois anos de vida, quase três, foram ainda poucas as vezes em que ambos estiveram juntos! 

Pouca coisa têm em comum, para além do nome LeBlanc.

 

- Não se conhecem muito bem;

- Não falam/dominam bem a mesma língua;

- Sentem-se muito curiosos um pelo outro;

- O Xavier têm dois anos e é uma bateria ambulante;

- O Avô têm 62 anos e, bem, têm um ritmo diferente;

- (Ambos dormiam a sesta à tarde);

- O Xavier gosta muito de mexer em tudo e de desarrumar;

- O Avô gosta das coisas no sítio, especialmente o seu jogo de xadrez que permanece "em stand-bye" para retomar mais tarde;

- O Xavier não gosta muito de comer;

- O Avô gosta muito de preparar uns pequenos almoços bem calóricos;

- O Avô tentava encontrar algo com que fizesse o "miudo" prestar-lhe atenção;

- O Xavier fazia de conta que não o estava a ouvir;

- ...

 

Mas bébes, rapazinhos, homens, todos "são farinha do mesmo saco"! Vejam no vídeo o que acabou por ser o ponto comum de ambos.

Para o Xavier, o Avô Roger é o máximo!

Para o Avô Roger, foi super interessante ter um rapazinho que se interessa pelas suas coisas...

 

  

Nota final: aquela espécie de produto preto coloca-se por cima da terra, depois de limpa, impedindo as ervas daninhas crescerem.

O gelado do Xavier...

22.07.15, Helena Le Blanc

O meu filho, ofereceu-me um momento que será difícil eu esquecer!

Pela primeira vez, vi-o a comer gelado...  

Só consegui filmar um bocadinho, mas imaginem isto durante uns 15 minutos.

Fui-lhe dando instruções para ir comendo o gelado... Achei que isto seria uma daquelas coisas instintivas... 

 

Deus,

agradeço por me permitires ser mãe

e por me teres confiado este belíssimo bébé!

 

James, nós não podemos comungar! #2

19.07.15, Helena Le Blanc

 - James, nós não podemos comungar! - disse-lhe eu.

O James começou a acompanhar-me à Eucaristia Dominical e como cristão que frequentou (mais ou menos) a catequese, tinha essa noção e aceitou (mais ou menos) bem, até ao dia em que descobrimos que ele não tinha sido casado pela Igreja Católica, já relatado num dos posts anteriores.

Mas mesmo assim, eu voltei a repetir:

- James, nós não podemos comungar!

- Porquê?" - retorquiu ele.

E desta vez foi mais difícil aceitar. 

 

Dois adultos, um homem e uma mulher, solteiros (pelo menos um solteiríssimo da silva, e outro divorciado de casamento não católico), a viverem juntos num T2, com dois gatos e um cão, boas pessoas (na maior parte das vezes), ativos profissionalmente, frequentemente solidários com o próximo, participantes na vida da paróquia... Porque raio é que não deveríamos poder comungar?

Será que a igreja não poderia facilitar um pouco e, já agora, modernizar-se e acompanhar os tempos? Porque é que têm que ser tão complicada? Como oiço tantas vezes dizer, é por estas e por outras que a igreja vai perdendo as suas ovelhas!

Não conseguíamos entender o que é que se passava na cabeça de Deus, ou então isto tudo seria fruto das cabeças dos homens!?

Ficamos "revoltados", e quase abandonamos a nossa relação com Deus.

 

quase...

 

- James, nós não podemos comungar, e tem calma, por favor! - disse-lhe eu.

 

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Antes de tomar uma decisão, decidi procurar saber o porquê das coisas. Não nasci ensinada e não poderia ter vergonha por não saber. Eu tinha o direito/dever, pelo menos, de tentar saber. Não sei se a minha condição humana deixar-me-ia entender as coisas de Deus (engraçado - as coisas de Deus - um titulo que pensei dar a este blog), mas pelo menos eu tinha que encontrar alguma coisa que "confortasse" o meu coração, e ajudasse-o a ouvir, com mais solicitude, a ordem do meu cérebro: não posso comungar.

 

Procurei, perguntei e pesquisei. Nos textos que lia, encontrava muitas vezes um conjunto de números e a referência ao Catecismo Católico da Igreja. Nunca tinha dado importância, até à data, a este calhamaço. Mas foi por causa deste que o meu cérebro começou a ver uma luzinha ao fim do túnel!

Refiro que, apesar de todo o estado de "revolta e confusão", nunca deixámos de participar na paróquia. Assim:

2390 - "Existe união livre quando o homem e amulher se recusam a dar uma forma jurídica e pública a uma ligação que implica intimidade sexual.

A expressão (união livre) é enganosa: com efeito, que significado pode ter uma união na qual as pessoas não se comprometem mutuamente e revelam, assim, uma falta de confiança na outra, em si mesma ou no futuro?

A expressão abrange situações diferentes: concubinato, recusa do casamento enquanto tal, incapacidade de assumir compromissos a longo prazo. Todas estas situações ofendem a dignidade do matrimónio, destroem a própria idéia da família, entraquecem o sentido da fidelidade. São contrárias à lei moral. O ato sexual deve ocorrer exclusivamente no casamento; fora dele, é sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental.

