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as surpresas de DEUS!

O nosso diário: aprendemos, vivemos e partilhamos a nossa Fé.

as surpresas de DEUS!

O nosso diário: aprendemos, vivemos e partilhamos a nossa Fé.

29
Jun15

Viver juntos

Helena Le Blanc

 

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Eu e o James, eu portuguesa e ele canadiano, encontrámos-nos no site, http://www.clubeamizade.pt .

Fui lá agora espreitar mas, pelo menos aparentemente, o site está diferente. Não sei se, na sua funcionalidade continua o mesmo, mas na altura, uma rapariga poder-se-ia inscrever, sem custos. Preenchíamos uma série de perguntas e colocávamos uma foto. Depois poderíamos receber mensagens ou "flores". Tinha um chat com conversa online (em tempo real) que a qualquer momento aparecíamos e começávamos a conversar com quem estivesse (com a possibilidade de consultar o perfil de cada interlocutor a qualquer momento). 

Em determinado momento, não sei bem como, eu estava a falar com um suposto homem, que supostamente falava muito mal português, que supostamente a língua natural era o inglês, e que supostamente vivia em Aveiro.

 Aniversário James Setembro 2008 (25)-cópia 2.jpg

Durante diversos dias, semanas, eu continuei a conversar com ele. Fiquei cheia de curiosidade e intrigada. A história parecia-me muito estranha. Fiquei muito curiosa (seria treta ou não?) fui continuando a conversar. Até era giro treinar o meu péssimo inglês. Afinal, a minha única negativa que tive no meu percurso escolar foi em inglês.

Na altura achei uma pena a conversa não ser em francês, já que eu tinha sido sempre aluna de 4s e 5s. 

Ele contou-me que, supostamente, estava a divorciar-se (o que eu achei que era outra "peta", para disfarçar a sua condição de casado) de uma mulher portuguesa. (Supostamente) Ele conheceu-a em Toronto, tendo eles namorado em diversos períodos da juventude. A um determinado ponto, a família dela decidiu regressar "definitivamente" a Portugal, e ela viria também. Jovens, e com "o sangue na guelra", decidiram casar no espaço de uma semana. A família dela só permitiria que ele a acompanhasse se estivessem casados e pela Igreja. Assim, o casal tratou de todo o processo e em 5 dias casaram. 

Viveram felizes em Portugal durante vários anos. Depois tiveram um problema grave que não conseguiram ultrapassar. A esposa separa-se e pede o divórcio.

Ele, sem família em Portugal, ficou em compasso de espera. Tinha um trabalho, uma casa e alguns amigos, um hobby (modelismo) em Portugal, e a mãe a pedir para ele regressar rapidamente.

 

Nesse período, eu e ele encontrámos-nos no dito site.

Começamos a encontrar-nos para pequenos cafés. Muitas histórias engraçadas surgiram desses encontros. E a nossa relação cresceu e aprofundou-se. 

Eu, nessa altura grande fumadora, decido parar de fumar. Ele, asmático, incomodava-o o fumo. 

Passado um ano decidimos viver juntos. Ele era divorciado, eu solteira. Ele e eu éramos católicos mas não poderíamos casar pela Igreja. 

E assim começou a nossa vida em conjunto, para "mal dos pecados" da minha sogra.

 

Eu tinha saído de casa dos meus pais há 4 anos atrás, e vivia sozinha num T2. Os meus pais, emigrantes desde os meus 3 anos, tinham regressado passados 23 anos.

Eu, que tinha crescido com a minha avó, senti estranheza ao viver com eles. Depois de 2 anos decidi, com um pedido de empréstimo ao banco, comprar um apartamento: T2.

 

Ele arrendou a casa dele e veio viver para o T2.

 

Eu, que era (e sou) catequista, passados alguns meses, tive a coragem de abordar o assunto com o meu Padre. Disse-lhe que estava a viver com o meu namorado, que era divorciado.

O Sr. Padre decidiu vir jantar connosco para o conhecer e saber mais de "nós". 

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 E a história contínua, no próximo post.

28
Jun15

Adão e Eva: qual é a verdade?

Helena Le Blanc

Num destes dias, fui a um almoço de trabalho, com gente muito importante, local e do estado central.

Fiquei junto de uma pessoa que conhecia muito bem, mas as restantes pessoas, apesar de estar habituada a vê-las em eventos, nunca tinha realmente falado com elas.