2391 - Muitos reclamam hoje uma espécie de ´direito à experiência´quando há intenção de se casar. (...) O amor humano não tolera a experiência´. Ele exige urna doação total e definitiva das pessoas entre si".

 

Isto fez sentido para o meu cérebro. Afinal, quando um jovem casal decide ir viver junto, é porque a relação é séria e forte, certo?

Então, se é séria e forte, porque é que não é séria e forte o suficientemente para casarem? 

 

- Ah! Se não der certo, é mais fácil separar sem a papelada do divórcio.

- Ok. Então quer dizer que já estás a pensar nessa possibilidade?

Desculpa meu caro e minha cara, mas se já tens esse receio da separação, então tu não a amas ou não o amas. Sentes sim, forte e seriamente, uma grande paixão, e nada mais para além disso.

Se fosse eu, perguntar-me-ia: não serei eu suficientemente especial e importante para que ele se comprometa comigo para o resto da sua vida? 

Por isso, a pergunta a fazer é: casar... e porque não?

Ele (ou ela) teria muito que explicar; porque é que não se daria ao trabalho de casar comigo!

 

 

É que isto do casar, tem muito o que se lhe diga, e não é só sobre o quanto se gasta (horrores de dinheiro) ao fazer esta festa. É que, tal como a mulher precisa de 9 meses para se preparar para o seu papel de mãe, o casal de namorados precisa do tempo de planeamento do casamento para se preparar para começar a ser um só.

Há muito para decifrar e discutir na preparação de um casamento, e tenho a certeza que, na maior parte dos namoros, não se fala destas coisas: custo de um casamento, constituição de um menu, decoração de uma igreja (as flores, os tules, as velas), a escolha dos padrinhos/testemunhas, a lista dos convidados, o local da cerimónia e da festa, o fotografo e os produtos que vão querer, a habitação e os móveis, a lua de mel (viagem e onde), contas bancárias, que prendas se quer receber,  a musica do casamento, os vinhos do casamento, preparar as malas para sair de casa dos pais pela primeira vez, etc...

Tanta coisa para decidir, e um rol de situações para resolver! Tenho a certeza que é nesta preparação que o casal se redescobre. É o início de muita coisa: negociar amorosamente, ceder amorosamente, ganhar amorosamente... aprender a ser um só!

Por isso, casar... e porque não? É uma aventura tão gira que todas as mulheres (e rapazes suponho, mas falo mais por mim) deveriam ter o direito de vivenciar! 

Agora imagina... Ele está a tomar umas atitudes esquisitas... com o dinheiro, com a roupa do casamento, com as flores, com os carros, com a lua de mel, com a lista de convidados... Nunca tinhas visto este lado dele. Repensas e começas a descobrir um outro lado do teu namorado que, até à data ele tinha escondido muito bem. É muito mais fácil acabar um namoro quando se esta ainda noivo, do que quando já se vive junto.

 

Retomando a temática, se um casal viver juntos não estando casados não poderão comungar. Esta é a Lei de Deus. Só há duas soluções: ou vivem em castidade (que parece-me ser muitíssimo difícil), ou aceitam viver em pecado e não comungam.

Isto é como outras coisas na vida: eu aceito viver num apartamento alugado até que tenha dinheiro para comprar uma casa, ou então vivo em casa dos meus pais submissa às suas regras, até que tenha possibilidades financeiras para a comprar.

Somo nós a decidir. Deus não decide por nós. Nós é que efetivamente decidimos, mediante o conhecimento das regras.

Nós poderemos tentar perceber alguns "porquês", à medida que investigamos e interpretamos melhor a nossa natureza humana, mas na verdade só Deus sabe todos os porquês, e isso faz parte dos mistérios de Deus!

 

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No nosso caso concreto, a coisa foi um bocadito diferente.

Quando decidimos viver juntos estávamos convencidíssimos que nunca poderíamos casar pela igreja, e como tal tomamos a decisão de viver juntos. Estávamos em constante pecado porque nos relacionávamos muito intimamente. Como tal, mesmo que não percebesse  Deus e a sua Igreja, respeitava-o e não comungava. 

 

Depois de estar casada civilmente, e porque o nosso grande problema era com o Estado e não com a Igreja, reiniciei a comungar. Tinha publicamente proferido os meus votos, junto da minha família e amigos, mas não tinha sido (ainda) abençoada por Deus por causa de erros humanos, portanto, no meu cérebro, fez sentido eu recomeçar a comungar. 

Quando não podemos comungar, a "comunhão" assume uma grande importância! Estava esfomeada pelo corpo de Jesus Cristo.

Para grande vergonha minha, fui chamada atenção pelo Sr. Padre. Continuava a não poder comungar.

- James, nós continuamos a não poder comungar! - disse-lhe eu, mais uma vez!

 

Deus é o meu Pai e como tal ama-me profundamente.

Deus é amor e Deus é perdão. 

Então porquê? Porquê tudo isto?

 

Se até à altura o meu cérebro tinha visto uma pequena luz, o meu coração continuava aos pulos e ansioso!

Foram as Famílias de Caná que trouxeram a ultima parte da resposta.

Eu sou a mãe e como tal amo o meu filho profundamente. Assim, procuro defendê-lo de todos os perigos, e conforme a idade do meu filho, ele vai percebendo ou não. Por exemplo, o meu filho com 2 anos não faz ideia do perigo que é ao atravessar uma estrada. Não faz a mínima. Adora "pó-pós" e sente-se atraído pela estrada.

Estou sempre atenta e farto-me de lhe dizer ou até de gritar, conforme as circunstancias. Ele não percebe. Olha para mim espantado e, sem perceber, acha que a sua mamã endoideceu de vez! Mas pelo grande amor que lhe tenho, esforço-me para que não vá para a estrada e que fique sujeito a um acidente.

Agora imagino isto entre mim e Deus! Apesar de eu ter a certeza absoluta que é para meu bem eu re-casar com aquela pessoa (ou pelo menos não manter o meu casamento com o outro) ou estar a viver intimamente com um homem sem estar casada, Deus, o meu adorado Pai, que me ama profundamente, faz todo o possível para me proteger do perigo, que nestas circunstancias particulares não faço a ideia do que seja! Mistérios de Deus, como dizia à pouco.

Assim, só me resta aceitar a sua advertência e cumprir com o castigo: não comungar!

Se o meu pai ou a minha mãe decidem que não é bom para mim comer frango, e mesmo eu achando um grande disparate pegado, não  deverei aceitar e ceder? Uma relação de amor supõe comportamentos em conformidade. Não será um ato de amor deixá-los terem a sua razão e obedecer anulando-me a mim própria? 

Quando ultrapassei os 35 anos vi-me a fazer isto tantas vezes! O que interessa ter ou não ter razão? Se gosto deles então sacrifico a minha vontade e o meu pensamento e cedo-lhes a razão.

O mesmo se aplica à minha relação com Deus. Deus é amor. E como tal, sendo eu sua filha amada, Ele também espera sacrifícios de amor da minha parte, independentemente se tenho razão, ou se percebo o porquê das coisas.

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Concluo com as seguintes notas:

1 - Quem não pode ir comungar é que acaba por perceber e sentir o verdadeiro significado do sacrifício de Jesus Cristo, pelo menos mais depressa do que aqueles que comungam todos os domingos;

2 - Não se é mais pecador ou menos pecador por não se poder ir comungar. Quem não pode comungar está nas mesmas condições de poder ou não alcançar a santidade, a grande missão de todos nós, tal como os que podem ou não podem comungar. Deus ama o seu filho amado, podendo este comungar ou não!

3 - Conhecem o Rei David do antigo testamento? Há imensas histórias deste Rei David! E com uma delas concluo este post. Sabem que ele assassinou (ou mandou assassinar) o marido da sua amada, para se poder casar com ela?

Matar é um pecado muito grave. Ele foi responsável por uma morte. E sabem que mais? O Rei David é santo, filho amado de Deus! Ele alcançou a santidade. Por isso, é na relação de amor que está a resposta. Eu obedeço ao meu Pai/Deus (tenha lá ele razão ou não). Afinal eu amo-o tanto que não interessa nada quem tem razão ou perceber de razões! Ele diz para eu fazer isto ou aquilo, então eu submeto a minha vontade e faço isto ou aquilo segundo a sua vontade. É o mínimo que eu posso fazer, tendo em conta o tanto que ele já me deu, e que continua a dar-me todos os dias!

James, nós não podemos comungar! #1

13.07.15, Helena Le Blanc

Eu, catequista e católica praticante (quer dizer que ia à missa todas as semanas, e isso e tal....), quando conheci o James - supostamente divorciado de uma casamento católico - fiquei dividida! 

Eu tinha regressado à minha igreja de infância, fazia 4 anos na altura, e azar dos azares estava a apaixonar-me (outra vez) por um homem divorciado! Como é que eu ia fazer? Como é que eu ia contar ao Pároco? O que é que iria acontecer? Pois, desapaixonar-me não me pareceu (de longe) ser a solução! Aliás, como é que isso de faz?

Como poderão perceber em posts anteriores, já estando eu a viver com o James, um ano depois de o ter conhecido (e em pleno processo de desabituação tabagismo), tomei coragem e contei ao Pároco. Estava à espera do pior. Surpreendentemente o Sr. Padre decidiu aproximar-se de "nós".

Apesar das nossas boas intenções ( e ter percebido o que se passou para que a ex-mulher do James decidisse sair de casa e pedir o divórcio), o facto é que existia uma regra na igreja que dizia que eu - mulher solteira - ao viver com uma pessoa divorciada de um casamento ratificado e consumado, passava a ser adúltera, porque tinha atraído para mim o marido de outra mulher, MESMO SEM EU TER NADA A VER COM O FATO DE ELES SE TEREM DIVORCIADO. Estava a pecar contra a Lei de Deus!

 

Deus também tem leis. Todos nós sabemos disso (mais ou menos). Tantos anos na catequese deram-me uma ideia. Mas raras vezes na minha vida as levei a sério. Aquelas dos mandamentos (não roubar, não matar, não cobiçar, etc..) e que acabam por fazer parte da lei moral e comum a todas as sociedades, são perfeitamente aceites e razoáveis. Mas, e o resto? 

Lei de Deus. Porque raio é que temos que ter leis e regras?

 

Lei - (do verbo latino ligare, que significa "aquilo que liga", ou legere, que significa "aquilo que se lê") é uma norma ou conjunto de normas jurídicas criadas através dos processos próprios do ato normativo e estabelecidas pelas autoridades competentes para o efeito.