Assim, tal como tinha falado no post um almoço de trabalho relembrei o esquema destas coisas, e comecei a elencar mentalmente os temas que eu poderia trazer "para a mesa" para que, todos nós, por força das circunstancias ali reunidos, pudéssemos ter uma refeição agradável.

Conversa puxa conversa: planos para férias, onde trabalha e o que faz especificamente, gosto do que se faz, a crise económica, a juventude de hoje, a religião... E lá estava outra vez! A religião. Eu preparei-me para segurar, com garras e dentes, aquele assunto em cima da mesa.

Disutimos as diferenças de estilos entre os Sr.s Padres e as paróquias.

Alguém, de repente questiona-me:

- Eu tenho muitas dúvidas, e vou começar pela primeira: a história de Adão e Eva. Eles tiveram dois filhos machos. Como é que procriaram e surgiu o resto das pessoas? Como é que a Igreja explica essa história quando estamos fartos de saber da ciência que essa descrição do surgimento da raça humana não é verídica.

Eu retorqui:

- Apesar de ser Católica praticante, também tinha muitas dúvidas, e que estava todos os dias a aprender. Depois, relativo a ADÃO E EVA, respondi que a ciência não é uma inimiga da Igreja. Aliás, muitos dos cientistas que ficaram na história, eram padres e monges. A Igreja, se alguma vez na sua história fez alguma confusão e perdeu-se, já não é a realidade de hoje. A igreja não afirma, de todo, que a história de Adão e Eva é a história do nascimento da humanidade. A Igreja aceita a teoria do Big Bang, e nem tem pretensões em ir fazer o trabalho desta ou de a substituir! A história da Criação é uma bela história, que tem uma mensagem forte para todos nós. É uma analogia, uma história com uma mensagem moral, tal como as histórias infantis tradicionais. Eu, pessoalmente, acho que é um belo poema.

- Mas porque é que não dizem isso às pessoas?

- Se calhar dizem, as pessoas é que não ouvem - respondo - Mas as pessoas também não perguntam. As pessoas calam-se e afastam-se da Igreja sem perguntar!

- Pois, os Padres....

- Os Padres têm defeitos. São homens como nós, e são melhores ou piores na sua missão, como nós somos no nosso trabalho. Portanto, quem é católico deve procurar a Paróquia ou a missa que vai ao encontro das suas expectativas. Ninguém nos obriga a ir à Paróquia onde residimos, pois não?

Não nos agrada um ou outro aspeto? Então devemos tentar mudar isso e não nos afastar. E esta é a grande diferença entre os Católicos praticantes e os não praticantes. Se mantivessemos todos unidos, à volta do altar, a Igreja seria diferente. O espírito santo atua através da unidade da Igreja.

Nós, os católicos praticantes, não somos tolinhos e ceguinhos. Também vemos e sentimos as coisas e queremos o melhor para nós e para as nossas famílias!

E como exemplo falei do movimento das Famílias de Caná.

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Algumas crianças das Famílias de Caná, a divertirem-se "à grande e à francesa", num dos nossos encontros!

25
Jun15

O meu marido perguntou: ... e os gays?

Helena Le Blanc

Um destes dias...

Cheguei a casa e comecei a preparar o jantar. Coloquei, através do telemóvel, um programa audio.

Ouvi cerca de 20 minutos o Greg Willits (para ouvir - em inglês - clicar na frase "Free Talk...", preencher os dados e escolher fazer download ou guardar o link) sobre as 10 lições ou os 10 erros que ele cometeu na sua atividade, o seu testemunho de fé através das novas tecnologias.

Pausa.

 

Ainda só estava na primeira lição e já tinha a cabeça cheia de pensamentos e dúvidas. Decidi, em imediato interpelar o meu marido. Ele estava ali, à mão, e poderia-me ajudar.

E assim começou a conversa... 

 

O meu propósito, com o blog, é claramente dizer às pessoas que, se derem um bocadinho de atenção a Deus, ele fará maravilhas nas suas vidas. Expliquei isto ao meu marido. Nós somos felizes, e gostaria que os outros fossem felizes, tal como nós. Não quero guardar "a galinha dos ovos de ouro" só para mim (para nós). Não perco nenhum desses "ovos de ouro" se disser, a todos os ventos, qual é o nosso segredo.

Como é que eu posso saber se estou a atingir o meu objetivo? E se não estiver e for tudo tempo perdido? Porque se for, terei que parar e repensar, e perceber qual é o (meu) caminho.