Regra -.f. Princípio, norma, preceito; Ordem, disciplina. Determinação legal; Moderação,Prudência, cautela. A uma lei lógica que é uma implicação pode corresponder a uma regra de demonstração.

 

"...A Lei é uma instrução paterna de Deus que prescreve ao homem os caminhos que levam à felicidade prometida e proscreve os caminhos do mal" - n.º 1975 do Catecismo da Igreja.

 

A Lei existe para nos proteger. As regras existem para nos proteger. Como por exemplo a lei jurídica ou as regras de trânsito.

Aqui em nossa casa existem diversas regras, regras de segurança. Eu, enquanto mãe, imponho diversas regras domésticas. Eu sinto-me obrigada a defini-las exatamente porque amo o meu filho e não quero que nada de mal lhe aconteça.

Assim sendo, percebo que DEUS, o nosso pai, porque nos ama tanto e nos quer proteger do mal, também tenha colocado diversas regras, regras de segurança (a Lei de Deus).

Mas e perceber isto na pratica? Porque raio é que eu obedeço solicitamente às regras dos homens e custa-me (custou-me) muito obedecer às regras de Deus e considerá-las com a seriedade necessária?

 

Falemos das regras das finanças.

Todos os anos, como qualquer cidadão ativo, tenho que submeter o meu IRS de acordo com as instruções que me são dadas. Se não o fizer ou cometer erros no seu preenchimento, corro o sério risco de coimas, que interferem diretamente com o meu bolso.

Porque é que estas regras protegem-me? Porque quero ter parques infantis em boas condições para o meu filho e outras crianças brincarem; porque quero ter um médico de família que assista a minha família quando necessário; porque quero ter uma rede de esgotos e saneamento na minha casa; porque quero ter passeios e estradas limpas para poder passear com o meu filho e não apanhar doenças; etc...

Para isto tudo (obras e manutenção) eu tenho que contribuir, de forma justa. Assim, se eu obedecer às instruções e fazê-lo de forma honesta e transparente, quem de direito poderá analisar corretamente a minha disponibilidade financeira, sem correr o risco de falsas interpretações, e decidir qual é a minha contribuição (imposto). 

 

Falemos das regras de Deus. 

Eu tinha tomado para mim um homem divorciado (casado com outra) e vivia junta com ele. Isto queria dizer que estava a ter intimidade com um homem que já tinha tido intimidade com outra pessoa. Quando um homem e uma mulher se casam tornam-se íntimos, e não falo somente da questão sexual. Falo de tudo. Nós ficamos a conhecer tudo do outro, ou sejam, as manias, os tiques, os gestos menos elegantes, as perspectivas todas do corpo físico, os pêlos, os sorrisos, as resmunguices, as brincadeiras, o hobby da sanita, etc... Com o tempo e o convívio diário e tão próximo, aprendemos tudo sobre a outra pessoa. Passamos-a a conhecer muito bem, tão bem como a nós próprios. "Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne" (Livro Génesis 2,18)

Eu, adúltera, aceitei um homem que se tinha tornado "uma só carne" com outra mulher. Deus, como me ama profundamente, gostaria que eu tivesse um homem só para mim, e que construísse uma relação de intimidade, em plena igualdade comigo. E por isso ter colocado essa regra, para me proteger e eu poder ter acesso ao melhor dos melhores, tal como eu, enquanto mãe, desejo para o meu filho.

 

Faço aqui um pequeno intervalo. Imaginemos que não seria assim. Todos nós poderiamos ter "n" de relações de intimidade com todos os que quisessemos e que nos apetecesse. Não sei se eu acharia piada a construir uma relação de intimidade (que implica tempo) com um homem que, por exemplo, em 5 anos tivesse tido 25, 50 ou 100 relações de intimidade! Será que a minha relação com ele seria suficientemente especial depois de ter tido tantas? Será que eu não mereço ter uma relação de intimidade especial?

 

 

Retomando, como eu escolhi desobedecer fiquei em pecado. E estar em pecado significa "uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo" (n.º 1849 do Catecismo). Este pecado poderá não ter consequências diretas no meu bolso, mas terá na vida eterna, em que poderei não ter um lugar (eterno) no regaço de Deus. Agora não vejo nem sinto isso, mas um dia serei confrontada com todos os atos da minha vida terrena.

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Desde que eu e o James começamos a viver juntos, eu deixei de comungar. Como poderia receber a hóstia consagrada se vivia com um homem divorciado, e relativo ao qual eu não tinha nenhum arrependimento e nem planos para deixar de ser adúltera? Apesar de estar (mais ou menos) consciente de toda a questão, tinha que, no mínimo, reconhecer a minha situação de pecado e obedecer a Deus na privação do pão mais precioso deste mundo. Assumimos a existência da relação e as devidas consequências. Eu não deixei de ser filha de Deus, e de praticar o culto. Continuei a louvar o Senhor, e a igreja continuou a receber-me e a cuidar de mim.

 

No catecismo da igreja encontrei mais detalhes para uma grande diversidade de situações. Por exemplo, a existência de atenuantes para o conjugue que se esforçou por ser fiel ao matrimónio e que se vê injustamente abandonado. Se não se relacionar intimamente com mais ninguém, não desobedece a Deus, e como tal poderá comungar.

 

Mas, infelizmente, não era o nosso caso.

"- James, nós não podemos comungar!" - disse-lhe eu.

O James começou a acompanhar-me à Eucaristia dominical e, tal como cristão que frequentou (mais ou menos) a catequese, tinha a noção disto e aceitou bem, até ao dia em que descobrimos que ele não tinha sido casado pela Igreja Católica, já relatado num dos posts anteriores. Mas, eu voltei a repetir:

"- James, nós não podemos comungar!"

" - Porquê?" - retorquiu ele.

E desta vez foi mais difícil aceitar. Mas isso fica para o próximo post. 

 

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Nós, Jesus!

12.07.15, Helena Le Blanc

Férias. Duas semanas. Apanhamos um avião com o bebé doente do estômago!

Passados 7 dias, quando chegamos a casa, o bébé apanha varicela, e o marido também!

Uma semana de quarentena, em casa!

 

Um bébé a sentir-se muito infeliz!

Um marido a... (sabem o que dizem dos homens quando estão doentes? Pura verdade!)

Um homem a sentir-se muitíssimo infeliz! Mas apanhou a varicela de levezinho.

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Quantos momentos estive para "me passar da cabeça"! Especialmente com algumas noites e dias mal dormidos! Quantas vezes eu pensei "Jesus, Jesus", "Nós e Jesus".  

Hoje, depois do pior ter passado, penso: "Lena, como tu és tão exagerada! Afinal, até poderia ter sido pior!"

 

 

Nós e o bébé

07.07.15, Helena Le Blanc

Chegamos à ultima parte da história do nosso casamento.

 

A minha segunda sogra morre em Janeiro de 2012.

Eu fico grávida. O Xavier nasce em 3 de Outubro de 2012.

De vez em quando e por outros motivos, quando íamos ao advogado, perguntávamos pelo estado do processo. 

A resposta variava pouco: burocracia; processo no fundo da gaveta; numa primeira vez ninguém quer ser responsável... 

Finalmente, em Março de 2013, chega-nos a notícia: está autorizado, aprovado, deferido... Os serviços centrais decidiram fazer a correção no processo do James. Ficamos radiantes. E de repente, percebemos que afinal ainda era possível...

Começamos, outra vez, a planear o nosso casamento mas desta vez e finalmente, seria no Santuário da nossa paróquia. Apesar de chamarmos "nossa" paróquia, não é a da nossa residência. Nós escolhemos frequentar esta paróquia, a 15 kms de distância, e que é a paróquia donde sou natural.  E à cerimónia pensamos juntar o batizado do nosso filho. Assim, dois sacramentos na mesma festa. Seria maravilhoso. Assim, marcamos uma data: 6 de Outubro de 2013.

Convidamos a família, para começarem a planear viagens, pois envolver aviões e estadias.

Passaram-se alguns meses e... percebemos que, afinal, a feliz notícia tinha um mas.... um grande MAS. O que tinha acontecido foi a  aceitação ou autorização à nossa petição, ou seja, era legítimo o nosso pedido de correcção. Mas afinal era somente uma decisão. Faltava agora alguém proceder em conformidade, e ninguém procedia.

O advogado disse-nos para escrever-mos várias cartas ao responsável do serviço, pedindo que fosse realizado a inscrição de correção na ficha do James. Escrevi, e pedi por favor, várias vezes, que procedessem para que nós, uma família católica, pudéssemos casar na mesma cerimónia do batismo do nosso filho, previamente já marcada. 

Era muito complicado desmarcar ou ficar na incerteza, pois esta festa significava para várias pessoas a a compra de passagens aéreas, aluguer de carros e o arranjo estadias ao mais baixo preço.

E para ficar ainda mais, no mínimo, interessante, surgiu outro problema. O nome da Mãe do James oferecia dúvidas, pois constava de formas diferentes em diversos documentos...

Ai, ai, ai, ai. Não tinha fim toda esta trapalhada!

Mas continuamos a ter esperança e o James continuava, com muita paciência e persistência, a fazer diferentes diligências entre a embaixada do Canada e os nossos serviços. 

Falámos novamente com a Cúria para iniciar a constituição do processo de casamento e o batizado. Esta quis rever todas as questões e aspetos de todo o processo, pois já tinha sido há dois anos quando nos tinha conhecido. Decidiu pedir pareceres a diversas "autoridades/especialistas" em direito canónico. 

Mais uns meses, e nada...

O que fazer? Desistir? Não desistir e dizer às pessoas que TALVEZ houvesse casamento e batizado?

 

Decidimos continuar a planear tudo e o convite "oficial" seria para um batizado. à família mais próxima dissemos que as coisas se tinham complicado outra vez, mas que o Batizado mantinha-se de pé. Assim, para todas as pessoas, a festa era o batizado do Xavier e o festejo do seu primeiro ano de vida.

Convidamos a família, e todos os amigos para o batizado do Xavier e para o festejo do seu primeiro ano de vida.

Muito poucas pessoas sabiam do que estava a acontecer.

Continuamos a "monitorizar" o civil e a cúria.

O civil finalmente faz a nova inscrição no registo do James dizendo que o casamento religioso não tinha sido católico. 

Apelámos para a Sr.ª Dr.ª Conservadora, que nos tinha casado civilmente, para ajudar a tratar de toda a documentação necessária para podermos casar na Igreja.

Chegou Agosto... chegou Setembro...