Conversa puxa conversa....

 

Acontece tantas vezes as pessoas terem ideias erradíssimas da Igreja. Ideias preconcebidas e completamente descabidas. Aceitam-nas como verdades, e não procuram saber porquê. Bastaria pelo menos perguntar se assim é (ou não)!

Eu sou católica e tenho imensas dúvidas. Todas as semanas faço descobertas. No entanto, apesar dessas incertezas, o meu coração sabe qual é a única verdade: Deus é o meu Pai.

É como a velha questão de que o preto é preto, e o branco é o branco. Isto para mim não há duvidas. Mas não invalida que eu tenha perguntas sobre a pigmentação, a concentração, ou o ser mais claro ou mais escuro, ou com que tipo de matéria se faz o preto e o branco, etc... 

E a conversa desembocou em....

 

-" .... e os gays? a história da homossexualidade?" -  O meu marido lança para cima da mesa esta questão.

Já estávamos a jantar.

Ele diz-me que a Bíblia fala claramente desta questão.

Eu fiquei a olhar para ele. Ele explica que, apesar de ser uma temática destes últimos séculos, na época também existia esta realidade. Sabemos que no tempo dos Romanos, era uma pratica as relações homossexuais. Até aí tudo bem, sim! E...

Procurou a passagem da bíblia e leu:

"De facto há homens castrados (eunucos), porque nasceram assim; outros, porque os homens os fizeram assim; outros ainda castraram-se por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, que entenda!" (MT, 19, 12)

 

Depois continua dizendo que lhe parece que a igreja descrimina e não aceita os homossexuais.

Eu retorqui negando. Essa é uma daquelas ideias erradas generalizadas. Ele diz que há cristãos que pensam e acreditam ser assim.

A Igreja não descrimina ninguém. Aceita os homossexuais. São pessoas iguais ás outras e bem vindas, como são as mulheres, os homens, as crianças, os solteiros, os casados, as pessoas de cor, as pessoas sem cor, os divorciados, os viúvos, os morenos, os louros, os ruivos, os barbudos, os carecas, etc...

A questão está nas nossas acções. Nós, aos olhos de Deus, valemo-nos pelas nossas ações.

Essas ações, para cumprir com a nossa missão, deverão ser pautadas por regras presentes na mensagem de amor de Jesus, na Bíblia, nos mandamentos da Igreja, etc... Essas regras existem para nos proteger e ajudar. As leis (regras da justiça) existem para nos proteger e ajudar. O código da estrada (regras rodoviárias) existem para nos proteger e ajudar.

A Igreja não permite sacramentar um casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.

No entanto...

Se um homossexual mantiver-se casto, como é pedido às pessoas casadas, às pessoas solteiras, às pessoas consagradas, às pessoas divorciadas, e oferecer esse controlo e sacrifício a DEUS, está a cumprir a sua missão e a caminhar em direção à santidade (outro conceito habitualmente mal entendido).

Se uma criança diabética mantiver-se longe dos doces, como é pedido a todos os diabéticos, a todas as pessoas com problemas de obesidade, a todas as pessoas com problemas de "n" de doenças, está a cumprir a sua missão e a caminhar em direção à santidade.

  

Definição de alguns conceitos:

 

Castrado (eunuco) - é um homem que teve os testículos e/ou o pénis removidos. No sentido figurado o termo é usado com o significado de “estéril”, “impotente”, “fraco” ou “inútil”. 

 

Homossexualidade -  relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominantemente, por pessoas do mesmo sexo. "Os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados", contrários á lei natural (2357 do Catecismo da Igreja Católica).

 

Castidade - É ser fiel à nossa natureza biológica, independentemente das atrações que se sente, e para com as nossas escolhas, tenham sido sacramentadas ou não. Para isto pressupõe uma aprendizagem do domínio de si mesmo. Às pessoas casadas pede-se a vivência da castidade conjugal, de maneira como a lei moral determina; às pessoas celibatas pede-se a vivência na continência. O celibato consagrado, ou seja os religiosos ou leigos consagrados, é a dedicação exclusiva a Deus. Não quer dizer ser um solitário ou eremita. Aliás a castidade expressa-se na amizade ao próximo, desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou sexo diferentes (2337 a 2363 do Catecismo da Igreja Católica).

 

Foi uma surpresa, para mim, na hora de jantar estarmos a falar das coisas de Deus.

Nós aprendemos mais alguma coisa naquela noite...

 

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