Agora a bola estava na Cúria/Igreja, a entidade que sempre nos tinha apoiado e ajudado precisava de algum tempo. Perfeitamente compreensível. O James teve que falar com o Padre da paróquia onde vivíamos, e que não nos conhecia de lado nenhum. O Padre da paróquia onde frequentávamos (e frequentamos) prestou todos os esclarecimentos, confirmando que nós éramos católicos. 

A festa estava prevista. Mas ainda não sabíamos se seria somente um batizado ou também um casamento.

Informam-nos que podemos organizar o processo burocrático de casamento na paróquia mas sempre com o "se", ou seja, poderia não haver autorização a tempo, tendo em conta a data já marcada.

A cúria pede-nos duas pessoas que tenham conhecido e acompanhado o crescimento e a vida do James no Canada e que testemunhem que ele não contraiu nenhum outro casamento, para além daquele que já estava mais do que analisado e estudado.

Quem é que, em Portugal, poderia dar esse testemunho?

O Sr. Padre explica-nos que estavam a surgir muitas situações de anulações de casamentos por causa de estrangeiros/emigrantes omitirem terem sido já casados pela Igreja. Neste caso, já não se colocava a questão do anterior casamento do James, mas sim de outro possível casamento que ele pudesse ter contraído.

Surgiu só uma e única possibilidade: a família da ex-esposa do James. São portugueses que estão a residir em Portugal, e que estiveram no Canada durante muitos anos. Acompanharam e conheciam a rede social de amigos da filha, e por consequência, o James.

Ele pediu à sua ex-sogra para vir prestar este testemunho à paróquia. Outra situação mais ou menos estranha. Estiveram presentes e prestaram-nos toda a ajuda possível. 

Tenho uma imagem, uma recordação muito forte desta altura, melhor, a uma semana do acontecimento: o domingo anterior. Estávamos na nossa casa, e tínhamos acabado de jantar, no nosso pátio.

Todos os dias desse mês, a nossa conversa era sempre a mesma e andava à volta disto tudo, e que mais poderíamos fazer.

O James, a determinada altura olha para o céu, e diz:

- Deus, eu tenho fé. Não faço mais nada. Acabou. Mas eu confio em si e sei que daqui a uma semana vamos casar.

 

Na terça-feira o nosso padre deu-nos a boa notícia. Ficamos muito felizes!

Mas fiquei preocupada, pois no domingo iria haver outro batizado e essa família poderia não gostar muito que, na mesma cerimónia, para além dos dois batizados, acontecesse um casamento. Um casamento absorve uma parte da Eucaristia. 

Na quarta-feira fomos à paróquia para uma reunião e encontrámos a outra família, os pais da Margarida. Falamos com eles e pedimos muitas desculpas. Eles foram muito simpáticos connosco, e aceitaram esta novidade em cima da hora.

E agora? 

Eu ía casar... Tinha que ter vestido branco? Um ramos de flores? Estávamos a 3 dias. Tanta coisa para pensar e fazer. A família a chegar. Eram tantos os detalhes e pormenores que aqueles dias tornaram-se mirabolantes! E com toda a confusão, não conseguimos avisar a família e os amigos mais próximos da grande novidade. Ninguém estava a contar. Foi uma grande surpresa, à medida que a Eucaristia se desenrolava.

Falei com a Teresa Powel sobre todos estes pormenores de ultima hora. Ela fez-nos uma sugestão: consagrarmo-nos a Nossa Senhora. Nós consagramo-nos, e oferecemos o meu ramo a Maria.

Foi, depois de várias "espécies" de casamento que tive, o casamento menos "planeado" mas o mais bonito, o mais completo, o mais intenso e o mais importante.

Mas para mim também foi uma grande lição e uma grande prova de fé do meu marido. Um homem que, tal como os outros homens, tem dificuldades na expressão dessa mesma fé, mas que, apesar disso, não significa que não não tenha uma relação íntima com Deus.

Meu Deus, como tenho de ajoelhar-me e louvar-te, pois és grande na tua compaixão e no teu amor!

 

Aqui ficam as fotos...

 

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O casamento civil...

05.07.15, Helena Le Blanc

E a saga continua.

Depois de Las Vegas, continuamos a nossa vida e de vez em quando íamos falando do casamento. 

O James continuou a fazer diligências.

Houve um Padre, nessa altura, que nos disse o seguinte: não se preocupem tanto com o casamento na Igreja. Estão a dar demasiada importância. O que realmente importa é o compromisso que assumem, em presença da família dos amigos e da comunidade. Não sei se foi para nos "consolar" ou para nos ajudar a aceitar.

Decidimos fazer o casamento civil. Porque para este não havia problema nenhum da parte do estado. Qualquer pessoa pode casar, depois do divórcio, as vezes que quiser.

Assim, planeámos o nosso casamento civil.

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Convidámos a família e os amigos mais próximos. 

Quase toda a família esteve presente, à exceção da minha segunda sogra que, já estava numa condição terminal, e os médicos proibiram-na de viajar.

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Escolhemos o sítio, o convite, o menu, a roupa, as músicas, o protocolo, as damas de honor, quem levaria os anéis, a cabeleireira, a maquilhadora, a animação, os nossos votos, os padrinhos, a decoração, o logótipo, a recordação, etc...

Os nossos votos:

James - “Helena, I belong to you. I want to be your companion, your friend, your lover, in pain and joy, in distress and in elation, in times of failure and in times of triumph, in darkness and in light. For this, I'm willing to put all the experiences of my life at your fingertips. I will give you courage when you want to surrender, give you hope when you are disillusioned. As a man, I want to be your strength and your shield, and as your partner we will walk down the path to a life we can cherish. Helena, I want to bring you happiness, all the days of our lives. This I vow today, with the light and strength of God. "

 Helena, eu quero pertencer-te, quero ser o teu companheiro, teu amigo, teu amante, na dor e na alegria, na aflição e no ânimo, nas derrotas e nas vitórias, nas trevas e na luz. Para isto, estou disposto a colocar minha experiência de vida ao teu alcance. Quero dar-te coragem quando tu desanimares, dar-te esperança quando tu ficares descrente, quero ser a tua força e escudo como me compete como homem e mostrar-te o caminho sempre que a estrada da vida te causar embaraços. Helena, quero fazer-te feliz, muito feliz, todos os dias da minha vida. Conto, para isso, com a luz e a força de Deus."

 

Helena - “James, eu quero ser sempre tua. Quero viver contigo na dor e na alegria, nos momentos fáceis e difíceis. Quero entender-te cada dia melhor, quero amar-te cada dia mais, quero dar-te ânimo, carinho e força no caminho. Quero ser a mãe dos teus filhos. A amiga de todas as horas, a companheira de jornada, a esposa fiel. Não quero que o teu amor pare em mim, mas que eu seja apoio para teu amor a Deus e aos outros. James, quero fazer-te feliz, muito feliz, todos os dias da minha vida. Por isto, confirmo o meu amor por ti, diante de Deus e dos nossos amigos."

 

Foi uma bonita festa. Eu gostei muito do meu casamento.

Aqui ficam algumas fotografias.

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Uma das muitas curiosidades da nossa festa: a menina das alianças não foi a menina de verde, mas a de preto.

Ela levou as nossas alianças na coleira especial, feita para a ocasião.

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Foi um dia que teve muitas surpresas, muita alegria, muita dança, muita animação, muito convívio, muita brincadeira e um belo fogo de artifício. Afinal, 1 de Julho é o dia nacional do Canada.

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Uma das minhas cunhadas disse-me que estava muito feliz pois tinha estado presente no casamento do irmão pela primeira vez. O anterior casamento tinha sido de tal maneira veloz que a família do James só soube depois do facto consumado. E isso tinha gerado uma mágoa na família.

Mas a história ainda não acabou... falta a ultima parte! Afinal, apesar de ter sido uma festa bonita, faltou uma coisa muito importante, para nós.

 

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Las Vegas?!?!

02.07.15, Helena Le Blanc

E a história contínua...

 

Tinha eu começado a planear o casamento e... nada!

O advogado ía falando connosco mas não havia nenhuma evolução. O processo era muitíssimo lento.

Passou a data.

Fiquei muito frustrada. Deus estava-me a ensinar uma dura lição.

Eu tinha tido dois namoros. No primeiro, uma relação longa, em que praticamente crescemos juntos. Apesar de ambas famílias falarem no casamento, nunca consegui dar esse passo. Fugia dessa conversa a sete pés!

Disse, em diversos momentos, que nunca me casaria. Aliás, referia que o casamento não era para mim (apesar de ser, na altura, uma pessoa afetivamente muito carente).

No segundo namoro, com uma pessoa divorciada, também disse várias vezes que não queria casar, por isso não era problema não haver essa possibilidade. A relação durou 2 anos. Para mim foi a descoberta da "paixão", e somente isso.

Portanto, estava eu naquele ponto da vida que não sabia o que pensar! Deus tinha-me mostrado o "chupa", deixou-me desejá-lo e.... depois escondeu-mo!

Na altura relembrei cada conversa em que eu disse, claramente e em voz alta, que nunca queria casar-me! Deus fez-me sentir cada palavra que eu tinha dito no meu passado!

E para piorar, via e observava todo o esforço e empenho que o James tinha naquele processo. Ele que não falava muito bem português e de natureza tímida, foi falar com "n" de pessoas. Percorreu todas as capelinhas sem medos ou hesitações, para que pudéssemos casar!

Eu sentia-me cada vez pior!

 

Por causa do trabalho, o James tem que ir, pelo menos uma vez por ano, a uma feira a Las Vegas.

Como me via cada vez mais depressiva, amargurada, frustrada, ele e as irmãs tiveram uma ideia... 

Já perceberam!

Eu, sem saber muito bem como, vi-me envolvida num casamento em Las Vegas. Quando me questionaram a temática, eu, por mera brincadeira e sem querer pensar muito, respondi piratas! PIRATAS! E "para mal dos meus pecados" eles levaram muito a sério! (Mais uma vez não tive cuidado com o que disse em voz alta)!

Não pode ir toda a família, mas foram alguns elementos. Prepararam-se a rigor.

Na véspera, esta era a nossa "figurinha":

- as meninas;

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- os meninos;

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- Nós;

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Eu tive que beber uma cerveja para ter coragem de "vestir" aquela personagem, e sair do quarto de hotel! Eu não estava em mim. Só queria desaparecer!

 Depois, as minhas cunhadas conseguiram entusiasmar-me! 

Aqui ficam algumas fotos da noite de 3 de Novembro de 2010:

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Apesar da "figurinha", foi uma noite muito divertida! As minhas cunhadas foram umas queridas!

O casamento foi um "faz de conta". Em Las Vegas existem as duas alternativas: a sério e a "brincar". Nós optamos pelo pacote a "brincar". Normalmente, é um pacote usado por quem já esta casado e quer comemorar os anos de casados.

Estiveram presentes as minhas cunhadas e cunhado, o meu sogro, e a minha segunda sogra. Passados uns meses foi diagnosticado um cancro à minha segunda sogra. E acabou por ser esta a única cerimónia que ela assistiu!

Mas a história continua... no próximo post!

O pedido de casamento

01.07.15, Helena Le Blanc

A história contínua.

O Sr. Padre procurou saber, com mais detalhe, as circunstancias do casamento do James, e achou muito estranho a rapidez com que foi realizado.

Pediu-nos para verificar se o casamento teria sido mesmo com a administração do sacramento do casamento. 

À partida, o James confirmou ter sido pela Igreja, pois era uma condição dos pais da ex-esposa.

Mas, mesmo assim, o Sr. Padre insistiu para ser verificado se não teria sido na Igreja anglicana. Como sabem, o Canada é um país com igrejas a cada esquina, e com uma variedade de religiões. A mãe do James, de origem inglesa, é anglicana. Seria uma possibilidade.

Pedimos à minha sogra para "investigar".100_5359.JPG

Depois de algumas diligências, e de diversos meses, percebemos que o Padre que administrou o casamento pertencia à Igreja Católica, mas não tinha autorização para o fazer. Tinha alterado a sua vida de consagrado, para uma vida de casado e com filhos. A sua profissão era casar civilmente e, se fosse oportuno, em troca de um dinheiro extra, fazia uma cerimónia religiosa.

Aparentemente havia um grande problema. O dito padre, entretanto, tinha falecido.

O James foi à Cúria da Igreja. Precisávamos de perceber toda a situação. Anulação? Falou com diversos Padres.

 

Cúria - conjunto de pessoas que, no campo administrativo e judicial, auxiliam o bispo no governo da diocese.

 

Passados mais alguns meses, chegou outra notícia. O caso não era de anulação, já que nem sequer tinha havido registo do casamento na Igreja e o Padre que o administrou, apesar de ter recebido o sacramento da Ordem, não tinha a autorização do Bispo para isso. Precisávamos de uma declaração do Bispo a dizer que o James nunca tinha sido casado pela Igreja Católica. O James e a sua ex-esposa tinham sido vítimas de uma fraude.

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Passaram-se mais alguns meses para tentar obter diversa documentação, no Canada.

 

Como toda a situação tinha mudado, o James surpreende-me e pede-me em casamento. 

Outra história engraçada, pois não tinha percebido nem desconfiado. Num belo dia, ao darmos um passeio depois do jantar, no frio e na neve (que eu não queria nada ir), ele tenta ajoelhar-se à minha frente; eu acho que ele caio e ajudo-o a levantar-se. Imaginem: ele a fazer força para ficar de joelhos, e eu a tentar puxa-lo para cima e preocupada por se ele se ter aleijado! 

Hilariante. Ele lá consegue tirar a caixinha do bolso e "espeta-me" na cara para eu parar e ele conseguir falar.

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Marcamos uma data: 09/09/2010.

Da parte da Cúria, o processo vai caminhando, mas chega-nos outra notícia. O James, canadiano, tinha pedido a nacionalidade portuguesa com base no casamento que teve e que o fez vir para Portugal. E nesse processo, o casamento, facto importantíssimo para a obtenção da nacionalidade, foi considerado casamento católico. 

Os Canadianos, porque convivem com muitas religiões e fés no seu quotidiano, lidam com este aspeto de forma diferente. Assim, na licença civil desse casamento, ficou registado que tinha sido n798380320_2045779_9303[1].jpgum casamento religioso, e estava assinado pelo Padre D.

Casamento religioso não quer necessariamente dizer, para eles, casamento católico, mas para nós portugueses é isso que nós percebemos, ainda mais que estava assinado por um Padre. 

Portanto, da parte da Cúria estava tudo ok, mas o James teria que corrigir este registo civil português.

Com a sua ex-esposa (uma situação mais ou menos estranha) e munidos de toda a documentação (alguns com tradução certificada para não haver dúvidas), foram aos serviços centrais de Lisboa.

Resposta: processo de grande complexidade. Seria uma primeira vez e não sabiam muito bem como proceder. 

Conselho: colocar um advogado no processo.

Reunimos com o advogado, explicamos e entregamos todas a documentação.

Passaram mais uns meses.100_5255.JPG

Quanto à Igreja, não havia problema nenhum. Poderia-nos casar pois já estava provado que o James nunca tinha sido casado pela Igreja. No entanto, por causa do acordo que existe entre o estado português e a Igreja Católica, esta não poderia-nos casar sem o consentimento do primeiro. O Estado Português não permitia a constituição de processo de casamento com uma pessoa que já tivesse sido casada pela Igreja. Só no caso de viuvez é que é possível.

Portanto, nós tínhamos um caso ao contrário. Nunca me tinha passado pela cabeça acontecer-me tal coisa!

 

E a história continua no próximo post...